Minha poesia insana
sana essa alma-chama
que se funde ao mundo
e declama
as vozes dos muitos e muitos
que não sobreviveram...
Sobrevivente.
É como se entende
meu eu que estende
as mãos a ilusões,
mendigando algumas malditas moedas de prata,
como as das mãos de Judas,
lá presentes, tão somente
por trair o que lhe era mais sagrado…
Talvez, me esqueci do que é sagrado...
Talvez, depois de tanto ter sangrado
cansei de botar fé em qualquer coisa
que não seja
anestesia...
E essa poesia é criatura
da chama imatura
que ao invés de viver,
sobrevive,
ainda hoje.
Cansei de contar os mundos
que desabaram em segundos
e lá no fundo ainda sinto,
profundo,
que sou um eterno
"quebrar-se em pedaços";
a cada passo:
os destroços,
o asco,
quando eu realmente acreditava
que era alguma luz…