A criança que inventa, para se amparar,
além do real, um amigo imaginário,
extrai da solidão afeto extraordinário,
e a pesada ausência consegue suportar.
Chega a idade adulta, surge nova procura:
amigos virtuais, aparecem aparentes,
viram fantasmas, sem virtude, indiferentes,
distantes, sempre onipresente criatura.
O adulto emerge, encontra velha novidade,
esvai o sobrenatural. Natural mudança,
e o virtual se eleva a crua enfermidade.
Cadê o amigo real? Esta ele ao lado?
Se esquece, posto à margem da confiança:
O real sumiu. Será que foi apagado?
Souza Cruz