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O AMIGO IMAGINÁRIO (soneto)

 
 
O AMIGO IMAGINÁRIO (soneto)
 
꩜-★-1️⃣ VERSÃO 1️⃣ -☆-𖦹

Refugia a criança, intenta se amparar,
além do real, em um mundo imaginário.
Inventa alcançar um ser extraordinário,
sanar o sofrer e a tristeza suportar.

Juventude, vida adulta, eis igual procura:
Amigos virtuais, tão distantes, aparentes,
fantasmas frios, sem virtude, indiferentes.
— A solidão tortura. Onipresente! Há cura?

Tecnologia deturpa a realidade:
Esvai o sobrenatural. Frágil a esperança,
procura no virtual agrava a enfermidade.

E o verdadeiro amigo? Onde ele esta? Ao lado?
Ou ao largo? À margem? Perdeu a confiança?
O real sumiu! Será que foi apagado?
_________________________________
𖦹-☆2️⃣ VERSÃO 2️⃣ -★-꩜

A criança se esconde e busca se amparar,
fugindo do real, num par imaginário.
Inventa alcançar um ser extraordinário,
pra dor aliviar e o medo suportar.

No jovem, no adulto, reforça igual procura:
perfis em carrossel, presenças aparentes.
São vultos digitais, frios e indiferentes.
A solidão segue cruel, fere e tortura.

A tela nos impõe uma estranha novidade:
expulsa o que é sagrado. Eis brusca mudança,
onde falta conexão, sobra a enfermidade.

Cadê o real amigo? Ele esta ao lado?
Perdeu-se na distância? Ou foi desconfiança?
Sumiu o toque! Será que foi deletado?


Souza Cruz

 
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souzacruz
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 31/01/2026 09:38  Atualizado: 31/01/2026 09:38
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 Re: O AMIGO IMAGINÁRIO (soneto) p/ souzacruz
O tema, actual, é dos mais complicados de debater, seja em que área for. A solidão por falta pode ser acalentada por memórias dos tempos passados e de uma esperança de lá voltar. A solidão por existências virtuais não passa disso, de solidão. Caminhamos para um mundo de estranhos.
Desafiava, em vez de duas versões idênticas, a fazer o soneto antagonista deste(s).

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