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PARTIR EM PAZ... (soneto)

 
Tags:  despedida  
 
VERSÃO I


Se o gostar se transmuta em tristeza e tormento
E a culpa se destila em falsa acusação,
Quem fere assume a máscara da compaixão,
Transformando a fraqueza alheia em seu sustento.

Pois tira do outro aquilo que não pode dar,
Num jogo desigual onde um só se devora,
Enquanto a servidão se veste e se demora
De um falso amor que existe só para explorar.

Mas quando o coração descobre o vil engano,
Não intenta, na vingança, a injusta despedida:
Busca a luz, de alma leve, sem devolver dano.

De consciência em paz e inteira liberdade,
Entende que o partir preserva a própria vida
E seguir em frente, sempre, com dignidade


VERSÃO II


Se o gostar se converte em tristeza e tormento
E a culpa é fabricada em falsa acusação,
Quem agride faz-se vítima, com perfeição,
Transformando a fraqueza alheia em seu sustento.

Pois tira do outro aquilo que não pode dar,
Num jogo desigual onde um só se devora,
Enquanto a servidão se veste e se demora
Em um falso amor que existe só para sugar.

Mas quando o coração descobre o vil engano,
Repudia a vingança e injusta despedida:
Busca a luz, de alma leve, sem devolver dano.

De consciência em paz e inteira liberdade,
Entende que o partir preserva a própria vida
E seguir em frente, sempre, com dignidade


Souza Cruz

 
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