Nas ruas vazias de madrugada
Revivo os beijos seus. Quando virão?
Carrego comigo essa história guardada
E tantas palavras ditas em vão
O mundo gira sem me perguntar
Já estou de volta ao mesmo lugar
No peito uma brasa a me guiar
Certo eu ir? É hora de ficar?
A cada dia, quando o sol se for
Há um pão assando para você vir
E quando o frio virar cobertor
No seu calor eu quero dormir
Tantas estrelas que pintam o céu
Sinto o peso do seu braço em mim
Dos medos que não desfiz até aqui
E faço promessas — desfaço o véu
Quando vierem as fortes tempestades
Nos dias de sol que estão por vir
Ainda sinto o seu cheiro a fluir
Igual blecaute, cobrindo cidades
O nosso tempo passa como areia
Que entre os dedos vai escorregar
A tudo mesmo que ouse separar
E nosso amor ainda incendeia
Mais um dia sem você
E a noite sem me ver
Carrego sua quentura
Até você voltar
Souza Cruz