Poemas : 

A CADA DIA

 

Nas ruas vazias de madrugada,
Teu nome pendurado no portão,
Teu passo calado no quarteirão,
Levo o seu rosto na caminhada.

O mundo gira sem me perguntar,
Estou de novo no mesmo lugar,
Com a brasa no peito a me guiar,
Será que devo ir ou devo ficar?

A cada dia, quando o sol se for,
Um pão assa, para nos suprir,
E quando o frio virar cobertor,
No seu calor eu quero dormir.

No cheiro que ficou no travesseiro,
A forma do teu corpo sobre a cama,
O teu lado vazio que me chama,
A marca das tuas mãos no chuveiro.

No vendaval que vai nos sacudir,
A noite vai fechando de verdade,
Mas ainda te sinto me conduzir,
Como blecaute sobre a cidade.

O tempo nos corrói, somos a areia,
Entre os dedos a escorregar,
E se ousarem nos separar,
Nosso amor ainda incendeia.

Mais um dia sem você
Nessa noite mais escura
Carrego sua quentura
Guardada para te ver


Souza Cruz

 
Autor
souzacruz
Autor
 
Texto
Data
Leituras
82
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
2 pontos
0
1
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados