Nas ruas vazias de madrugada,
Teu nome pendurado no portão,
Teu passo calado no quarteirão,
Levo o seu rosto na caminhada.
O mundo gira sem me perguntar,
Estou de novo no mesmo lugar,
Com a brasa no peito a me guiar,
Será que devo ir ou devo ficar?
A cada dia, quando o sol se for,
Um pão assa, para nos suprir,
E quando o frio virar cobertor,
No seu calor eu quero dormir.
No cheiro que ficou no travesseiro,
A forma do teu corpo sobre a cama,
O teu lado vazio que me chama,
A marca das tuas mãos no chuveiro.
No vendaval que vai nos sacudir,
A noite vai fechando de verdade,
Mas ainda te sinto me conduzir,
Como blecaute sobre a cidade.
O tempo nos corrói, somos a areia,
Entre os dedos a escorregar,
E se ousarem nos separar,
Nosso amor ainda incendeia.
Mais um dia sem você
Nessa noite mais escura
Carrego sua quentura
Guardada para te ver
Souza Cruz