Quem crê ser santa e exige devoção
pensa ser Maria em altar sagrado,
o amor é pecado, réu sem advogado,
devoto sem paz, sem lar, sem perdão.
É missa que se realiza de uma mão,
cuja santa exige culto imaculado,
e quem busca o afeto equilibrado
comete aos olhos dela transgressão.
Despir o manto volta a dignidade —
e a carne enfim respira o ar profano:
o que era culpa agora é só defeito.
O elo se torce, e prende a liberdade,
convém partir pra se livrar do engano
de pés no chão e amor leve no peito.
Souza Cruz