
os dedos
envelhecem sem propósito,
nasceram para transcrever
a pele dos teus lábios
no prólogo suave de um beijo…
dedos preparados
para deslizar no teu costado
como a seda faz
nos cotovelos.
dedos presos às teclas,
escrevendo-te
o desejo
do doce vento,
do remoinho
[lento],
de uma mão
junto ao peito,
no cimo do coração.
ai, como te quero
num bailado
de um só abraço,
vertendo o calor
e o som dos versos
fora dos textos.
amo-te
da alma à carne,
do ventre ao sentimento,
do cais à ria dos teus olhos,
tremendo
com receio do prazer
dos momentos,
sorvendo
o sal.
escrevo-te
como tatuador
do teu lindo corpo,
como ilustrador de um amor,
queimando na pele
o sabor dos sonhos.
“Acredito que o céu pode ser realidade, mas levarei flores para o pai - Erotides ”