O corpo inventa que tem sede,
a respiração até convence,
tosse-se muito,
sempre que o vento sopra,
e a mulher da esquina vai atender um cliente,…
não há memórias que saibam bem,
que afinem o palato como uma harmónica,
há só momentos como este,
que duram apenas o suficiente
para permanecerem na memória,…
e eles sabem-no,
quem nos observa,
o gordo,
o desiludido,
o que sabe que não tarda a morrer
mas ainda assim sorri,…
olham-nos fixamente,
e o corpo deteriora-se,
piora mesmo,
e verdade que o
céu escurece,
e saltamos à frente nesta novela