Carolina, teu nome é um sussurro no jardim secreto dos meus pensamentos, uma melodia que só minha alma escuta. Separou-nos o abismo de um deus distinto, sim, mas mais ainda, a geometria sagrada de dois mundos que olhavam a vida com olhos diferentes. Fomos dois astros girando em órbitas paralelas, condenados à proximidade sem fusão, à distância que se mede em silêncios.
A distância não são quilômetros, é o peso de uma visão, a cruz que cada um carrega em suas costas. Mas no breve instante da tua pele, na vertigem do teu olhar, o universo parou. Fomos a faísca que acendeu o vazio, a verdade que se sussurrou entre duas almas que não se tocam, mas se sentem.
Restaram-nos os versos não escritos, as pontes não cruzadas, a eternidade que nos escapou entre os dedos. Um café sem amanhã, uma promessa sem altar. Carolina, és a oração que não se reza, o milagre que se nega a ser, mas que vive, eterno, no recanto mais íntimo da minha memória.