Hoje era dia de rua,
de riso alto cortando a madrugada,
de erro virando história
e história virando nada.
Hoje era dia de nós dois
perdidos do mundo,
achando que o mundo
nunca ia perder a gente.
Você foi minha escola torta,
meu verso sujo,
minha melhor e pior escolha —
e, ainda assim, a mais verdadeira.
Aprendi contigo
o que presta
e o que destrói,
e em tudo tinha vida.
Mas ficou esse silêncio…
esse vazio que grita teu nome
nas coisas mais simples.
Eu ainda tenho raiva,
não vou mentir —
raiva de você não ter ficado,
de não ter falado direito,
de ter ido sem me dar tempo
de ser voz pra você.
Mas a saudade…
a saudade ganha.
Ela sempre ganha.
Porque tem dia que eu ainda espero
o telefone tocar de novo,
como se o tempo fosse voltar
só pra me dar mais uma chance.
E aí eu lembro…
que a última ligação ficou perdida,
e isso pesa mais
do que qualquer palavra dita.
A vida seguiu pra mim,
mas não é a mesma coisa —
tem sempre um espaço teu
em tudo que eu vivo.
E dói saber
que hoje era pra ser bagunça,
risada, loucura…
e virou só memória.
Mesmo assim… eu falo.
Parabéns, meu irmão.
Onde você estiver.
Queria te abraçar hoje,
te xingar por tudo,
rir de tudo de novo…
mas só me restou o silêncio.
Então fica esse pedaço de mim
tentando chegar até você:
parabéns.
E, mesmo com raiva…
mesmo sem entender…
eu nunca deixei de te amar.
Escrevi esse poema num dia em que o peito não cabia em mim.
Hoje é aniversário dele.
E, mesmo depois de tudo, ainda parece errado o mundo continuar girando sem ele aqui.
Nada disso é ficção.
Cada verso saiu do lugar mais honesto que eu tenho — entre a saudade, a raiva e uma culpa que às vezes insiste em voltar. Ele não foi só um amigo. Foi meu mentor, meu irmão de vida, de erro, de aprendizado. A gente cresceu junto, se perdeu junto, viveu coisas que ninguém entende de fora.
Esse texto não tenta limpar a história.
Não tenta romantizar nada.
A gente fez muita coisa errada — mas foi real. E, pra mim, isso sempre teve valor.
Se tem algo que ficou, além da dor, foi o que ele deixou em mim: a forma de enxergar o mundo, de escrever, de sentir sem filtro. Muito do que eu sou hoje carrega ele.
Eu ainda tenho perguntas que nunca vão ter resposta.
Ainda tenho raiva em alguns dias.
Mas, acima de tudo, eu tenho saudade.
Esse poema é o jeito que encontrei de falar com ele, mesmo sabendo que talvez não exista resposta.
É o meu “feliz aniversário” atravessado.
E, de algum jeito, também é um obrigado.
Valeu por tudo, meu irmão.