Escorre o grão acastanhado
no papel branco.
Um curto, intenso,
espesso de vida.
Bebo-te em rima.
Às vezes, é de saco,
lento, coado,
poema que demora
a arrefecer no peito.
Ou de cafeteira antiga,
com borra e memória.
Viver sem isto?
Manhã fosca,
verso sem norte,
vida sem sorte.
O mundo seria
apenas
água tépida.
Pouso a chávena,
partilho a estrofe.
Tu trazes o açúcar
ou o amargo silêncio
nesta mesa de afetos.
Moer a palavra,
queimar a língua.
Versos com Café:
vício
partilhado
que nunca arrefece.
Carlos Lopes
"A poesia não deve ser o caminho mais curto entre dois pontos, mas o caminho onde o leitor mais gosta de se perder."