
Auspiciosa
Hoje encontro a palavra auspiciosa,
que manifesta em mim o medo de enlouquecer;
assim como o cravo está para a rosa,
o adverso é aquilo que me faz florescer.
Este pavor faz meu corpo arrepiar;
ao manipular a mente, fico preso em mim.
É enlouquecedora a falta que me faz o ar,
é enlouquecedor imaginar o fim.
Conflitam percepção, imaginação e realidade;
a compreensão racional é exterminada.
Bem e mal se unem nesta imagem lapidada,
e o abstrato se torna concreto, na verdade.
Nada é tão auspicioso quanto o medo de perdê-la,
ela, que no passado foi uma estrela,
que brilhava em um céu azul interminável;
hoje peco ao pensar que um dia pude tê-la.
E loucamente eu fujo
do meu pecado, ao fazer da mágoa
um feio jogo.
Alexandre Montalvan
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