O meu corpo tem um traço anterior
Herança antiga inscrita em meu calor
Fala sem palavras, pulsa, se balança
Vem e volta em cada passo de dança
Ajusto a postura, arrumo o chapéu
Sangue que comanda, tu és meu céu
Meu corpo decide antes que eu pense
A vibe, a energia, ela que me vence
Bicho antigo acorda e vem me guiar
Já sabe os rastros onde vou andar
Bicho antigo pulsa, vem me carregar
Me entrego, perco, para te encontrar
Passo perto, deixo o perfume pousar
Presença leve, um rastro a emanar
Se você me olha, demoro em voltar
Meu corpo assina o que não sei jurar
Febre incurável, mapa sem seu norte
Tremor de animal, busca a sua sorte
O ensaio acaba quando vem o instinto
Aposta em ti, todo o impulso, distinto
Demora teu olhar, teatro e convite
Música silencia, a festa às vinte
Só o faro do bicho vindo te buscar
Um bicho ancestral que quer te alcançar
Quando o bicho vem, já sabe o final
Quando o som acaba, vira o ritual
A música termina, é o nosso sinal
Quando a festa finda, vira carnaval
Souza Cruz