Cadê o chão? Cadê os passos?
Zumbido no ouvido, fico surdo
pensamento absurdo, e o peso.
O peso do corpo, da costela
quebrada na queda, persiste.
Persigo o olhar, na pálpebra.
A vida treme. A mão, a alma,
já não há linha. O que tinha,
rosto que chamaram de meu
desaprendeu o nome. Há fome!
Me desteço trama por trama,
me dissolvo em dor, e drama.
De viver, fugir do desterro.
Ainda queimo, a brasa fria.
Um bicho escondido na toca,
fósforo aceso baixo, e fogo?
Um dia foge. Era para ser,
E foi, pois já tinha sido eu.
A nuvem passou sem sombra:
Após começos, apenas morreu.
Morreu de novo, e outra vez.
Cada um, alguém, que era eu.
Quase, acidente, incidente.
Um sentimento sem sentindo.
Souza Cruz