Cadê o chão? Cadê os passos?
Zumbido no ouvido, fico surdo
pensamento absurdo, e o peso.
O peso do corpo, da costela
Quebrada na queda, persiste
Persigo o olhar, na pálpebra.
A vida treme. A mão, a alma,
já não há linha. O que tinha
Um rosto que chamaram de meu
desaprendeu o nome. Há fome
Me desteço trama por trama,
me dissolvo em dor, e drama
De viver, fugir do desterro
Ainda queimo, a brasa fria,
Um bicho escondido na toca,
fósforo aceso baixo, fogo?
Um dia foge. Era para ser,
Foi, pois já tinha sido eu.
Nuvem que passou sem sombra:
Após começos, apenas morreu
De novo, e morreu outra vez
Cada um, alguém, que era eu.
Quase, acidente, incidente
Um sentimento sem sentindo.
Souza Cruz