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O mundo do sr. Con - No hospital II

 
No hospital (cont)
O soro acabou e a incomoda dor também e aguardo a transferência para o hospital da Mulher fazer uma tomografia – sonho com a Italia, meu livro “ O Mundo do sr. Com” publicado por lá – as duas cartas ainda não foram devolvidas, talvez acharam o endereço correto. Todo espaço é pouco pra escrever. O gosto amargo, sinal que o tramadol faz efeito e suou no ar-condicionado da enfermaria.
Cinco para sete da noite – troca de turno, funcionários despedem-se e desejam bom plantão para os quem entram agora. O barulhinho típico da nebulização. Ainda pouco uma ânsia de vomito e suei novamente.
As atendentes da noite esperam o pessoal da farmácia chegarem para liberarem os medicamentos.
- A farmácia que disponibiliza – desculpa uma delas para uma agoniada paciente.
Uma mulher passa mal e vomita na lixeira. Um enviado da Mais Velha vem saber noticias minhas – na pensão todos preocupados por que ainda não cheguei – explico-lhe que vou ao hospital da mulher fazer uma tomo.
- A senhora é alérgica a alguma medicação? – perguntou a atendente – Vai tomar dipirona e benzetacil – prepara a seringa e aplica a injeção no braça da impaciente.
Um auxiliar todo empertigado num jaleco branquíssimo, assim como a calça e o tênis, uma touca de plástico na cabeça e mascara, empurra uma mesa para coletar sangue para exame.
São nove da noite e nada da ambulância, mas atendente primaz me garantiu que serei chamado e ter paciência e aguardar, me refugio em Isaac Bashevis Singer em “Breve Sexta-feira” – A Mais Velha vem novamente saber o que tá pegando – explico-lhe tudo novamente. Quis me dar dinheiro para merenda, mas recusei polidamente. Uma senhora numa cadeira de roda geme. Uma vovozinha geme baixo e é confortada pela bela neta morena com um pelo par de rabo.
Onze e meia da noite – duas faxineiras fazem a sua tarefa de assear o ambiente e deixa-lo asséptico – as plantonistas conversam a respeito de uma vaquinha para uma pizza – tento entrar no grupo mais sou barrado tecnicamente, o meu estomago não pode ter muito volume devido ao exame. Volto a minha cadeira tumular.
Começo do sábado, aleluia, finalmente sou convidado a acompanhar uma simpática moreninha até o pátio, onde uma vistosa ambulância me esperava. O motorista abriu a porta traseira e entrei meio cambaleante e deitei-me, a cabeça pesada. Menos de quinze minutos estávamos de volta – deu tudo certo, fiz a tomografia sem problema. Aleluia! – esperar o resultado quatro hora depois, que seria enviado on-line para o nosso hospital – Coisa de primeiro mundo, aos poucos vamos chegando lá.
Uma senhora chega amparada pelo filho que a trata carinhosamente e de imediato as atendentes lhe dão captopril para baixar sua pressão.
02:00 – Peço um pouco de café e sou novamente negado, tem que esperar o resultado do exame. O casalzinho da Vila Embratel, ele embriagado com dor de cabeça e ela deu um tratamento no cabelo e ficou mais simpática.
03:00 – Sete pessoas medicadas, inclusive uma habitué que vem todas as madrugadas, depois do trabalho tomar suas medicações – no passado segundo disse a bom som, foi cantora de sucesso, de uma canção que fez muito sucesso nos anos 90 – “Sou Mulher roleira” – traz café e bolos para todos.
Vou ao consultório do medico pedi-lhe duas folhas de Chamex, mas o sacana a muito custo me dar uma.
De volta a enfermaria, aplumo-me na cadeira – o filho abraça a mãe, na minha frente um careca fortão no celular – ao meu lado, uma morena dorme confortavelmente enrolada num lençol, na outra uma nebuliza-se e atendente dorme nos braços sobre a mesa.
Apagaram a metade das lâmpadas. As quatro e meia. Um choque, o resultado da tomo deu problema e ainda não enviaram nada – mas a jovem atendente disse-me para ter calma e voltar a dormir. E assim o fiz, cochilei pesadamente até as seis. E uma das atendentes fez-me o sinal para aproximar-me do balcão, cocei a cabeça para esperar o pior.
- Deu tudo certo seu Constantino, vou apanhar o laudo e o sr. vai leva-lo para o medico.
Minuto depois voltou e entregou-me e fui de imediato ao consultório mostra-lo ao novo medico de plantão. Depois de ler as folhas e ver as gravuras – concluiu que tenho um pequeno nódulo no rim direito – nada grave – encaminhou-me para um urologista – agradeci e voltei a enfermaria onde fui agraciado com um bom copo de café com leite e um pão massa fina.
- O senhor merece – disse a afável primaz entregando-me – Tive hora que tive pena do senhor, esse tempo todo de jejum.
Agradeci a todas pela boa acolhida e elas desejaram as minhas melhoras



 
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efemero25
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