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O mundo do sr. Con - (cont)

 
Juvan enfardado na sua enorme motoca a caminho do serviço no posto medico local – é agente de saúde das antigas. Reclamou dos carregadores que se incumbiram de levar as grades a sua residência no bairro burguês do Aquiles, desde segunda-feira, inclusive um deles era Blindowski, o mais afoito e nada.
- Ei seu Hudson! Gritou o poeta ao vê-lo passar do outro lado com duas botijas com aguas.
Seu Costa, o vizinho do lado varria a sarjeta da calçada.
- Onze e vinte e dois – disse o rapaz que desceu da moto com o filhote na garupa frente a barbearia vizinha.
Um 314-Vila Embratel seguia para o centro, depois de recolher um passageiro na parada mais embaixo. Um galo longínquo. Os pequenos estudantes do colégio do América do Norte, em grupos e barulhentos.
- E ai não pratica! -ironizou o pedreiro Milson a caminho do Popular.
Um caminhão limpa-fossa. Os comensais do Popular com seus bandecos. Mãe e filha do mestre terapêutico holístico Newton. Dona Edna, a baixinha morena moradora em frente do atelier, depois de jogar a sacola na lixeira adentra e fecha a porta de alumínio.
- Seu Hudson ainda não voltou – reclamou o desconfiado Dezão – e eu tô com fome, a vista começa a escurecer. Mandei ele pegar três bandecos – porco e cozidão – Será que ele volta?
- Seu Hudson é caboco sério e certo – defendeu o sr. Com
Não demorou muito seu Hudson voltou esbaforido e os três bandecos: Poxa, entro numa fila e o cara ainda vem reclamar que eu tava demorando demais, da próxima vez – não vou mais – desabafou, todo esse esforço por uma misera dose.

Na Clinica de Especialidade, anexo ao Hospital do Itaqui Bacanga – Vila Isabel
Seu Con passou pela triagem – peso 57,40kg; Altura 1.63m e pressão 11x8 – agora espera ser chamado- ambiente tranquilo, poucos pacientes.
Plim-plom – “José de Ribamar Pinto – local: Sala de triagem” – um senhor moreno sentado na fileira da frente levanta-se e entra na sala.
Os pacientes chegando e enfileirando-se no guichê da recepção. Dois primos se encontram, ambos da mesma área do sr. Com: Vila Embratel.
- Paz do senhor. Como está, o irmão? – pergunta um senhor moreno de óculos e meio calvo ao celular, levantar-se e vai atende-lo lá fora. Uma mãe toda de vermelho leva o filhote ao banheiro masculino e o aguarda na porta.
Sr. Com apanhou um Paraiso errado – percebeu quando o mesmo entrou na avenida do jambeiro – Plim-plom “Vitorina Rangel – Local: Sala de triagem – Desceu em frente ao CEPRAMA – Madre Deus – atravessou as três faixas de pedestre da avenida e embarcou num Luis Bacelar na parada em frente.
- Retorno só as quinze horas – avisou o atendente por trás do aquário da recepção para uma senhora morena de toca e uma camiseta de uma galeteria.
Sr. Com veio apenas com o café que bebeu antes de envergar a farda de consulta – camiste polo vermelho e bermuda creme amarrotada.
Levaram-nos para a sala de espera, onde todas as cadeiras ocupadas – uma senhora gestante com os pés sob o assento, melhorar a circulação, reclama que sente formigamento nos pés. Múrmuros e vozes de celulares.
- Alguém tem um carro bege-cinza? Pergunta um senhor em pé na porta.
- Ninguém -responderam em uníssono.
- Obrigado! – e se retira.
Duas janelas envidraçadas e sem grades. Um tronco de uma palmeira. O barulho surdo dos compressores – ao meulado uma sra. Ler as mensagens no celular e o poeta Annette Hess. Uma risada vem do corredor. Um casal recém chegado mudam de lugar. Chamaram a gestante.
- Boa tarde – anuncia um senhor de manga comprida e uma caixa entrando – Eu sou trabalho em hospital – vendo capinha para todos documentos e etc e tal.
O clima tenso da espera é quebrado pelo mascate conversador oferecendo seu produtos e vendendo-os. – Na época da pandemia em eu vendi por dois reais.
Uma morena atarracada cheia de carnes e com um bundão entra silenciosamente e abanca-se mais ao fundo.
Sr. Com ficou a principio decepcionado pelo doutorzinho não tê-lo reconhecido – é o mesmo que o consultou mês atrás na Clinica dos Idosos – o próprio doutorzinho desculpou-se, alegando que atende centenas de pacientes e é difícil gravar suas feições. Olhou o laudo da tomografia e foi enfático em afirmar que as dores que sentiu atrozmente uns dias atrás não foi causado pelo nódulo no adenoide – e encaminhou para uma ressonacia.
Devolveu “Hilda Furacão” e “Mito em chamas” na biblioteca publica da Deodoro e apanhou “Ainda Estamos Aqui” do mestre Paiva, “Conto das duas Cidades” do genial Dickens e o clássico “Mrs Daloway “ da divina Virginia Wolf.
Quase meia-noite. Do arraial junino da Praça das Sete Palmeiras vem o batuque de um bom tambor de crioula:
Dale nele coreira!
Dale nele – o mesmo ritmo que seus ancestrais escravizados brincavam nas noites enluaradas nos terreiros das senzalas para atenuarem os seus sofrimentos e humilhações. A sua finada e saudosa avó paterna, Mãe Bibi gostava de mais e não perdia uma apresentação.



 
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efemero25
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