Poemas -> Reflexão : 

Filho da guerra

 
Filho da guerra, nascido entre o eco e a cinza,
Carrega no peito um tambor de despedidas,
Seus passos ainda lembram o peso das ruínas,
Mas corre, corre como quem desafia o fim,
Como quem planta futuro no chão devastado.

Ele atravessou o caminho mítico da tragédia,
Onde deuses esquecidos sussurram nomes partidos,
Onde o tempo se curva diante do sofrimento antigo,
E cada pedra guarda um grito que não morreu,
Mas dorme sob a pele da memória.

Seus olhos são mapas de incêndios e auroras,
Já viram o mundo romper-se como vidro antigo,
Mas também aprenderam a recolher a luz dispersa,
Como quem junta estrelas caídas no barro,
E as devolve ao céu com mãos feridas.

Agora corre por seus jardins inventados,
Cultivados no território secreto da esperança,
Onde flores nascem apesar do sangue enterrado,
E o vento já não carrega apenas lamentos,
Mas promessas que ainda não têm nome.

Entre árvores que não existiam antes da dor,
Ele escuta vozes que pedem para ser escritas,
Aventuras que crescem como raízes inquietas,
Histórias que insistem em atravessar o silêncio,
Como rios buscando um mar que ainda virá.

E ele escreve, mesmo correndo, com o corpo,
Com o fôlego rasgado e a coragem improvisada,
Cada passo é um verso arrancado do esquecimento,
Cada queda, um poema que se recusa a morrer,
Cada recomeço, uma nova linguagem do mundo.

Filho da guerra, agora semeador de futuros,
Carrega nos ombros o peso e a leveza do que virá,
Seus jardins não negam a tragédia que os gerou,
Mas a transformam em canto, em chama, em caminho,
Onde a vida aprende, enfim, a continuar.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 19/06/2026 10:04  Atualizado: 19/06/2026 10:04
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2322
 Re: Filho da guerra\cheiramázedo
6. Mundial


Não, agora não falo de futebol,
nem sei bem sobre o que falo.
Não tem substituições, nem intervalo,
nem acaba com um belo pôr de sol.

Em todo o lado, o fim a engole,
a sangue e podre, não me calo.
É maldita esta bala que embalo
que mais me parece ser um anzol.

O passe final não dá em golo,
os gritos ouvidos não são de festa,
não há penaltis se empatado.

Todos perdem neste triste solo,
na guerra mundial nada presta,
apenas a morte em todo o lado.

In Dez Sonetos da Guerra na Crimeia por partes

De cheiramázedo

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