Poemas : 

aqueduto

 
numa tarde de sol
na sombra da cozinha
esvazio a botija
antes de guardá-la
para o próximo inverno

paro um segundo a olhar
o lavatório que se esvazia

por que longas tubagens
passa
que esgotos vê
negra esta água
que me fez companhia
que me aproximou dos sonhos
que me recordou a avó
aquecendo as camas
de todos de mim

preservo algumas gotas
dentro da borracha cor
de rosa
não as deito ao chão
como em áfrica
aonde a água não chega
e ainda assim
se partilha com os mortos

deito-as ao cacto
que nunca precisou delas
para florescer

 
Autor
Benjamin Pó
 
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