numa tarde de sol
na sombra da cozinha
esvazio a botija
antes de guardá-la
para o próximo inverno
paro um segundo a olhar
o lavatório que se esvazia
por que longas tubagens
passa
que esgotos vê
negra esta água
que me fez companhia
que me aproximou dos sonhos
que me recordou a avó
aquecendo as camas
de todos de mim
preservo algumas gotas
dentro da borracha cor
de rosa
não as deito ao chão
como em áfrica
aonde a água não chega
e ainda assim
se partilha com os mortos
deito-as ao cacto
que nunca precisou delas
para florescer