O meu corpo é o mundo
onde a chuva bate primeiro
nas entranhas dos ossos escrevo
como quem desenterra raízes antigas
linhas duras que sustentam
o peso de todas as estações.
A minha pele nada esconde
é um oásis exposto pelo mapa do tempo
cicatrizes e rugas visíveis
circunscrevem rios vivos
por aonde ainda desliza o teu nome.
Já não há dureza nestes músculos
mas sim um cansaço visceral
afundando os pés na terra barrenta
pois sabem que esse é o seu lugar
enquanto o peito sobe e desce
num compasso eterno e poético.
E o sangue corre sem pedir licença
carregando os silêncios que a boca calou
Escrito a 05/07/26