Na enciclopédia, entre pó e alfabeto,
vive a palavra — muito online.
Dizem que a dão, sem mão, no objeto:
ela prefere legenda e headline.
É senha que abre cofre ou ventrículo
— quando a câmara está ligada.
Sem filtro, perde o título
e fica meio desconfigurada.
Passa-ma — marca-a primeiro,
não vá eu usá-la em vão.
Exige ângulo certeiro
e boa iluminação.
Seguro-a firme: faz pose.
Inclina o acento, ajeita a sílaba.
Promete sentido às doze
e, às duas, já mudou de vírgula.
Ser de poucas? Só se for tendência.
Silêncio não dá visualização.
A palavra prefere audiência
a qualquer definição.
Juro por ela — em direto.
Honra com filtro dourado.
No fim, perde o conceito
mas mantém-no enquadrado.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”
"Cuidado: esta palavra pode postar-se sozinha, nas redes sociais, porque pode parecer quieta, mas estupidamente está sempre a ensaiar, com as suas manias."