Nesta vida só e triste, sempre sozinho,
Inda cri em Deus, na igreja, no bom padre!
Às cousas que vi, não ficou saudade!
Porém homem honrado sou, mas pobrezinho!
Se houvera Deus, tinha dó de mim: coitadinho,
Aos caídos, p’ra cá e lá, no entristecer da tarde!
Roubaram-me a crença e a mocidade,
Cravando à força a mentira, ó desgraçadinho!
Leve, docemente caminhei, não fui com ela,
Seus maus agoiros, que às profundidades vão descer!
Ó Senhora minha, foi-se toda a querela;
E humilde e corajoso, em meu barquinho,
Andei p’las ondas do mar, sem medo de morrer!
Ah, e eu, que nunca tive dotes de adivinho!
Jorge Humberto
10/082026