Poemas -> Introspecção : 

Desamores

 
Desamores


Sou Cyrano, um boémio inveterado,
poeta de mil e um amores sentidos,
cavaleiro sem armas, de má-figura.
Sou Cyrano, amante do desespero,
de damas enamoradas de perigos,
em ornados e capitulares dosséis.

Se meu doce amor primeiro vivesse,
seria quiçá o terno esposo sonhado,
mas a recordação esvai-se na bruma.
Na voragem das conquistas fúteis,
meu coração se perdeu no desvario,
mares e céus naveguei, terras percorri.

Nas terras d' ébano, princesas amei,
formosas, desnudas, ninfas da noite,
Nas terras mais lusas, morenas de sol,
musas de meus sonhos mais juvenis.
Nas terras balcãs, damas de tez alva
e sorrisos de romã. Dei e mais recebi.

E mais mundo não quis, amores neguei,
fino-me no esquecimento da memória
de mim mesmo e dos pesadelos vilões.
Parto a sorrir, a máscara d' indolor,
Sem penas, culpas, remorsos tardios...
Sou Cyrano, enganador, ébrio poltrão.

Estes amores e paixões são voláteis,
rarefeitos pelas ilusões de momento,
elevam-se ufanos e ruem desfeitos.
Ao poeta boémio restam-lhe ilusões,
saudades infindas, visão de sonhos.
Sou Cyrano, jazo, no nada de mim.



Poeta sem Alma


 
Autor
Poeta.sem.Alma
 
Texto
Data
Leituras
26
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
1 pontos
1
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
DCM_1978
Publicado: 20/08/2026 16:39  Atualizado: 20/08/2026 16:39
Da casa!
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 276
 Re: Desamores
Muito bom, 🙏

Links patrocinados