Olhares
Que triste sina tem este meu olhar
Se foge do teu e já não o enxerga?
Será a vil maldição por não t’ amar
Ou cobarde que à saudade se verga?
Quem tento vislumbrar no horizonte
Foge, esconde-se de mim, decerto.
Escalo trôpego, ao cimo do monte
por veredas de paradeiro incerto.
Ah, se teu indócil olhar m' esquece
meu ser s' esvai; lentamente fenece
estirado, em perene solidão...
O amor tarda... O amor não vem!
Trepo montes e vales por ninguém
uivando aos céus raivas da negação.
Poeta sem Alma
Estilo: Soneto decassilábico (sem a regra de sílabas tónicas)