Sonetos : 

De repente, como se nada fosse

 
De repente, como se nada fosse,
Um manto de tempo por toda a terra,
Sofremos em paz a vinda da guerra,
Das luas aos sóis, sem mosto que adoce.

Retratos que às eras dei ou esboce,
Grita a memória que por mim erra,
Vivo trecho do livro que se encerra,
Num afago de brisa que vos trouxe.

E de repente passaram trinta anos,
Nos nossos rostos sulcados de enganos,
E de repente, ó Deus meu! De repente…

Sedutora essa juventude ausente,
Que em cálices de amizade pungente,
Nos reúne à mesa do sermos humanos.

26 de Maio de 2026


Viriato Samora

 
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ViriatoSamora
 
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