Sonetos : 

Na planície sopram ventos de afagos

 
Na planície sopram ventos de afagos,
Sob estrelas de olhares impotentes,
Enlevados naquelas noites quentes,
Ao longe a crença dos teus traços vagos.

Em mim pressinto os teus passos cadentes,
Causando ao escuro letais estragos,
Alma que rutilas com braços magros,
Tanta é a luz que emanas aos descrentes.

O espectro, a aparição, a epifania,
Que não ousei ver mais do que então via,
De mim se cercou e se apoderou…

E em êxtase até ao raiar do dia,
Amor que em sofreguidão se calou,
Como Ícaro, ganhou asas e voou.

10 de Julho de 2026


Viriato Samora

 
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ViriatoSamora
 
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