os incêndios
que aprendem a falar baixo
são os piores.
a madeira não estala.
a fumaça não avisa.
é a casa
que amanhece
com cheiro de ontem.
certas perdas
não levam nada.
desde então
a água não me apaga.
o vento não me leva.
atravesso os dias
como quem carrega
brasas no forro
da camisa.
ninguém vê.
mas basta uma voz
encostar
que a cinza lembra
como era
ser fogo.