DESALENTO
Quando falei de amor, me vi sozinho.
Porque teu coração nada entendia:
Éramos bons amigos — se dizia —
Desde que atravessei o teu caminho.
Mesmo assim, mil paixões em torvelinho
No brilho do olhar mal t’escondia.
Por mal dos meus pecados, todavia,
Fui tímido demais em meu carinho…
Revelado o segredo, a solidão
Parece s'espraiar qual rio manso
Pela vasta planície da ilusão.
Ainda varo noites sem descanso,
A procurar teus olhos na amplidão,
Qual lua que desejo e nunca alcanço.
Belo Horizonte - 01 11 1991
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.