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Carta 27

 
Château de Versailles, pés acurados ramificando-se no Laranjal, a acreditar que para todo Sol sempre existirá uma Lua.
Ma reine Jolie,

Saltei há três quadras daqui, na estação ferroviária de Versailles. Quando ainda estava sobre os trilhos, minhas mãos esboçaram algumas dessas alíneas. Mas, confesso, que logo que senti o toque pueril da imaginação fazendo-me cócegas em meus pensamentos, abandonei a escrita recalcada, e, tratei de alguns traços outros sobre o papel. O translado não me fora sentido, enquanto ali, sobre a tez daquela folha, pude deferir os contornos delicados do teu rosto, o expressar envolvente dos teus olhos, e, o hipnotizante sorriso que lhe brota dos lábios. Ao passo que aqueles rabiscos ganhavam forma - a tua forma - senti o descarrilar de meu coração, ritmando alvoroçado em meu peito saudoso do pender de tua fronte. Quando julguei estar, por fim, terminado aquele esboço, meus dedos se deixaram embeber do enegrecido de meu crayon, deferindo-te todos os carinhos outrora, tão de agora, ansiosamente desejados por mim. E por aqueles instantes, desejei que os minutos ganhassem a cadência lentificada das horas, e, que se aponteirassem todos eles, perfilados, um a um sobre o meu peito, tardando ainda mais o movimento de meus dedos e o findar daquela vazia viagem.

Tão breve o aportar daquele trem, encerrei teu sorriso em meu peito, e, guardei-o secretamente em minha pasta. Poderia eu ter pego uma daquelas conduções alvitrantes que se aglomeravam em busca dos olhares curiosos dos turistas, mas preferi o caminhar retalhado e o beijar frio do vento outonal em minhas faces coradas. Preferi antes, ma Jolie, tudo, resolutamente tudo, que me fizesse lembrar ainda mais de ti. Meus passos foram tomados pelas tuas asas de borboleta, que me guiaram, ruflando-me, por toda Versailles. Quando me recobrei da posse de minha consciência, já estava cá dentro, entristecendo-me o passo, ao descobrir que nenhuma daquelas 2.000 janelas se abriria a revelar teu talhe a mim. Mais algumas portas se encerraram, e, as lareiras pareciam se fomentar das chamas que me incendiavam o peito. E sob o flambar daquelas labaredas ariscas, quase pude ver-te valsando por toda Galerie des Glaces. As imagens que se formavam naqueles espelhos, refletiam as saudades que eu tinha de ti, e, que se encerravam emudecidas neste meu peito.

Não tardei a ganhar os jardins. Meus sentimentos necessitavam expandir-se, numa tentativa corajosa e desleal de ganhar e vencer as ondas do oceano, para repousar no coração de quem eu verdadeiramente amo. Aspirei do ar que provinha do Laranjal. O sol já ensaiava o seu quedar de pálpebras, enquanto imaginei o que tu estarias fazendo naquele exato momento, quando ainda o tinhas intenso e soberano, revelando ao mundo, as faces nas quais meus lábios agora desejariam repousar. Senti o peito apertar-me, o coração acelerar seu compasso. Meus olhos abrilhantavam-se, e, minha boca buscava o romper de alguma palavra que findasse aquela dor aprisionada. Quando as saudades se tornaram, enfim, incontroláveis, meus lábios se reuniram num só esforço,enquanto levei as mãos ao rosto, lançando teu nome aos ventos dos 700 hectares.

O Château de Versailles agora respira a ti. E os que por aqui deixarem seus suspiros de encanto saberão também o quanto de amor eu vivo e sinto pela minha Jolie.

Beijos apaixonados.

Do teu Secret Passionné,

Victorio Pierre.


rody

 
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rody
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