Sei.
sei, há um tempo longínquo,
além da imaginação,
onde a alma voa,
em vento puro, livre,
em busca de emoção...
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te espero
de braços abertos,
nas luzes de um céu azul,
habitáculo das estrelas,
do qual uma se desprendeu...
Vento.
O canto do vento,
doce, contido,
em seu movimento
espia saudades.
Congela o tempo,
recorda carícias,
relembra desejos,
mastigo de beijos.
Viaja meus sonhos,
confissões penitentes,
meus próprios segredos,
pecados da mente.
Amada.
na beleza e leveza
do seu corpo,
na cadência
do seu andar,
faço-me
bêbado de paixão
por um beijo seu;
conjecturo emoções...
sei,
não posso,
quero!...
sei,
não devo,
espero!....
@ENCONTRO XIII - 2.019 - Entendimento.
a luz amarelada
(do cair da tarde)
adentra o quarto,
sem permissão,
finge tingir as paredes,
acomoda-se no leito,
o ar rarefeito
do começo da noite,
dá-me a impressão
que o dia acaba
em velas terminais,
tão sem pressa...
ritual,
as almas se recolhem,
as ruas se acalmam,
os pássaros
buscam repouso,
eu, o entendimento...
Primitivo.
há velas à deriva
o mar marola
em um tempo primitivo
essencial...
desfaço na noite
o disfarce do dia
sou Ser rudimentar...
nas imagens toscas
estrelas se afogam
o segredo se esconde
o amor peregrina ...
Coleção.
nos sentimentos escritos,
de um tempo distante,
(da infância),
seleciono sonhos...
em uma estrada
desconhecida,
tempo desconhecido,
dou vida a eles...
ouso passos,
vivo (a)venturas,
alimento
encantamentos...
bebo dos sóis
que encontro,
o diurno na batalha,
o noturno no amor...
Amores dos sonhos.
não escreverei sobre amores
que tive e não me tiveram,
nem das trocas de olhares,
risos, compromissos,
não escreverei
a história das canções
a mim dedicadas
nos parques de diversão,
não escreverei sobre o perdão,
por ter furado a fila,
por pequenas traquinagens,
por ter ludibriado no jogo de bafo;
não escreverei sobre:
conhecidos, parentes,
retratos, doentes,
saudades,
escreverei, somente,
sobre os amores
dos sonhos,
amores cuidados...
Vício.
a minha escrita ainda sabe:
relatar a paixão,
descrever os sonhos,
redigir te amo,
rabiscar poemas
à tua formosura...
os meus olhos ainda sabem:
recordar teu andar,
admirar tuas ancas,
teu colo,
teus seios,
o teu todo...
a minha boca,
sem-vergonha-alguma,
ainda sabe: gritar os gritos
que gritamos juntos,
o grunhir que inventamos,
degustar o sabor do vinho
que alambicava tua tez...
comíamos um-ao-outro,
bebíamos o viço da juventude,
e m b r i a g a d a m e n t e,
um vício que perdura
nas lembranças,
que estas letras confessam...
.
@ANDEJO -ENCONTRO XIII- 2.019 - Vejo.
eu contava estrelas
brincava na luz da lua
sentava na sarjeta
rolava no chão
virava pó...
os mais velhos
conversavam
com as cadeiras
apoiadas nas paredes,
nos muros da vila...
a minha casa tinha
na calçada,
um degrau
à porta da sala,
casa e rua uma coisa só...
meu pai ficava
com seu "radinho" de pilha,
sentado no degrau da porta,
dizia ele "ouvindo o mundo"...
meu cachorro latia,
brincava, rolava,
e, cansado,
se amoitava aos
pés do meu pai...
tudo tão logo-ontem,
olho... não vejo estrelas
nem terra em minhas mãos,
vejo... saudades...
Fecundação.
o que dizer:
do céu que explode
em labaredas,
trovões,
tempestades;
da água que mata a sede,
apaga o fogo,
leva navios, sonhos
e mensageiros;
da água que inunda,
apodrece os galhos,
alimenta a era,
fecunda a terra;
será que Deus
está nervoso,
ou, demonstrando
contrariedades...