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Poemas, frases e mensagens de silva.d.c

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de silva.d.c

Interior

 
Amo, nas tardes quase noites
O teu corpo de dia, amante

Bebo como se tivesse sede
Um líquido quase dor
Mente, a sabor fresco na boca.

Não sei se o que escrevi
É o peito deserto aos olhos de não saber ler

Mas o sol diz que brilhou
Sobre a ausência do corpo depois de morrer

Mármores deitados
Sinto-me cobertores de sombra

Então adormeço a vida
E amo a dor de não te ter.
 
Interior

Às vezes sai-me a alma pela boca

 
Às vezes sai-me a alma pela boca
Mastigada, salivada
Ânsia aguda entre os dentes

Sai-me num beijo descompassada
Ou se não estás
Amargurada num poema

Nos meus amuos
Não queiras ver
Sai-me a alma pela boca
Cuspida num palavrão

Às vezes não, estou calado
E põe-se bela à janela
Num sorriso de alegria

Mas se está triste
Fica com fome de aletria
Ou de qualquer coisa muito doce
E escondida, diz-me ao ouvido
-Alegoria é uma caverna em negação
 
Às vezes sai-me a alma pela boca

Cada vez que assomo à janela

 
Cada vez que assomo à janela
E o vento bate assim, fresco na cara
Ah, sinto o meu mundo todo estremecer
Sinto um arrepio no corpo inteiro.

Das savanas de África aos néones de Tóquio
Tudo me diz quem sou e que o meu lugar é aqui
Aquilo que sei de mim e do mundo, é porque não fui, indo
É porque nunca me esqueci

Apesar de todas as viagens
Nunca chego a esquecer a transparência do que me leva

E as viagens são como o vento que bate fresco na cara
As partidas espontâneas, os percursos com todos os seus tesouros
Os regressos onde o pó do caminho se torna origem de novo

Mas cada vez que assomo à janela
É sempre aqui que me encontro, que estremeço
E tenho a certeza de fazer parte de tudo.
 
Cada vez que assomo à janela

Amanhecem Girassóis

 
Amanhecem girassóis.
Reguei a terra pela manhã
Com o sol que trazias na mala
E tu acenaste para Deus

Deus gostou de te ver
E fez amanhecer os girassóis
Aproveitei que Deus estava contente
E pedi-lhe muita madeira

Vou construir uma casa no campo
Para morar contigo no coração
Passaremos as tardes juntos
A ver o vento ir de encontro a tudo

Ao longe, na estrada
Passam as luzes de um carro velho
Anoiteceu e os girassóis amanhecem
Porque tu tens o coração cheio
E ninguém pode tirar-te esse amor
A não ser que o queiras dar

Vou plantar nuvens no quintal
Ao lado dos girassóis
Para que possas estar no céu junto a mim
E nunca mais o mundo te vai perder.
Deus disse-me que o mereces
E que gosta de ver-te a seu lado.
 
Amanhecem Girassóis

A busca inglória da felicidade nas paisagens estéreis do mundo

 
Desejar ser feliz é o caminho mais curto para a angústia. Idealizar o conceito de felicidade em algo ou em alguém é castrar a própria possibilidade de ser feliz. Quando alguém define, escolhe ou estabelece um objecto ou uma pessoa como imperativo para ser feliz, coloca-se na delicada situação de dependência externa para alcançar o fim. O simples facto de estabelecer uma meta, de definir um ponto na paisagem estéril da realidade como imperativo para atingir qualquer estado de espirito, no caso felicidade, coloca a pessoa perante a condição dual de alcançar ou não o propósito desejado, e a partir desse momento, depende da dualidade em que se encontra e tem a sua acção também condicionada. É, assim, quando ajustada ao propósito, o desejo de felicidade, que a própria manifestação existencial se castra da sua expressão natural e livre, ou seja, do objectivo da felicidade materializado em algo externo ou colado a alguém, resulta apenas uma busca inglória destinada ao fracasso. Isto acontece porque, ao se impor um estado de espirito à natureza humana, anula-se a própria natureza humana pela determinação consciente de que, o objectivo, está ao alcance da busca. Colar o conceito "felicidade" a algo ou a alguém, é anular o controlo que se detém sobre a existência e sobre a felicidade, pois esse controlo fica delegado a entidades exteriores que não podem ser controladas. A felicidade esconde-se nas coisas simples, resume-se à existência, ao universo de cada homem e das suas escolhas. O aceitar a existência, a vida, a morte, aceitar o caminho, o chão, a linha continua da alma, e fazer tudo isto sozinho. Aceitar a felicidade, aprender a aceitar, é escolher ser feliz. É tornar-se aquilo que se já é.
Nada se realiza sem a fundação sólida da base. Nada se forma a não ser da essência do que já é e da do que se quer formar. O próximo segundo é a continuação do actual, a realização assumida do que ainda não aconteceu. A busca inglória da felicidade nas paisagens estéreis do mundo.
 
A busca inglória da felicidade nas paisagens estéreis do mundo

Ants

 
Hoje estou cansado
Dói-me o corpo da realidade compressora sobre a carne
E dói-me a cabeça com o peso destes pensamentos sólidos.
Estou cansado
Não pelo que fiz hoje
Mas pelo que tenho agendado para fazer amanhã.

Se soubesse que ia morrer esta noite
Decerto andaria folgado e leve
Por não ter o que fazer amanhã.
O que me cansa são os dias programados
A repetição no pensamento, antes da repetição dos dias
E cansa-me mais a certeza de pensar nisto
Do que tudo o que tenho para fazer e sei que não farei
E esta certeza magoa-me o corpo como culpa de faltar com a vida.

Quisera o destino que fosse humano
E que tivesse pensamentos sólidos
Sobre qualquer coisa que cheira a céu e a divino
Quando deveria ser formiga, feliz por não pensar repetições
E por andar sempre junto à terra.

Ando farto de ser deus do meu destino por cumprir.

Hoje estou cansado da realidade de não ser formiga.
Estou sentado numa cadeira a ver formigas
A passarem encarreiradas na labuta automática de não pensarem amanhã
Nem no segundo seguinte, nem na morte a consumir-lhes o tempo.

Estou sentado na cadeira que me persegue para onde eu for
E cansado de fugir dela
Cansado de ser eu e ter pensamentos sólidos
Agarrado à vida e a coisas vagas como amanhãs com cheiro de morte.
Cansado
De ver formigas.
 
Ants

A água cai e fertiliza a terra

 
A água cai e fertiliza a terra sem explicar como nem porquê
Assim nasce uma vida enquanto realizo o mundo inteiro
E sinto na planta dos pés esta verdade universal

Nos primeiros passos que dou a descobri o passar das horas
A imaginar o passar dos dias e a inventar o passar dos anos
Vivendo breves metamorfoses
Numa directa existência rumo a um vazio memorável

Do nada nascem poemas
E nascem jardins entre prisões
Da liberdade nasce uma brisa que suave me toca o corpo.

Vivo breves metamorfoses sem me conhecer
Vivo outra vez
Mas estranho-me sempre nas úlceras do tempo.

A água cai e fertiliza a terra sem explicar como nem porquê
Nascem jardins entre prisões enquanto realizo uma dor.
Quero-me através do tempo como se fosse hoje falar de mim
Para não me esquecer que vivi.
 
A água cai e fertiliza a terra

O vento amaina

 
O vento amaina cansado.
Nasceu no quarto negro do universo
E veio passear à terra
Conhecer as curvas do mundo

O vento toca a textura das folhas
A pele dos frutos
A ondulação do mar
A espessura dos cabelos das pessoas
Toca o limite das coisas por ir contra tudo
Sem limite, nem forma

O vento é o grito de um deus cego
Com a diversidade do mundo agarrada à garganta
Não faz distinção
De espécie
De cor
De sexo
De raça
Toca o limite das coisas e vai contra tudo

O vento amaina cansado nos cantos do corpo
Sem voz na rouquidão dos homens
Perde força
Natureza
Sentimento.
O vento amaina
Nas ruas de uma cidade
Contra esquinas, esquadrias e cimento.
 
O vento amaina

Pensão barata

 
O que me aborrece na vida
É ser distraído por medos e dúvidas
Com pensamentos baratos e despropositados

O medo de ser é uma pensão barata
Onde mora o outro, inquilino vitalício
E a dúvida, uma teoria despropositada
Com a qual entretém a existência.
 
Pensão barata

A minha segurança está em ser sem defesas. - UCEM

 
"O mundo não oferece segurança. (...) O mundo faz surgir apenas defensividade. Pois a ameaça traz a raiva, a raiva faz com que o ataque pareça razoável, honestamente provocado e justo em nome da autodefesa. Entretanto, a defensividade é uma ameaça dupla. Pois ela testemunha a fraqueza e estabelece um sistema de defesa que não pode funcionar (...) A mente está agora confusa e não sabe para onde se voltar para achar um modo de escapar das suas fantasias (...) É como se ela estivesse apertada dentro de um círculo, no qual houvesse outro círculo que a mantivesse presa e ainda um outro dentro desse, até que não seja mais possível escapar nem ter esperanças de fazê-lo. Ataque, defesa; defesa, ataque, vêm a ser os círculos das horas e dos dias que amarram a mente (...) As defesas são o preço mais alto que o ego quer extorquir. Nelas reside a loucura, sob uma forma tão miserável que a esperança da sanidade parece ser apenas um sonho vão, além do possível. O senso de ameaça que o mundo encoraja é tão mais profundo e tão além do que podes conceber em termos de loucura e intensidade, que não tens idéia de toda a devastação que isso tem forjado (...) Tu és seu escravo. Não sabes o que fazes por medo disso (...) Ser sem defesas é força (...) Aquele que é sem defesas não pode ser atacado, porque reconhece uma força tão grande que o ataque é loucura ou um jogo tolo que uma criança cansada poderia jogar quando fica sonolenta demais para lembrar-se do que quer. Defensividade é fraqueza (...) Hoje, não brincaremos com tais jogos infantis. Pois o nosso propósito verdadeiro é o de salvar o mundo e não queremos trocar por tolices a infinita alegria que a nossa função nos oferece. Não queremos deixar a nossa felicidade nos escapar porque um fragmento de um sonho insensato atravessou por acaso as nossas mentes (...) Hoje olhamos para o que vem depois dos sonhos e reconhecemos que não precisamos de defesas porque fomos criados inatacáveis, sem qualquer pensamento, desejo ou sonho no qual o ataque tenha qualquer significado. Agora não podemos ter medo, pois deixamos todos os pensamentos amedrontadores para trás. E, sendo sem defesas estamos seguros..."

notas:
- este texto faz parte do livro UCEM...excertos retirados da net

- do original "ACIM - Foundation for Inner Peace"
 
A minha segurança está em ser sem defesas. - UCEM

Podia chover à tua porta

 
Nesta cimeira de nuvens, podia chover à tua porta

Inexplicável, o silêncio avança em nós devagar
Lentamente suspende as mãos despidas, de lágrimas
Como por magia revela um adeus entre fios de luar

E balança, à tua porta, balança à tua porta, balança

Estranho este constante sentimento de perda.
São nuvens sem chuva preenchendo o céu de cinzento
Vêm vazias, mostram-se frias e afastam-se

Como todas as despedidas sem palavras.
 
Podia chover à tua porta

Fortuna

 
Os anos passaram e tive a sorte de envelhecer muito depressa
De ficar velho ainda novo
A tempo de voltar a ser criança
Um pouco antes de ficar velho.
 
Fortuna

Forma de cair

 
Não há outra forma de cair
Senão a forma que a vida mostra
Nem outra maneira de viver
Do que aquela que cair ensina
Quem isto entende, tem como endireitar as costas
Seguir em frente e levantar a cabeça
Porque depois da queda, o momento em que ergue o corpo
É todo força, movimento e vida

Não se pode viver curvado
Com uma visão deformada das coisas
Abrir os olhos ao acordar, é natural até morrer
Mas acordar não é viver
Nascer é estar vivo, até porque nascer todo o homem nasce
Só que estar vivo não é viver

Viver é movimento somado à vida, à existência
É atrito, é sentimento, é uma química que acontece na alma
De alguém que cai e depois se levanta
E sem mágoa, cresce pelas cicatrizes do corpo
Para elevar o patamar do mundo.
 
Forma de cair

Alguém inventou a luz

 
No início não havia o nada
Estava lá tudo
O verbo
O fogo, o ar, a água e a terra
Até os homens

Havia silêncio
E o verbo era respeito
Escuridão
E os homens eram um só
De mãos dadas
Para não caírem no tudo

Depois alguém inventou a luz
E acendeu-a
Sobre todas as coisas
Sobre todos os seres
Até sobre os homens

Então os homens puderam ver o horizonte
Abraçaram o desejo de tudo
E afastaram-se do mundo

Transformaram o fogo
O ar, a água e a terra
Até outros homens
Em verbo maltratado

E o nada nasceu
No coração dos homens.
 
Alguém inventou a luz

Cabem no meu corpo todos os rios do mundo

 
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Trago-os nos sulcos da pele, como vida nas mãos
Com os que já morreram e com os que em mim ainda irão nascer

E tocando-lhes, percorro-os com os dedos
Seguindo novos caminhos, novos sentidos
Pois cada ruga da minha pele é água e terra
É corrente e paisagem da vida que vivi

Sinto-lhes o norte, o sul, e sei para onde vou

Assim será até ao dia que morrer, e se entretanto me olharem
Se de mim falarem, não digam que sou velho
Digam antes que sou, um coleccionador de rios.
 
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo

Céu distante

 
Saíste
Sem avisar
E a tua ausência espalhou-se pela casa
Como um manto de horas longas
Cobrindo tudo o que breve foi nosso

As petúnias que cuidavas, perguntaram ontem por ti
Disse que voltavas hoje para jantar
Menti-lhes

Guardei
Sem pensar
A saudade dobrada em dois
Naquela coisa brilhante que prende os guardanapos
E deixei-a entre os dois copos
Postos sobre a mesa

Nos fragmentos daquele dia claro de Abril
Ainda és mulher e fogo em mim
És Sol, num céu distante, sem ocaso
E do intervalo que se impôs, és o adeus do meu fracasso

Não sei bem porque quero que voltes
Se é porque ainda te amo do fundo das entranhas
À superfície das linhas deixadas nesta folha
Ou se porque o meu fígado não aguenta mais a tua ausência

Na dúvida trago à noite mais um copo que bebo até ao fim
E sinto o teu ar espalhado pela sala
Onde ainda és a mulher, o fogo e a musa em mim.
 
Céu distante

Império

 
Império só, embrenho no mistério desse reino longínquo, impossível de conquistar.
Este mistério é o manto com que deus se cobre de noite para não ter frio enquanto dorme, deitado na relva do seu jardim.
Porque deus é tudo o que existe entre a terra e o céu.
Vago reino impenetrável de candeias acesas em procissão, marcha lentíssima que enfeita de luzes o céu e de ilusão a minha alma, roubando-a para a segurança dos seus portões.
Sinto, imaginando-o, como a única realidade de o sentir. E se por ventura consigo senti-lo real, sinto-o por fora da alma, como se tivesse outro corpo.
Porque este reino de mistério é de ilusão e a minha alma real.
 
Império

19.06.16

 
enquanto existimos somos tão pouco, somos apenas um pouco mais do que nada, e isso é ser muito...somos o aroma que a nossa essência liberta em comunhão com o mundo...tocamos, sem realmente tocar, somos tocados, sem verdadeiramente o sermos, estendemo-nos fora de nós e do limite do que é físico, chegamos além do que compreendemos e a este alcance, chamamos sentimentos...somos o aprendizado que deixamos, o compêndio final do que fomos e que ficará no tempo, para ser lido quando não precisarmos dos olhos para ver...estamos e permanecemos agarrados à hipótese de existir sem nunca a experimentarmos, sem nunca nos testarmos por dentro...fora ela, a hipótese, somos tudo, tudo o que está fora da consciência da nossa acção e do seu alcance, todos a quem o aroma da nossa essência envolve e nos são perfeitos desconhecidos, o tudo que somos e não entendemos, e que só entenderemos, quando suprimirmos este desejo de ser a qualquer custo que nos cega o coração.
 
19.06.16

É possível ler a paisagem

 
A linguagem da terra é simples
É possível descodificar o prodígio da natureza
Apenas ao ler a paisagem
E espalhar no mundo a paz desta conquista

Mas, há o espelho que faz guerra à realidade
E, se reflecte ao mundo a minha imagem
Que sendo parte, também é ego e fera e falha
Traz à tona um ser que não tem alma

É possível ler, em silêncio, a paisagem
Calar o ego, acalmar a fera sem quebrar o espelho
E assim, trazer de volta ao peito a natureza
E o prodígio renasce, devolvendo-me ao corpo a alma.
 
É possível ler a paisagem

De frente para o amor

 
Não deixes
Que te convença

Não te demovas
Por mim
Ou por alguém

Finca os pés na terra plana com aquele sentimento luminoso
Com o brilho que tinhas nos olhos quando eras criança
Agarra-te à convicção como se fosse uma nuvem preciosa
Só tua, guarda-a e não a deixes escapar
Faz como os postes elétricos cravados no chão
Que se agarram aos cabos, à energia que por eles flui
E jamais os largam
Deixa que seja este o teu propósito.

Não te apresses
Mastiga o tempo devagar
Define-te primeiro
Antes de mim
Antes de todos
E digere-te

Depois
Não te demores
Que o vento não espera pela ave
E os girassóis não querem saber das sombras
Não percas tempo com as sombras que a vida tem
O momento é o sol, encara-o
Sempre
De frente

E não tentes convencer-me
Que isto que digo é verdadeiro
Não acredites no que falo
Pois já nem eu acredito nos pensamentos que tenho
Nas filosofias trabalhosas e elaboradas
Que causam cãibras às sensações e adormecem os sentidos.

Não se devia poder estar vivo sem sentimentos
Nem ser filósofo, nem ser poeta.
É de uma inutilidade extrema
Quando um poeta escreve poemas de amor como este
Porque os poetas apenas devem escrever sobre temas profundos
Em verborreias racionais e lógicas sobre a realidade
E depois, cansados da lucidez de estar no mundo
Sem filtros, sem sonhos
Sem um beijo de língua, sem uns amassos num vão de escada de madrugada
Secam por dentro e sem inspiração, deixam de escrever poesia
Ficam insensíveis e tornam-se filósofos.

Acredita amor
No amor que sentes
Mas ama-te primeiro e ama-me só depois
Como eu sempre te amei
E ama, então, depois os outros

Mas, se descobrires
Meu amor
Que existem mundos
Dentro de mundos
Ficarás a entender
Que dentro de cada mundo que existe dentro de nós
Há um prato de caracóis e umas minis geladas
Há um fim da tarde, no tasco do Xico à esplanada
Onde, de mão dada, vemos juntos o benfica.
 
De frente para o amor

Viver é sair para a rua de manhã, aprender a amar e à noite voltar para casa.