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Poemas, frases e mensagens de silva.d.c

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de silva.d.c

Às vezes sai-me a alma pela boca

 
Às vezes sai-me a alma pela boca
Mastigada, salivada
Ânsia aguda entre os dentes

Sai-me num beijo descompassada
Ou se não estás
Amargurada num poema

Nos meus amuos
Não queiras ver
Sai-me a alma pela boca
Cuspida num palavrão

Às vezes não, estou calado
E põe-se bela à janela
Num sorriso de alegria

Mas se está triste
Fica com fome de aletria
Ou de qualquer coisa muito doce
E escondida, diz-me ao ouvido
-Alegoria é uma caverna em negação
 
Às vezes sai-me a alma pela boca

É possível ler a paisagem

 
A linguagem da terra é simples
É possível descodificar o prodígio da natureza
Apenas ao ler a paisagem
E espalhar no mundo a paz desta conquista

Mas, há o espelho que faz guerra à realidade
E, se reflecte ao mundo a minha imagem
Que sendo parte, também é ego e fera e falha
Traz à tona um ser que não tem alma

É possível ler, em silêncio, a paisagem
Calar o ego, acalmar a fera sem quebrar o espelho
E assim, trazer de volta ao peito a natureza
E o prodígio renasce, devolvendo-me ao corpo a alma.
 
É possível ler a paisagem

Fortuna

 
Os anos passaram e tive a sorte de envelhecer muito depressa
De ficar velho ainda novo
A tempo de voltar a ser criança
Um pouco antes de ficar velho.
 
Fortuna

Forma de cair

 
Não há outra forma de cair
Senão a forma que a vida mostra
Nem outra maneira de viver
Do que aquela que cair ensina
Quem isto entende, tem como endireitar as costas
Seguir em frente e levantar a cabeça
Porque depois da queda, o momento em que ergue o corpo
É todo força, movimento e vida

Não se pode viver curvado
Com uma visão deformada das coisas
Abrir os olhos ao acordar, é natural até morrer
Mas acordar não é viver
Nascer é estar vivo, até porque nascer todo o homem nasce
Só que estar vivo não é viver

Viver é movimento somado à vida, à existência
É atrito, é sentimento, é uma química que acontece na alma
De alguém que cai e depois se levanta
E sem mágoa, cresce pelas cicatrizes do corpo
Para elevar o patamar do mundo.
 
Forma de cair

Alguém inventou a luz

 
No início não havia o nada
Estava lá tudo
O verbo
O fogo, o ar, a água e a terra
Até os homens

Havia silêncio
E o verbo era respeito
Escuridão
E os homens eram um só
De mãos dadas
Para não caírem no tudo

Depois alguém inventou a luz
E acendeu-a
Sobre todas as coisas
Sobre todos os seres
Até sobre os homens

Então os homens puderam ver o horizonte
Abraçaram o desejo de tudo
E afastaram-se do mundo

Transformaram o fogo
O ar, a água e a terra
Até outros homens
Em verbo maltratado

E o nada nasceu
No coração dos homens.
 
Alguém inventou a luz

Escala de grandeza aplicada ao peido

 
Se, eventualmente numa escala de grandeza, qualquer coisa ou pessoa for considerada grande por muitas pessoas pequenas, estará sempre num patamar inferior, a uma outra coisa ou pessoa considerada grande por um menor número de pessoas grandes.

A nota do actor:
Não é preciso ser grande para dar um peido grande, no entanto, e mesmo não sendo o peido nosso, é preciso ter alguma grandeza para sorrir, quando todos os outros se queixam do cheiro a merda.
 
Escala de grandeza aplicada ao peido

Nos ciclos

 
Nos
Ciclos

A primavera é um arvoredo
Que colhe pássaros e vida ao céu
Com ramos atulhados de verde
E sol por dias e dias de outono
Que passam depois indiferentes
Em asas de inverno
E, um raio de luz matinal
Ainda não fez esquecer o verão
Já a lua se deita ao lado da dor
A compressa ao peito
Cheia de vida, cheia de pressa
Imensa, efémera
Breve, tão permanente

Morro
Eu.
 
Nos ciclos

Assim amanheceu

 
Tão perto, noite de sentidos
Adormecendo o mar por dentro
Com um canto doce, que encanta
Ela, a noite dança

Ah, como dança, e passa

A onda vem, espreguiçando o sol pela manhã
E tudo vê, tudo sente
Acordando o mar inteiro

Assim amanheceu
Mesmo diante dos meus olhos.
 
Assim amanheceu

A água cai e fertiliza a terra

 
A água cai e fertiliza a terra sem explicar como nem porquê
Assim nasce uma vida enquanto realizo o mundo inteiro
E sinto na planta dos pés esta verdade universal

Nos primeiros passos que dou a descobri o passar das horas
A imaginar o passar dos dias e a inventar o passar dos anos
Vivendo breves metamorfoses
Numa directa existência rumo a um vazio memorável

Do nada nascem poemas
E nascem jardins entre prisões
Da liberdade nasce uma brisa que suave me toca o corpo.

Vivo breves metamorfoses sem me conhecer
Vivo outra vez
Mas estranho-me sempre nas úlceras do tempo.

A água cai e fertiliza a terra sem explicar como nem porquê
Nascem jardins entre prisões enquanto realizo uma dor.
Quero-me através do tempo como se fosse hoje falar de mim
Para não me esquecer que vivi.
 
A água cai e fertiliza a terra

Império

 
Império só, embrenho no mistério desse reino longínquo, impossível de conquistar.
Este mistério é o manto com que deus se cobre de noite para não ter frio enquanto dorme, deitado na relva do seu jardim. Porque deus é tudo o que existe entre a terra e o céu.
Vago reino impenetrável de candeias acesas em procissão, marcha lentissima que enfeita de luzes o céu e de ilusão a minha alma, roubando-a para a segurança dos seus portões.
Sinto, imaginando-o, como a única realidade de o sentir. E se por ventura consigo senti-lo real, sinto-o por fora da alma, como se tivesse outro corpo. Porque este reino de mistério é de ilusão e a minha alma real.
 
Império

Interior

 
Amo, nas tardes quase noites
O teu corpo de dia, amante

Bebo como se tivesse sede
Um líquido quase dor
Mente, a sabor fresco na boca.

Não sei se o que escrevi
É o peito deserto aos olhos de não saber ler

Mas o sol diz que brilhou
Sobre a ausência do corpo depois de morrer

Mármores deitados
Sinto-me cobertores de sombra

Então adormeço a vida
E amo a dor de não te ter.
 
Interior

Sobre o poema

 
1.
"Há já muito tempo que não escrevo um poema"
E não me tem feito falta alguma
Tenho acumulado, neste bloqueio de estro, dias vazios
Leveza nos ossos, espasmos no tempo e folhas em branco
E já são tantas
Que podiam causar-me diferença
Nos braços cruzados sobre a barriga à míngua de letras
Ou na fome de as escrever
Sobre qualquer coisa muito açucarada.

Quando o tédio da vida corre diabético nas veias
O melhor é não escrever indigestões
E adoptar uma dieta de versos.

"Há já muito tempo que não escrevo um poema"
Tenho acumulado folhas em branco
E dias vazios, imaculados
E são tantos
Que se os escrevesse agora, já fora de prazo
Tinha de joga-los no lixo com as letras amarrotadas
Impróprios ao consumo de quem têm muito apetite.
O tempo faz destas coisas à vida e ao poema também.

2.
O poema não quer saber da poesia para nada
Nem do poeta que o escreve
Assim que nasce emancipa-se, corta os laços da filiação
E tenta encontrar um lugar no mundo
Visibilidade, espaço, com sorte, fama

O poeta erra ao querer defender o poema
Ao tomar-lhe as dores
Ao querer tutela-lo até ao último dia que vive
E depois, quando morre
O poeta espera que o poema lhe vá levar flores à campa
E que não deixe esquecerem-lhe o nome

O poeta erra por pretensão
Porque quer brilhar mais que o poema
Mas o poema, órfão por opção, não se importa
Pois sabe que não está nas mãos do poeta
Ser adoptado pelo mundo ou não.

3.
O pensamento maltrata o poema
Tortura a palavra
Intelectualiza, à força, a ideia
Que era simples e pura
Formosa e sem forma
Tornando-a mecânica e dura

[Estende-se com lógica pela linha do verso
E mata a rima]

Então, o poema mente, por vezes
Outras, assume o pecado
Mas nunca se rende
Nunca recua na folha vazia
E no fim, aos olhos de todos
Depõe feito réu
E é declarado culpado.
 
Sobre o poema

Cada vez que assomo à janela

 
Cada vez que assomo à janela
E o vento bate assim, fresco na cara
Ah, sinto o meu mundo todo estremecer
Sinto um arrepio no corpo inteiro.

Das savanas de África aos néones de Tóquio
Tudo me diz quem sou e que o meu lugar é aqui
Aquilo que sei de mim e do mundo, é porque não fui, indo
É porque nunca me esqueci

Apesar de todas as viagens
Nunca chego a esquecer a transparência do que me leva

E as viagens são como o vento que bate fresco na cara
As partidas espontâneas, os percursos com todos os seus tesouros
Os regressos onde o pó do caminho se torna origem de novo

Mas cada vez que assomo à janela
É sempre aqui que me encontro, que estremeço
E tenho a certeza de fazer parte de tudo.
 
Cada vez que assomo à janela

A minha segurança está em ser sem defesas. - UCEM

 
"O mundo não oferece segurança. (...) O mundo faz surgir apenas defensividade. Pois a ameaça traz a raiva, a raiva faz com que o ataque pareça razoável, honestamente provocado e justo em nome da autodefesa. Entretanto, a defensividade é uma ameaça dupla. Pois ela testemunha a fraqueza e estabelece um sistema de defesa que não pode funcionar (...) A mente está agora confusa e não sabe para onde se voltar para achar um modo de escapar das suas fantasias (...) É como se ela estivesse apertada dentro de um círculo, no qual houvesse outro círculo que a mantivesse presa e ainda um outro dentro desse, até que não seja mais possível escapar nem ter esperanças de fazê-lo. Ataque, defesa; defesa, ataque, vêm a ser os círculos das horas e dos dias que amarram a mente (...) As defesas são o preço mais alto que o ego quer extorquir. Nelas reside a loucura, sob uma forma tão miserável que a esperança da sanidade parece ser apenas um sonho vão, além do possível. O senso de ameaça que o mundo encoraja é tão mais profundo e tão além do que podes conceber em termos de loucura e intensidade, que não tens idéia de toda a devastação que isso tem forjado (...) Tu és seu escravo. Não sabes o que fazes por medo disso (...) Ser sem defesas é força (...) Aquele que é sem defesas não pode ser atacado, porque reconhece uma força tão grande que o ataque é loucura ou um jogo tolo que uma criança cansada poderia jogar quando fica sonolenta demais para lembrar-se do que quer. Defensividade é fraqueza (...) Hoje, não brincaremos com tais jogos infantis. Pois o nosso propósito verdadeiro é o de salvar o mundo e não queremos trocar por tolices a infinita alegria que a nossa função nos oferece. Não queremos deixar a nossa felicidade nos escapar porque um fragmento de um sonho insensato atravessou por acaso as nossas mentes (...) Hoje olhamos para o que vem depois dos sonhos e reconhecemos que não precisamos de defesas porque fomos criados inatacáveis, sem qualquer pensamento, desejo ou sonho no qual o ataque tenha qualquer significado. Agora não podemos ter medo, pois deixamos todos os pensamentos amedrontadores para trás. E, sendo sem defesas estamos seguros..."

notas:
- este texto faz parte do livro UCEM...excertos retirados da net

- do original "ACIM - Foundation for Inner Peace"
 
A minha segurança está em ser sem defesas. - UCEM

A busca inglória da felicidade nas paisagens estéreis do mundo

 
Desejar ser feliz é o caminho mais curto para a angústia. Idealizar o conceito de felicidade em algo ou em alguém é castrar a própria possibilidade de ser feliz. Quando alguém define, escolhe ou estabelece um objecto ou uma pessoa como imperativo para ser feliz, coloca-se na delicada situação de dependência externa para alcançar o fim. O simples facto de estabelecer uma meta, de definir um ponto na paisagem estéril da realidade como imperativo para atingir qualquer estado de espirito, no caso felicidade, coloca a pessoa perante a condição dual de alcançar ou não o propósito desejado, e a partir desse momento, depende da dualidade em que se encontra e tem a sua acção também condicionada. É, assim, quando ajustada ao propósito, o desejo de felicidade, que a própria manifestação existencial se castra da sua expressão natural e livre, ou seja, do objectivo da felicidade materializado em algo externo ou colado a alguém, resulta apenas uma busca inglória destinada ao fracasso. Isto acontece porque, ao se impor um estado de espirito à natureza humana, anula-se a própria natureza humana pela determinação consciente de que, o objectivo, está ao alcance da busca. Colar o conceito "felicidade" a algo ou a alguém, é anular o controlo que se detém sobre a existência e sobre a felicidade, pois esse controlo fica delegado a entidades exteriores que não podem ser controladas. A felicidade esconde-se nas coisas simples, resume-se à existência, ao universo de cada homem e das suas escolhas. O aceitar a existência, a vida, a morte, aceitar o caminho, o chão, a linha continua da alma, e fazer tudo isto sozinho. Aceitar a felicidade, aprender a aceitar, é escolher ser feliz. É tornar-se aquilo que se já é.
Nada se realiza sem a fundação sólida da base. Nada se forma a não ser da essência do que já é e da do que se quer formar. O próximo segundo é a continuação do actual, a realização assumida do que ainda não aconteceu. A busca inglória da felicidade nas paisagens estéreis do mundo.
 
A busca inglória da felicidade nas paisagens estéreis do mundo

Hoje, a espera

 
Sou um esboço daquilo que planeei ser
Um projecto adiado, a espera, uma folha amarrotada
Largada no chão.

Hoje, espero mais um pouco

Sem forma concreta, vou deformando os dias
Saltando metas, esperando, adiando prazos definidos
Na esperança de um dia me definir

E espero mais um pouco, só mais um pouco
Por esse dia que ainda há-de vir.

Hoje, a espera.
 
Hoje, a espera

Cabem no meu corpo todos os rios do mundo

 
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Trago-os nos sulcos da pele, como vida nas mãos
Com os que já morreram e com os que em mim ainda irão nascer

E tocando-lhes, percorro-os com os dedos
Seguindo novos caminhos, novos sentidos
Pois cada ruga da minha pele é água e terra
É corrente e paisagem da vida que vivi

Sinto-lhes o norte, o sul, e sei para onde vou

Assim será até ao dia que morrer, e se entretanto me olharem
Se de mim falarem, não digam que sou velho
Digam antes que sou, um coleccionador de rios.
 
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo

Esclarecimento

 
Se alguém percebe de alguma coisa, sou eu.
Falo com a mesma propriedade no pôr-do-sol de Marrocos
Como no pôr-do-sol da minha aldeia
E sei bem que são diferentes
Como sei, que as diferenças são todas minhas.

É também assim que me vejo
Vaga sentença à espera de uma confirmação qualquer
Consciente que o meu entendimento sobre o sujeito
É tão vago como a percepção que tenho do mundo
Ciente que as minhas dúvidas
São eus diferentes de mim
Vagamente esclarecidos sobre tudo aquilo que sou.
 
Esclarecimento

Os génios

 
Todos nós, ao longo da história, identificamos ou reconhecemos personalidades geniais, que de alguma forma e em determinado momento das suas vidas contribuíram com ideias, descobertas e visões para o avanço e desenvolvimento da humanidade.
Steve Jobs, Bill Gates, Albert Einstein, Nikola Tesla, Thomas Edison, Charles Darwin, Beethoven, Henry Ford, Louis Pasteur, Alberto Santos Dumont, Leonardo da Vinci, entre muitos outros, influenciaram com a sua genialidade, o curso da história e consequentemente, melhoraram com as suas descobertas a qualidade das nossas vidas.

Se por um lado, cada vez que ligamos comodamente o nosso portátil, não sentimos de imediato a influência de Jobs ou de Gates nessa acção, por outro, sequer imaginamos a vida sem essa possibilidade. Ou seja, as visões de Gates e de Jobs tornaram-se absolutas no nosso subconsciente, tão certas como o nascer do sol, tão reais como o computador em si, tão intemporais como o próprio tempo.
Mas, e se de alguma forma, estes génios não chegassem durante o curso das suas vidas, a realizar os seus notáveis feitos, ficaria a humanidade, órfã dessas descobertas para todo o sempre?
Por exemplo, vamos tragicamente supor, que o Sr.Pasteur antes de descobrir o método de pasteurização, certa noite ao deitar-se bebe um copo de leite, adoecendo e padecendo pouco tempo depois da maleita que contraíra, jamais chegando a desenvolver o tal processo que viria a garantir à humanidade beber leite em segurança. Será que este suposto acontecimento influenciaria a história de tal maneira, que, até nos dias de hoje beber um copo de leite seria como jogar na roleta russa, ou, eventualmente, a ideia da pasteurização, surgiria na cabeça de um outro génio emergente, e tomaria o seu lugar no subconsciente da humanidade, encaminhando a história para o seu curso “natural”?

Estará a evolução da humanidade refém das conjecturas de vida dos supostos génios ou trabalha de forma independente delas?
A meu ver, tudo está já definido numa certa realidade, todos os timings já marcados, toda a história escrita e revista, tudo armazenado talvez em forma de energia nalguma dimensão transversal a todos os universos, ou simplesmente flutuando no ar, sendo esta informação libertada seguindo uma agenda pré-determinada pelo próprio ciclo dos universos e disponibilizada no éter para quem conseguir ou tiver capacidade de a ela aceder, alguém que seja génio portanto e contribua com o seu rasgo para a integração e para a evolução da humanidade no ciclo, no fluxo energético do qual fazemos e somos parte, ainda que ínfima.

Não serão os génios pessoas comuns, que num acesso de inspiração, conseguem entrar num estado alterado de consciência e aceder à informação que circula numa determinada altura no fluxo energético universal?
Não será possível que outras pessoas tenham os mesmos rasgos de inspiração e acedam no mesmo momento a essa informação?
Não só é possível como de facto acontece e não poucas vezes, pessoas diferentes, em lugares diferentes fazem descobertas idênticas, em idênticos momentos, sendo considerado génio o que realmente regista ou divulga a descoberta primeiro, nalguns casos, uma diferença de 10 minutos pode distinguir o génio do comum mortal.

Nós, portugueses, temos uma frase que descreve bem aquilo com o que eu acabei de vos maçar, e passo a citar “as ideias ainda vêm no ar e eu já estou a agarrá-las”, ou dito de outra forma, as ideias andam no ar e génio, é aquele que as agarra antes dos outros.
 
Os génios

Metamorfose

 
É o meu pensamento que cria e oferece sentido aos dias.
Isto pode parecer uma ideia irracional e tola
Mas ao dia, sucede a noite e à noite, um novo dia
E esta sucessão serve-me como prova, ainda que relativa.
Criei tudo o que foi criado e visto no mundo
E já imaginei tudo que ainda não se realizou
Se existe terra e mar, por exemplo
É porque moldei a terra e o mar em toda a extensão da mente
Sem nunca ter pisado nela, sem nunca me ter molhado nele
E nada ficou ao acaso, nada foi desconsiderado
Pois sou deus, pensamento
Senhor das limitações materiais.

O meu universo é uma totalidade cósmica acidental
Onde criei um mundo para morar igual à minha casa corpo
Porque o meu corpo é a minha casa
E nele existem pessoas que são pessoas crianças
Mágicas e eternas
Que conservam o dom da criação e imaginam mundos
Criativos e únicos como elas o são.

É a minha vida que dá vida ao mundo
Cada vez que abro os olhos
A vida transcende-me e permeia todos os mundos
Todas as pessoas
Tornando-me o deus das nossas limitações terrenas.
Metamorfose
Agora pensamento
Depois, existência.
 
Metamorfose

Viver é sair para a rua de manhã, aprender a amar e à noite voltar para casa.