Saudade
Rola feliz a lágrima presa
Vai no caminho da liberdade
Me tocando os lábios
que sonham,
gritam
e guardam beijos
Calam e esperam
e morrem de saudade.
Abraça feliz a lágrima que rola
Coração que bate e chama por meu amor.
Se ao menos pudesse minha boca pedir
que a lágrima trouxesse um beijo seu.
Choraria as lágrimas deste mundo inteiro
só para sentir o seu beijo primeiro.
Rola feliz a lágrima presa
Vai no caminho da liberdade
Toca ao de leve o desejo de meu amor.
Desperta em mim uma louca saudade.
Minhas saudades
Matar assim essa sede.
Matar assim essa dor.
Enganar assim a saudade.
Eu não. Não bebo.
Mas sorvo e engulo as lágrimas,
mastigo as perdas, vazios, memórias.
Me sirvo nesse banquete de ausências,
prazeres experimentados,
loucuras, riscos, tentativas e tentações,
ousadias, paixões, sentidos,
visões, posse, paz, amores, lembranças,
tempos abençoados;
e me embriago nessa comemoração de sentires,
sem medidas nem idades.
Hoje e sempre vivo e enfrento minhas saudades.
Um dia
Um dia...
Me disseram que não havia almas gêmeas.
Há descrentes assim,
que não sonham amores perfeitos.
E querem matar nossos sonhos.
Um dia... sim, um dia,
vou saber só de te olhar,
alma cópia simétrica de mim.
E vou te acreditar...
Seres presentes
Há seres quase velhos, de tão sábios e anos acumulados. Que são meninos.
Têm uma varinha de condão e tocam almas. E fazem dos momentos tempos eternos.
E te pincelam sorrisos em seu rosto. E ternura em seu olhar.
E te beliscam os sentimentos.
E sem qualquer razão que não a de serem meninos, conquistam o seu coração.
Para afagos na alma. Na emoção.
Breves presentes.
Há seres quase quase, mas nunca amanhã.
Tal como os meninos, têm muito para dar.
E acreditam em bicos de pés, cordas, escadas, pontes e asas, para lá chegar. Mas não para envelhecer e parar.
Há seres que são meninos. Eternos. E te levam à magia desse mundo de brincar. De sonhar.
Há seres que transportam o menino e moram na minha nobre verdade.
Na minha doce e triste saudade. Numa curva da memória.
No malmequer que desfolhei...
Na minha mais breve e louca história.
Mulher/ menina que também me sei. A escassos tempos.
Surreais momentos. De encantamento.
Há tardes santas
Há tardes santas. Sem rezas nem pedidos.
Sem esperas ou sonhos perdidos.
Há tardes que sabem a lar. Que cheiram a lar.
Que somos lar.
Hoje estou como quero.
Do tamanho da paz.
Até quando Deus quiser
De mim pouco resta do que já foi.
Os músculos não resistiram à dureza dos dias.
As costas se curvaram ao peso da idade, das ausências e perdas, da solidão e das amarguras.
E até a memória se ausenta nos hojes; se alongando apenas no antigamente.
Hoje apenas o coração me diz que siga em frente.
Mas o coração está doente
De mim, resto eu
Esperando por amanhã
de mim, resto eu.
Até quando Deus quiser
Meu coração está doente. Serei internada na próxima semana. Se cuidem.
Beijo
Às vezes, nem sempre
Às vezes, nem sempre
Nem sempre a vida são flores
Nem sempre o mundo é beleza
Nem sempre o acordar tem encanto
Nem sempre o sol é perfeito
Às vezes a vida tem dores
E doí na sua crueza
Às vezes é feita no pranto
Que reina sem estar eleito
Nem sempre o dia acontece
No nascer da inspiração
Às vezes muito padece
Nas razões do coração...
Meu coração está sofrendo com a minha irmã. Maldito câncer. Ela está precisando de minha ajuda. Me resta rezar para vencer esta passagem juntas.
Porque será?
Porque será meu amor, que não esqueço de te amar?
minha vida se encanta
se anima, canta
e avança
a essa doce lembrança
ao som do verbo e da canção.
Na rima da poesia
nas notas da melodia
na fonte da inspiração
porque será meu amor que te amar me dá alegria?
sorrio quando me lembro
dos beijos que não pedi
e os junto,
em palavras e versos
e os solto ao mar,
nas ondas
e olho o horizonte e espero
que a este gesto me devolva
e d' alma pura me beije
e depois ainda verseje
e rime com meu coração.
O tempo e eu
Sonhei, um lago imenso onde a chuva caía; e eu chorava, porque chovia.
Ao tempo pertenço, nele me entristeço e choro.
Chovem rios e mares dentro de mim.
Me afogo nas correntes em frenesim e me devolvo ao sol,
brilhando na nostalgia que arranco e transformo em alegria.
Mudo como o tempo e o vento.
Ora sul, ora norte; que se afogue a má sorte.
Porque se chove, eu choro, se brilha o sol, eu sorrio.
Sou parceira do vento, fruto do tempo, amante do sonho, que num lago navega o encantamento;
e acorda, manhã, Maio cinzento; pronto a brilhar.
E pinta de branco a nuvem que passa.
E cobre num manto bordado a cristais, o frio lugar, onde meu olhar transparece, ao encontro da paz -
e chora e brilha num tempo inventado, num sono profundo, ou num sonho acordado.
E é nesse momento, dentro de mim, que se agiganta o mundo.
Num tempo, num sonho, sem fim.
Fraqueza maior
Sou menos forte do que devia e menos fraca que pareço.
Sou feita de pânico e visitada pela outra face do medo.
Faço batota para crucificar a fraqueza.
E enfeito meus dias para afugentar a tristeza.
Se o vento me beija, sorrio.
Se a chuva me molha me arrepio.
Se o sol me abraça me rendo.
Se a lua me namora, me prendo.
Faço luta de braço com a solidão
Numa luta de titãs.
Perca ou ganhe, quem sofre é o coração
Sou menos forte do que devia e menos fraca que pareço
Sou feita de derrotas e visitada pelo desafio.
Uso arte e manha para as conquistas.
E dou brilho às noites por sonhar.
Sou menos forte do que devia e menos fraca que pareço
Porque a minha fraqueza maior, é amar.