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Poemas, frases e mensagens de jorgehumberto

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de jorgehumberto

MEU BARQUINHO

 
Meu barquinho, para onde vais,
Que levas brancura nas velas,
Que colhes bonanças e vendavais,
E já não podes passar sem elas?

Meu barquinho, são os teus ais,
Quando dizes gostar mais delas,
- Ondas que roçagam teus taipais-,
Do que das lautas caravelas?

Meu barquinho, não é grande, não,
Não tem ornamentos nem vigias,
E até a quilha é feita de papelão…

Mas quando vai no vento suão,
De velas dadas, sua condição,
Leva consigo todas as fantasias.

Jorge Humberto
(17/03/2003)
 
MEU BARQUINHO

POVO QUE NÃO SE RESPEITA…

 
Enquanto, os nossos homens e mulheres,
se conformarem com o pouco, que é quase nada
ou menos que migalhas…

enquanto, maltratados sejam, como coisa que
se deita fora, em toda a sua inutilidade,
pelos vários e consecutivos governos…

enquanto, pela retórica e mentira, se deixarem
guiar, através das magnânimas campanhas, de políticos
sem escrúpulos, que tudo fazem para calar a boca do povo…

enquanto, não vier a coragem, de sairmos à rua e
arriscarmos, decididamente, por um novo ponto de
viragem e inumar os mortos, que por aqui têm abundado…

e gritarmos para todos ouvirem, que estamos cansados,
de que brinquem connosco, retirando-nos todo o valor,
como pessoas, protegidas pela carta dos direitos humanos…

então, meu povo, enquanto tal persistir e pela omissão
se ficarem, agarrados a supérfluas riquezas, que se esfumam
do nada, sereis sempre, mas sempre, vossos próprios escravos…

Jorge Humberto
20/07/09
 
POVO QUE NÃO SE RESPEITA…

EU ACUSO

 
Há uma falsa descompressão entre os poetas cibernéticos, perante o que os rodeia no seu dia-a-dia, no trabalho, na escola, ou noutras instituições, onde lhes é exigida grande concentração de esforços, físicas e mentais, e a realidade.
Sendo visto como poeta maldito, porque não tenho medo de pôr o dedo na ferida, e, de, nos meus poemas, tratar das coisas pelo seu nome, mostrando a pobreza, o fanatismo e a decadência da igreja, não me escuso a chamar de omissos os poetas, que, chegando a casa o mais longe que alcançam é entrada nas chamadas “cirandas”, onde têm caminho aberto para os seus escritos, não se importando com o que vai lá fora.
Sim… porque o que se vê, desses chamados poetas, é que eles querem ter uma noite descansada, pós trabalho. E, então, o que vemos, é uma arrozada de poemas de amor, que mais parece “dejavu” ou, como disse acima, correrem para a ciranda mais próxima, que, diga-se, facilita muito quem escreve, pois basta seguir a ordem dos outros poemas, ou, de tão calejados que estão, a coisa funciona automaticamente… não sei!
Diga-se aqui que não estou contra nenhuma forma de arte, nem como ela é concebida, os culpados são os próprios poetas, que, na sua maioria, ou não fazem falta, porque não sabem escrever, estando sempre a cair na mesmice, ou se dão ao desprezo, de usar o seu dom para escalpelar o que vai mal e falar ao povo: sim, meus senhores, chegamos muito longe, assim o que escrevemos, tem a sua influência, mesmo de uns para os outros. Como posso eu escrever sobre amor (que também o faço, pois que necessário, desde que não chegue ao vómito), com aquilo que se passa na América do Sul, em África ou no mundo islâmico? Como posso eu assistir a genocídios, à fome de crianças e velhos e não escrever sobre isso, para não falar no abuso das religiões, para com os seus seguidores – todas elas?
Ao poeta foi-lhe concedido esse dom pela natureza e a natureza somos todos nós e o que nos rodeia. Reparo que as pessoas lêem os poemas, não pelo seu conteúdo mas pelos títulos apelativos, o que é de uma irracionalidade de todo o tamanho. O meu poema “Às crianças do Ruanda”, que é bem esclarecedor com o que se passa nesse país tem, em determinado Fórum, 12 leituras, abominável, mas se puser como título “O nosso amor”, terei certamente leituras para dar e vender. Vale que nem todos os fóruns funcionam mal como este para ver que somos realmente lidos e que as pessoas até se importam e preocupam-se.
Há muitos poetas bons na Rede, conheço-os de anos, mas muitos deviam dedicar-se a outras coisas, como por exemplo serem bons leitores, optarem pela crónica (pois em poesia são uma desgraça), ou sendo críticos ante o que lêem. Acuso todos os poetas (excepção a uma minoria) de ultrajarem e servirem-se da poesia para outros fins (hobby e jogos de memória)! Acuso aquele que não chama a si o povo, defendendo-o e dando-lhe algum alento, mostrando-lhe novos caminhos e o seu valor intrínseco!
Isto não é uma nação de incompetentes, o hábito é que faz o ladrão. Acordem, poetas, ajam segundo os vossos valores e chamem os outros para essa demanda, temos um Mundo para salvar.

Jorge Humberto
22/02/08
 
EU ACUSO

O TEMPO DE UMA VIDA

 
É preciso que o homem mude
suas ideias de poder
e aprenda a ser mais humilde
e preocupado com os outros,
para que não se perca no seu
egocentrismo e egoísmo, que
o faz predador nesta selva
urbana e ganhe de volta o gesto
de bem-querer e de simpatia,
que a todos redime de volta.

É preciso que todos dêem as
mãos com vontade de as enlaçar
num abraço fraterno e de paz
e tenham num sorriso de criança
seu modo de agir a perdurar no
espaço, faça sol, faça chuva,
porque aí o calor emanado será
o comportamento a ter no dia-a-dia
nos momentos bons e menos bons
do qual a vida é sumamente rica.

É preciso ser gente de boa tez
que ganhe o pão de cada dia com
o seu suor e não venha a inveja
pelos que os outros são e têm
mas a alegria de conquistar suas
coisas, pouco a pouco, enquanto
o relógio do tempo avança
imensurável deixando ao tempo
o próprio tempo, que é o tempo
de uma vida.

Jorge Humberto
02/03/10
 
O TEMPO DE UMA VIDA

A TODAS AS MULHERES!

 
Como poeta e como escritor, gosto de chamar as coisas, pelos seus nomes, e mostrar à sociedade, que estes dias, 08 de Março, não são dias de festividade, para todas as mulheres, quando quem mais lhes deve reconhecer mérito, e mostrá-lo ao mundo, porque têm os meios próprios e adequados, para isso, e as omitem, calam e nada fazem, é pois o machismo, quem ainda dita, mais alto, a sua voz. Já à mulher, àquela que vende capas de revista, “cor-de-rosa”, e é convidada a ir à televisão, dizer parvoíces, ostensivamente maquilhadas, no excesso da submissão e do ridículo, que o homem lhe impõe, para seu gaudio (deles), não é com certeza, a essa mulher, ou mulheres, a quem eu mais dedico a minha singela homenagem - e que é feita todos os meus dias -, mas àquela, a que foi enganada, pelo esposo e abandonada à sua sorte, de uma vida madrasta, com os filhos pela mão, em tenra idade, e com o mundo descambando à sua volta; é para essas e é para aquelas, que logo arregaçam as mangas, enxugam as lágrimas, para que os filhos não as vejam fragilizadas, e passam a ser pai e mãe, ao mesmo tempo, tendo dois ou mesmo mais empregos; ou àquela, que é agredida, nos claustros machistas, que elas não supuseram mas sonharam, um dia, ser a casa do seu sonho, para namorar seu esposo - que em namoro lhes prometeu, o que não viria a cumprir, depois -, e aí ter seus filhos e criá-los juntos; é para essa e é para essas, mas mais ainda, para aquela e para aquelas, que todos os dias são assassinadas, porque a policia, logo à primeira bofetada, não agiu, e ao impropério revanchista calou, quando a mulher se deslocou ao posto policial, pedindo ajuda, e as senhoras e os senhores policiais, nada fizeram, para a proteger, dizendo-lhe, que, se calhar, “a senhora até pediu, para que tal viesse a acontecer, minha querida…, sabe que o homem não é de ferro!”, mandando-a, de seguida, de volta à casa dos horrores, onde, obviamente, continuou a ser perseguida, espancada, maltratada psicologicamente, até chegar o inevitável: o assassinato; é para essa e é para essas Mulheres, em particular, a quem eu mais dedico a minha homenagem: hoje, ontem e amanhã…. E sempre!...
(Embora reconheça que, cada vez mais, a sociedade, já vai agindo, mais de acordo com os valores morais, que as nossas mães, nos passaram. E os provérbios, que diziam, pasmem-se: “cá em casa manda ela, mas nela mando eu”, ou “entre marido e mulher não se mete a colher”, na maioria das vezes, hoje, já não colhe e são votados à indignação, passando à força da reivindicação: há que mudar, já se ouve!).
Acresce aqui dizer, que, em Portugal, uma em cada 3 mulheres, é morta, todos os dias, pelos seus maridos, e que, cada vez mais, é no namoro, que tudo começa.
É pois, para essas e para aquelas que, a pulso, reivindicam, com muito trabalho, esforço e profissionalismo, o seu direito, a serem reconhecidas, como parte integrante, das sociedades modernas, onde vivem e fazem viver, que vão os meus votos sinceros, de solidariedade. Assim, Bem- Hajam, a essas mulheres! A todas elas: Feliz Dia da Mulher – todos os dias.

Beijinhos, a todas as Mulheres!
Jorge Humberto
08/03/15
 
A TODAS AS MULHERES!

BOM DIA AMOR...

 
Hoje acordei com o teu cheiro
e a manhã está linda de sol, entrando nos umbrais,
meu sentimento assim apaziguado, é igual às
águas que se espraiam, além de mim sorrindo na janela,
e a meus ouvidos chegam melodias celestiais,
que sobem da arvorezinha tolhida em meu olhar,
como um imenso beijo orvalhado pela tua súbita presença,
com recontos de ontem...

Vem amor, descansa o teu corpo nos meus braços,
e deixa-me que te segrede a fragilidade destas flores,
escuta-las nos meus dedos, que te viçam ainda mulher,
fruto maduro que vou colher onde é já nascido o sol
de novo, rebento de rosas, plural do meu intenso desejo,
soerguido no mais do dócil, do contacto em silêncio
de nossos olhares lânguidos, com fome de nós,
neste jardim que só esquece o que há de esquecer,
no agora entrega...

Jorge Humberto
(13:55/Abril/17/03)
 
BOM DIA AMOR...

APESAR DA DROGA

 
Muita coisa pude eu ver na minha vida,
Jovens morrendo, em meus braços,
Pais exaltados com a vida indevida,
Rostos pálidos cobrindo-lhes os traços.

Tal como eu vi juventude em coma,
Por dose excessiva, do pó maldito,
Por não abraçarem fieis o vil dogma,
Que tudo castra e logo torna restrito.

Mas apesar desta vida de “adultério”,
Consegui que o amor sobressaísse,
E assim mantivesse todo o seu critério.

Hoje, livre, enfim, sou apenas alguém,
Neste mundo apressado, onde recaísse
A obrigação, de ser este e de aquém.

Jorge Humberto
30/09/07
 
APESAR DA DROGA

QUANDO TE CONHECI

 
Quando te conheci, meus olhos cegaram
completamente. Apenas teu rosto lindo,
alimentava minha paixão, grata de querer,
que logo fiz, por descobrir, teu ser gente.

Minha vista assim encoberta, um receio de
perda, deixou que se instalasse, mas tuas
doces palavras acalmaram-me, e, surpreso,
meus olhos abriram-se, para a realidade.

Pura evidência se nos deparou e falamos
de tudo um pouco, desse amor recíproco,
que nutríamos um pelo outro - sem mais,
e nos envolvemos, mal nascera o instante.

Como em qualquer primeira abordagem,
certa timidez nos acompanhou mas a
sinceridade, que desde logo regeu o amor
declarado, rapidamente unos nos elegeu.

E tudo foi tão belo, quando ambos ao outro
dissemos que sim e que doravante seriamos
de nós mesmos, enfrentando tudo, para o
bem e para o mal, dia a dia, de nossos dias.

Hoje já não respiramos isoladamente, e, nada
é feito ao acaso, pois reina um grande esmero,
que acima de tudo é um respeito mútuo, que,
jogámos à terra, fundeamos raiz, de mãos dadas.

Jorge Humberto
24/09/08
 
QUANDO TE CONHECI

POETA… ÉS TUDO!

 
Quisera eu ser um poeta, para só
assim, levar capacidade, de me
transformar, num belo pássaro,
daqueles, que nunca se cansam,
planando por cima das ondas do
mar, quais flechas, lançando-se
às águas, buscando o novo peixe.

E entre o rebentamento das ondas,
desde o nascer do sol, até ao sol se
pôr, ali fazer minha vida, entre
rochas e espuma, qual fosse então um
cavalo, que em liberdade corresse, em
uma verdejante planície, escutando ao
longe, o som sumido, do abismo.

Não resistindo, ao apelo, do imenso
rio, entro cada vez mais, mar adentro,
desafiando temíveis ondas e ventos,
que, quase, me derrubam, do céu,
até ao azul profundo, mais abaixo,
que tudo sacode, à sua passagem,
causando enorme temor, só de ver.

Tal imperturbável, senda da natureza,
apesar de tudo – e nascido que fora,
para ser um albatroz –, era apenas a minha
vida e que eu havia escolhido, pela
pena do poeta, que, obra realizada,
partiu, para nunca mais, aquém mar,
ou além-mar, indo satisfazer fantasias.

Bem-dito, sejas, ó poeta! que acolhes,
dentro de ti, infindáveis mundos,
fazendo do banal, algo indescritível e
de imenso valor. Trazendo sonhos, a
quem há muito, já os perdeu, ante a
dura realidade, onde a tua imaginação
criadora, tem de ser cultivada, sempre.

Jorge Humberto
06/01/09
 
POETA… ÉS TUDO!

NAN… MINHA VIDA

 
Até então, tudo à minha volta, era sofrimento,
dor atroz, solidão, entrando no desconhecido
de florestas, mais escondidas e lúgubres, que
minha mente febril, perdida entre mil receios.

Fome não vinha, apenas um sono constante,
que me esquecia, entre choro e os desgostos,
que dormindo olvidava, até voltar a abrir os
olhos, saindo pra fora de qualquer realidade.

Até que resolvi sair, em definitivo, desta crua
masmorra, que me tolhia, quer braços, quer
pernas, em autêntico atrofiamento, fazendo
com que perdesse toda a coordenação motora.

Enfrentando-me, ajudado plos amigos, roubei
à mentira, todo o seu aspecto de mal conduta,
e, sem mais nem porquê, regressei à poesia,
aninhando-me nos braços acoutados da natura.

Vagueando fiz meus dias, co medo de recaídas,
e, humildemente, todas as pessoas eram boas,
até descobrir, que apenas, servir-se de minha
pessoa, sem escrúpulos, era seu único intento.

Mas o sortilégio, dessa gente mui má formada,
teria de acabar, sem chão nem canções de luta,
então, por entre a confusão, que me quiseram
criar, tábua a tábua, urdi minha novíssima casa.

Por onde tu, meu amor, sem o sabermos ainda,
darias entrada, pelo portão principal, rodeado
de um jardim e cisnes enamorados, que, aqui e
ali, lindas figuras, a criar, nos enaltecia os olhos.

Até que o dia chegou e começamos a namorar,
seguidamente, e, tua forma espontânea de ser,
logo me cativou, por entre palavras muito bem
medidas, de quem teve da vida aprendizagem.

E desde aí, até aos dias de hoje, nunca mais me
senti só, porque, tu, és a minha mais que tudo,
aquela que me dá todo o amor, de que preciso,
convertendo, meu bem-querer, em real dádiva.

Jorge Humberto
21/12/08
 
NAN… MINHA VIDA

GERAÇÃO PERDIDA

 
Vínhamos todos juntos desde os primeiros
dias de escola,
desde os nossos seis anos, amigos para sempre:
dissemos e assim foi pela vida fora,
até que esta nos separou uns dos outros
no auge da adolescência.

Tudo tinha começado numa comunhão de
amigos, querendo experimentar a vida e o que
ela teria para nos oferecer. Ofereceu-nos a
droga como possibilidade, onde todos podíamos
partilhar dos mesmos pensamentos e ilusões.
E corria de mão em mão o cigarro de haxixe ou
de erva e à noite tomávamos pastilhas que nos
alterava o nosso estado de espírito,
o que fazia com que os dias de trabalho se
suportassem melhor e de forma mais harmoniosa.

Curioso como não há, o flagelo se aproximou,
em passos estudados de mim, e uma seringa com
cocaína me apresentou, ao que eu repetia para quem
me quisesse ouvir: que era só para experimentar.
Desde esse dia meus treze anos, não mais parei,
e à cocaína juntei a heroína, minha tragédia por longos
anos. Alguns amigos vieram comigo, muitos tive nos
joelhos em colo até ao seu último suspiro. E não mais
regressaram: meus queridos amigos de escola, lá
onde eu aprendi o que era companheirismo e amor aos
amigos – de que me valeu, eles que se foram e eu que fiquei?

Pesando quarenta e cinco quilos aos vinte e seis anos,
dentes todos podres, agressões verbais e não só (por
parte da polícia, que não corria atrás dos grandes
traficantes mas daqueles que vendiam para um bandido
qualquer, para poder ter a sua dose diária), era presa fácil
dos corruptíveis, vestindo uniformes e bebendo álcool,
que qualquer um podia cheirar à distância, e não eram
repreendidos por isso, descarregando todo o seu
atrofiamento nos que nada mais faziam do que
sobreviver ao seu vicio.

E já só segui minha vida de toxicómano, dentro de
uma sarjeta,
que assim me via e queria, tal a revolta que nutria
por mim mesmo.

Muitos mais anos se passaram, trinta e
dois anos ao todo, até que não podendo mais disse
basta, com meus olhos virados para o sol, onde
incandescia de novo a fogueira da vida
e senti uma vontade imensa de viver novamente – o
passado ficou lá atrás, o ensinamento comigo, o qual
não largo e transmito a todos a minha experiência.

Jorge Humberto
11/11/09
 
GERAÇÃO PERDIDA

SEREI DESTE E DAQUELE

 
Serei deste e daquele, nada de mim.
Que quem tudo quer nada tem.
Mas não me usem nem abusem assim
quem tanto desprendimento não atém.

Se outros houvera, de outras maneiras,
quero-os aqui, da mesma forma com que eu
me mostro a esse outro: é como ir pelas lombeiras
de um livro, a atingir tudo quanto prometeu.

Serei tudo quanto for de mim, se no outro -
e apenas aí -, não houver qualquer presunção:
dele pra mim, como de mim à aqueloutro:
que é o mesmo e o outro diferente, por sua assunção.

E assim serei tudo o que quiser, pondo diligência
no gesto que aprouver: tão natural quanto eu!

Jorge Humberto
20/03/15
 
SEREI DESTE E DAQUELE

RAMIFICAÇÕES DE UM PLAGIADOR

 
Quem se serve de trabalho alheio,
Não colhe fruto algum; ser banal,
Que se aproveita do sinuoso meio,
Fazendo-se valer de todo o mal.

Roubando dos outros toda a mestria,
Em ladrão se torna e à sua conduta;
Sem repararem, contudo, que havia,
Dos outros, uma fácil permuta.

Assim libertos de todo o mal, copiam,
Sem pudor algum, o que é dos outros;
Com sua arrogância letras espargiam.

Mas o que eles não sabem, a ninguém
Falta; nem a humildade nem doutros
A ciência; presente exclusivo de alguém.

Jorge Humberto
17/09/07
 
RAMIFICAÇÕES DE UM PLAGIADOR

Cada um, à sua maneira, escreve e é escritor.

 
Cada um, à sua maneira, escreve e é escritor.
O simples pensamento, de um momento, é um momento, que
se escreveu, no realizar do mais próximo acto, através do gesto,
de cada um, de um para com o outro,
Quando já são mais de um, a pensar, o que a dizer, não esqueceu.

Jorge Humberto
25/07/13
 
Cada um, à sua maneira, escreve e é escritor.

CUMPRA-SE DE NOVO ABRIL!

 
Contra os que nos têm ofendido
de falsas verdades se mostrando
àqueles que impunes vão desmentindo
as mentiras que nos vão deixando

(tão púdicos perante o que vão fingindo
tão cruéis proveitosos no desmando);
contra esses - na descontra do que nos é querido
e aos poucos e poucos vão matando

tudo quanto este povo, foi construindo-,
e contra aqueles, que este país, vão adiando;
contra estes fascistas, que nos vão denegrindo,

saia Portugal à rua e erga-se a Nação: unindo
o que nos une e unifica, perpetuando
o real valor de Abril: que são estas gentes prosseguindo.

13/03/15
Jorge Humberto
 
CUMPRA-SE DE NOVO ABRIL!

SAUDADES DE TI

 
Hoje, acordei, com saudades de ti…
Abri a janela, para assim o sol entrar…
E eu que já penso tão pouco em mim,
Voltei meu rosto, para te namorar.

Desenhei tua tez num céu adjacente…
Tuas mãos acariciei com as minhas…
E no fulgor das mãos desta gente,
Foi que senti as tuas tão fraquinhas.

Ah!, minha adorada musa, querer
De meus encantos, como dizer-te,
O que no futuro… terá prevalecer?

Resta em mim todo este amor…
Que é mais que presente… a saber-te
Meu pendão e da voz o meu clamor.

Jorge Humberto
08/09/07
 
SAUDADES DE TI

ARGÚCIA

 
O Homem é mui subtil, eis sua proeza!
Se for de má índole em causa um caso
Temos em mãos pois que sua nobreza
Pra todos e mais alguns, será fracasso

Mas, se ele fizer dessa nobre subtileza
Com que tudo aí pareça simples acaso
Não exigindo do outro, certa esperteza
Reatará sua vida, tudo dentro do prazo

Sim… importante aqui é a flexibilidade,
Que ninguém, se sobressaia, aos idos,
Imperará a verdade e a mui humildade

E quando já juntos à Tribo o frio teimar
Protegidos vivamos felizes, mui unidos
E, então sim, à Terra a semente deitar.

Jorge Humberto
07/01/08
 
ARGÚCIA

A MISÉRIA DO MUNDO

 
Meu olhar perscrutador vai muito além,
do que os donos do mundo fazem-me crer.

Vejo povos a morrer, por não terem ninguém,
que olhe por eles e lhes possa valer.

Pessoas sem casas, sem saneamentos básicos,
vivem na imundice da extrema pobreza.

Estes são comportamentos clássicos,
de quem vive dos outros a indiferença.

Comida não há, a lixeira é a parca salvação,
de quem nada tem, atreitos a doenças.

Escolas não têm, tão pouco educação,
vão na vida vivendo rasgadas desavenças.

Prolifera a droga e os gangs de rua,
protectores improvisados de suas gentes.

E uma menina sem idade, quase nua,
faz da prostituição o pão de seus parentes.

Crianças cheiram cola, pra fugir à realidade,
do dia-a-dia tristemente sempre igual.

E revoltado revejo sua débil fragilidade,
tratados como se fossem um qualquer animal.

E nesta cena triste, de quem se sente,
nascem filhos com Sida, transmitida pelos pais.

E neste poema, feito assim, de repente,
quis trazer os meus, assim de muitos mais, os ais.

Jorge Humberto
29/06/08
 
A MISÉRIA DO MUNDO

A HONRA DE TRABALHAR

 
Tenho muita pena, de não ter continuado meus
estudos. Mas uma soberana imagem, tomou
conta de meu romantismo: ir trabalhar,
levando em minha mão, a mala com o almoço,
e, assim, sair para a rua, rumo a algo, que tinha
por grandioso.

Adorava levantar-me cedinho, preparar tudo,
arrumando bem a minha mala de couro,
despedir-me lá dos de casa, e, fizesse calor ou
frio, pôr-me a caminho da oficina, para
aprender uma profissão.

Naquela altura, lembro bem, dava-se valor a quem
trabalhava, não como nos dias que correm, onde
cada um passa por cima do outro, para atingir seus
fins sinistros e ainda nos olham de lado, simplesmente
por desempenharmos bem o nosso oficio.

Acabou-se o romantismo e o orgulho, pelo trabalho,
do dia-a-dia. Levantar inda mal raiava o sol, respirar um
pouco de ar à janela e vermos nossos companheiros,
dirigindo-se a seus postos, de passo firme a altruísta.

Por romântico ficaram-se as facilidades, para adquirir
cobiça, pelo que é dos outros. Fazer-se que se estuda,
para terem um carro, oferecido pelos pais, e, sair à noite,
embriagando-se, até encontrar a morte nas estradas.

Sociedade de plástico, onde o fútil é recomendável.

Mal-educados, que não respeitam quem trabalha e
se dão até ao desplante, de não ceder seu lugar, nos
transportes públicos, aos velhos, fazendo-os suportar
a viagem toda de pé e rindo-se, como cerdos na
engorda, satisfeitos com sua participação, nesta vil
sociedade, de bastardos e falhos de inteligência.

Jorge Humberto
16/09/08
 
A HONRA DE TRABALHAR

NATUREZA ESQUECIDA

 
Num emaranhado de árvores e de frutos
rasteiros, cobrindo todo o chão,
de paus e de folhas e de frutas podres,
a meio a pedras, atrás de pedras,
fortes águas, vindas do cimo da montanha,
contornando as rochas, há muito,
crivadas, de imensos buracos, pelo passar
dos tempos, caem em cascata, num lago,
totalmente desconhecido.

Antes da desertificação, votada ao silêncio,
pelo homem, de pronto, a natureza,
chamou a si, este pedaço de terra, dando-lhe
nova vida. E, como recordação,
de que, um dia, vida humana, ali teve seu
espaço, ficou-nos uma cabana, toda ela
de pedra, com seu telhado, galvanizado, e,
uma única porta, de madeira sem janelas,
talhada entre duas árvores, com seus galhos,
cobrindo, toda e qualquer claridade.

Gostava de lá ir um dia e de limpar, todo
este lixo humano, tornando-o num espaço,
agradável aos olhos, de quem nos visitasse,
para se banhar, nas águas frias mas puras,
da cascata, que nunca deixou de cumprir, sua
função natural, correndo livre e de forma
espontânea, até alcançar o lago, mais abaixo.

Jorge Humberto
24/06/09
 
NATUREZA ESQUECIDA