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Crónicas : 

António Lobo Antunes

 




António Lobo Antunes

Mais um domingo com todos os que já perdi. Um sol abrasador que me impede de sair de casa. A idade teima em restringir-me os desejos e, nas limitações do meu corpo, rendo-me, sem que antes tenha lutado para modificar o que quer que seja.
Pego no livro – Livro de Crónicas – de António Lobo Antunes, e começo uma nova etapa, talvez para esquecer a minha realidade ou para deliciar-me nos prazeres de uma escrita atenta e tão real que me adormece o desejo.
Desfolho cada página com uma ansiedade crescente para que depressa possa chegar ao fim de cada crónica que escreve. Quero receber cada mensagem ali deixada e satisfazer a minha curiosidade em cada final. Deixo-me ir nas palavras do autor e até consigo ver as imagens que desenha com as palavras. Sinto as suas metáforas como se tivessem vida.
Não paro. Nem a surpresa cabe em mim, quando leio os passos dados pelo autor pelos mesmos sítios pisados por mim. Sinto-o omnipresente. Sinto que pertence à vida que vivi e que percorreu os mesmos lugares públicos que percorri e, na semelhança, até descubro que gostamos do mesmo filme que, na época, era cabeça de cartaz.
O meu domingo é mais sorridente assim. O sol já não importa se queima ou sorri e o meu corpo já não me impede de viajar aos lugares mais desejados pelo meu pensamento abstracto ou lúdico.
De tudo, sobra-me a vontade de escrever, de escrever como o senhor António, de ter a coragem de escrever muitas frases entre outros, algumas com a fragrância da verdade rejeitada e outras com a dureza dos tempos que já esquecemos. Mas não! A minha consciência pede-me calma, ilumina-me a realidade e diz-me que não será, de todo, possível escrever como o senhor António. Ele é, de facto, alguém que domina as palavras e que brinca com as personagens do seu eu. É, portanto, alguém de outra esfera superior. Resigno-me à minha realidade, mesmo antes de o tentar. Que importa afinal, se o prazer da sua escrita me seduz em cada leitura que faço? Que interessa, se cada crónica sua é um alimento que preciso? Não importa. Nada mesmo, porque basta-me que cada leitura tenha sido acompanhada por um soberbo prazer. Sobra-me ainda a vontade de escrever, a minha maneira, com as minhas palavras e os meus sentimentos retirados de mais um domingo igual a tantos outros que já perdi.
Um dia talvez conheça o senhor António e os meus olhos brilhem pedindo um aperto de mão e umas palmadinhas nas costas. Talvez seja o momento maior de um domingo qualquer por acontecer. Por ora, deixo-me extasiado entre os sonhos desejados e a realidade que aquele Livro de Crónicas me empresta. Resta-me agradecer-lhe e esperar por um domingo qualquer. Obrigado senhor António.





Escrevo…para libertar as personagens que não consigo Ser!
________________________________________
http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/

http://luademarfim.pt/



Autor
Paulo Afonso Ramos
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Enviado por Tópico
Pedra Filosofal
Publicado: 07/09/2008 21:39  Atualizado: 07/09/2008 21:39
Colaborador
Usuário desde: 17/09/2007
Localidade: Barreiro
Mensagens: 1279
 Re: António Lobo Antunes
é engraçado como tive mais ou menos a mesmas sensações quando li este livro. Este e o terceiro (ainda me falta pegar no segundo). Só não as consegui descrever tão bem como tu fazes

Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 07/09/2008 21:52  Atualizado: 07/09/2008 23:19
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4206
 Re: António Lobo Antunes p/Paulo Afonso Ramos
Prezado Paulo Afonso,

Acabo de ler sua crônica a respeito do livro de Lobo Antunes. Infelizmente aqui no Brasil este notável médico psiquiatra e escritor português apareceu tarde. Bem depois de Saramago. Tenho comigo uma antiga edição brasileira de Os Cus de Judas, publicada em 1984 por uma pequena editora - Marco Zero. Lembro-me que na época sugeriram alterar o título do livro, o que seria uma lástima e um desrespeito. Embora não tenha, no Brasil, a popularidade e o marcketing de Saramago, sua obra começa a aparecer com maior destaque por aqui. Não só Os Cus de Judas, como O Manual dos Inquisidores.Ainda não tive contato com o Livro de Crônicas. Li, não faz muito, uma entrevista de Lobo Antunes concedida à Folha de S.Paulo. Pareceu-me um homem retraído, de poucas palavras. Ao contrário de Saramago, que cheguei a entrevistar numa de suas visitas ao Brasil, para a revista Manchete. Pelo que li de um e de outro - de Saramago quase tudo -, na minha opinião Lobo Antunes é a grande voz da prosa portuguesa.

Júlio Saraiva

Enviado por Tópico
fogomaduro
Publicado: 07/09/2008 23:06  Atualizado: 07/09/2008 23:14
Colaborador
Usuário desde: 06/08/2008
Localidade:
Mensagens: 1478
 Re: António Lobo Antunes
Leio António Lobo Antunes desde há muitos anos, desde o Cu de Judas, A explicação dos Pássaros, Memória de elefante, e alguns dos seus livros mais recentes, nem todos. Tenho inclusive livros autografados pelo autor. Das suas crónicas, até mais do que dos seus livros, sou mesmo um fiel leitor, as que ele publica na revista Visão, desde há anos. E são mesmo autênticas pérolas de literatura, embora o autor se lhes refira como escrita menor, para apurar a mão.
A escrita menor, na perspectiva de A. Lobo Antunes, é, em minha opinião, bem maior em qualidade, do que a escrita maior de muitos outros escritores.

DM

PS. Ao passar o domingo a ler Lobo Antunes, na minha modesta opinão, creio que o não perdeu, antes o ganhou, ficando mais enriquecido.

DM

Enviado por Tópico
Vera Sousa
Publicado: 07/09/2008 23:16  Atualizado: 07/09/2008 23:16
Membro de honra
Usuário desde: 04/10/2006
Localidade: Amadora
Mensagens: 4100
 Re: António Lobo Antunes
Gosto muito de António Lobo Antunes e das suas crónicas.
Garantidamente, um bom livro é sempre boa companhia.

Beijo

Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 07/09/2008 23:27  Atualizado: 07/09/2008 23:27
Colaborador
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 9701
 Re: António Lobo Antunes
O António Lobo Antunes é decididamente um dos meus escritores favoritos. Tenho os livros dele todos, guardo-os com uma religiosidade de adolescente, e só me falta mesmo ler este ultimo livro dele de Crónicas, o que farei muito brevemente depois de ter lido a tua crónica fantástica.
É bom quando divulgamos também os nossos escritores favoritos, dando vivas à imaginação, Parabéns or esta crónica Paulo e ela forma como falas de um grande escritor.
Um beijo
Vóny Ferreira

Enviado por Tópico
CarlosTeixeiraLuis
Publicado: 08/09/2008 11:54  Atualizado: 08/09/2008 11:54
Colaborador
Usuário desde: 02/06/2008
Localidade: Lisboa (arredores)
Mensagens: 987
 Re: António Lobo Antunes
excelente crônica de um apreciador de lobo antunes, como eu e muitos de nós, dos melhores textos, num certo sentido, dos que tenho lido por cá.

Abraço.

Enviado por Tópico
HorrorisCausa
Publicado: 08/09/2008 19:56  Atualizado: 08/09/2008 19:56
Colaborador
Usuário desde: 15/02/2007
Localidade: Porto
Mensagens: 2699
 Re: António Lobo Antunes
Ainda não tive a oportunidade de ler este livro, mas tratando-se de quem é...bem, impossível não ficar-se surpreendido, creio no entanto tratar-se da compilação das crónicas do seu blog, as quais eu já li, mas mesmo assim não dispenso à sua leitura em formato livro...tem outro sabor.

...nem te pergunto como foi teu domingo, foi contagiante por certo, a forma como o descreve não deixa margem para dívidas.



Beijo

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)
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