Poemas, frases e mensagens de smerdilov

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de smerdilov

Estranhas exultações aos pés dos mausoléus

 
Silente cidadela! Desde priscas eras, nelas tant’ as abominações,
desapareceu da vida variada, em seguida, medrando abundante.
Nunca Vozes expertas ouvem, mas na Terra das multiplicações,
soltos correm som, das palavras de ordem de Audaz Comandante.

Não são intempéries para pessoas desiguais, pares quando c’o raios,
troveja como grito que so’ alto, a Emoção conclamando na calada;
a garantir do retirante o Destino, escusos negócios dos reles aios;
são Dinheiros e Vaidades, história una para os encafuados contada.

As pessoas...Desprezo que não fazem em nome d’ Honra reverência!
Vozes as há, entre oprimidos gritantes! Não é traço de u’a deferência,
mas quando imperioso, não hesitaram, às tentações d’ Emergência.

Em si mesmo! Não em moucos peitos ouç’ o Espírito abrir Prisões.
Precioso é o Bem! Dos apóstatas troço, mediais de perdidas Nações,
partilhando Silêncio, dos mausoléus aos pés, em estranhas exultações.
 
Estranhas exultações aos pés dos mausoléus

É Natal, o Cristo Messias reina nos corações

 
É Natal e de chofre coa’legres musicas toando, o pensamento voa,
nessas maravilhosas paragens antes somente por Anjos habitadas..
Retorna ao tempo d’uns Reis vindo d’ Oriente quando a nova soa,
durante a Noite Santa, o Coro Celestial entoou mais belas baladas

Para adorar a Criança, se dirigiram para até a humilde manjedoura,
Dignos os Reis levaram, seguindo a Estrela Guia, a Ele os presentes;
diante do inopinado berço, ajoelhados, renovada foi Fé duradoura,
depositando o incenso e mirra , louvando o Filho de Deus, anuentes.

Desde o Petiz de belo rosto, harmonioso no pobre berço de palha,
para todos os cantos do mundo toda a Paz, total Alegria se espalha:
- O Cristo Messias, por Ele amado, reina nos coração desde o Natalício

Ele veio para pagar pecados mortais havidos por toda a Humanidade,
expiar para a nossa Salvação, ao final morrer na Cruz com humildade,
nunca vai perecer aquele que crê poder ser salvo por Seu Sacrifício.
 
É Natal,  o Cristo Messias reina nos corações

A senha para o Paraiso é a Morte gloriosa

 
A senha para o Paraíso é a Morte gloriosa,
lídima em prol d’um Ideal pouco subsumido;
àquele que morreu pela Pátria, tecida glosa,
num Panteão jazerá, jamais será preterido.

Tabernáculo fincado onde florescem lilases
renitente vizindário de Primaveras eternas.
Ocluso ele por sebes de Valores sem aliases,
inestimáveis, exigidos de todos c’o luzernas

C’a satisfação do dever cumprido - Relicário;
jamais experimentará a sombra da estultice,
nem da vicinalidade da Morte, se na velhice.

Então, pelejam as lidas, confessando Fadário,
não genefluxam banais amolecido pelos Vício:
sabem que haver’a Eternidade após o Exício.
 
A senha para o Paraiso é a Morte gloriosa

Da repulsa aos toscos daguerreótipos expungidos

 
De toscos incultos, mais uma vez nas abas d’ aldeia, eis-me aqui,
de apascentar -já há muito declinei - almas de rudes pastores;
dos vales, da Terra Querida saudoso, só Venturas encontrei ali,
nas tíbias tardes observando o farfalhar da aragem nas flores.

Nestas Plagas cá, talvez, flutuando a Paz encontre no resguardo,
pois que, cogito, às vezes, se plausível Juventude tão inolvidável.
Desvalido mordaz imperativo de aturar impropérios do Javardo,
perseguir obsto passadas Tristezas; recuso ato tão Abominável.

Passando foi o Tempo, hipnóticos vislumbres, a trazer sensações;
de conforto extremo fazendo vivificantes os sentires preciosos,
refutando, eis que frágil e por hora, tão somente perturbações.

Ao Chamado irei, debalde alfétenas, a ele não renunciarei jamais,
mormente anuiria cordato, balindo aos acendimentos sediciosos,
se mirasse tão só daguerreótipos expungidos dos mesmos locais.
 
Da repulsa aos toscos daguerreótipos expungidos

Desgraçado o Outubro em Balaclava

 
Entre outros tantos Corcéis, em prata e couro com esmero ajaezados,
lídimos senhores das vontades próprias ao sabor de insano desatino,
qual turba ali imponente, golpeiam ruidosos cascos a ravina estilados;
triunfais, em curso sobre leito de seixos rolados cunhando o Destino.

Anuídos dóceis à Sorte, mesmo outr’horas, a Rocinantes semelhando,
traduzem ânsia do próprio existir, vigor inato, mesmo predestinados;
por vezes, tomando nos dentes bridão, contravindo das rédeas o mando,
cabeças em profusão buscando de chofre hostes dos Inimigos irados.

Da Morte fugindo, alucinados, eles na mesma irreprimível ânsia da glória,
conduzem ginetes airosos, hussardos vibrando os Sabres de Combate,
carregar ao cruel soar de aço letal, clarim majestoso, sopeando acicate.

A sede da conquista, Ambição de granjear mais uma estrondosa Vitória,
à mercê da íntima instância, em Balaclava, da sedenta conquista a esteira,
as pedras do Vale em trágico final viram a última carga da Brigada Ligeira.
 
Desgraçado o Outubro em Balaclava

Onde ficou meu coração

 
Sucumbi às vontades tão mundanas,
e, fascinado pelas tentações da vida,
tive vícios e paixões todas proibidas,
mas, não quero desaparecer na bruma,
quero voltar para minha Terra Mãe
onde sei que estão meus Mortos.

Sentir mais uma vez a umidade da brisa,
ver o cruzeiro no cume do monte santo,
os ciprestes balançantes,
que enfeitam o pequeno cemitério,
último refugio dos meus Mortos queridos.

Quero poder outra vez entrar na velha casa,
olhar os cômodos, relembrar toda mobília,
arrancar uma cortina de linho tão antiga,
aperta-la junto ao peito, terno beijar a orla,
depois envolver meu corpo como mortalha,
com um sorriso de saudade nos lábios.

E, quando o brilho do sol ao entardecer,
deixar todo o cais cor de ouro escuro,
verei acenderem as tochas de resina,
sentindo o odor do incenso da antiga igreja.

Ouvir os flautins quebrando o silêncio,
o badalar do carrilhão, sinos de prata
anunciando mais um funeral;
as velas alvas das embarcações ancoradas,
e, o soar ao longe do vento na crista das ondas.

Enquanto for um estranho em terra alheia,
minha Alma não terá descanso,
mesmo que veja ao redor um Paraíso,
o que preciso é voltar para meu chão,
para minha Pátria, minha Mãe,
meu Torrão Natal onde ficou meu coração.
 
Onde ficou meu coração

Exaltação maior

 
E tantas vezes eu já vi o Astro Rei cruzar o céu anegando-se em águas,
rememorando as altas muralhas e torres defendidas com tanta bravura.
Como pescadores, jamais toleramos os barcos à vela ao sabor das vagas,
ufana-me saber que a todos filhos acolheu, Ela abrigou-os com ternura.

Das trôpegas armaduras, bélicos márcios inopinados, lançaram olhares,
airosos, divisando além os vitrais de todas as nossas antigas catedrais,
alçando a vista, exultam dos pináculos, alcançando tão remotos lugares,
Júbilo a todos fazendo conhecer, triunfos quantos não perderão jamais.

Outros que não acoimem por sermos uma Nação de altivos guerreiros,
louros das Vitórias colher, os regozijos nunca foram alvos primeiros:
é a sina defender o Solo Amado, à vista dos rios, alterosas montanhas.

Nem só das lutas sangrentas vivemos insanos procurando vã a ventura,
deste Solo Sagrado, agora inimigos tantos jazem na paz da sepultura;
será a Exaltação maior; defender a Pátria, a colher glórias tamanhas.
 
Exaltação maior

Exaltação ao hussardo

 
Na ravina sáfara, desde prisco dilúculo pisando até o arrebol,
nenhum deles se atreve a contrariar o galope dos Andaluzes,
de si garbosos, bridão mordendo, vangloriavam a tralha ao sol,
a não deixar tarefa inacabada já afeitos por findar das luzes.

Das rédeas aos puxões trotam os Ginetes brandindo chicotes,
tesos penachos, corpos firmes empunhando Sabre de Batalha.
Galope febril escusam na carga nata débil clarão de archotes,
torvelim dos seixos lisos, jorrando na ravina, a poeira espalha .

Cerrados dentes, esplendor das almas ansiadas pela refrega,
ao som dos clarins, do pó, ágil sopro do vento, à carga agrega,
fervem como os raios do sol no raso da justa brados marciais

Abrasados restam, cheios ouvidos entram pelo peito, corações
aleives temem na inércia, apenas se detidos perante Baldões;
aos brios, jamais afetarão a frias pedras, posto reles Mortais.
 
Exaltação ao hussardo

Derradeiro estirão da atalaia

 
Bélicos os cantos repercutem para se volverem lutadores,
são frontes altivas, ara nas ramadas no bruno sossegado.
Camaradas a trovar, prófugos para se verem Vencedores,
a tal baldio redor, tosca a fogueira dá o lume improvisado.

Mal acesas as chamas, de subitâneo, rude vem o vento,
defraudar a flama, legando negro aquele cavo noturno,
atrás do quinhão da floresta, canchas vazias, desalento,
O Silêncio; cruciante ultimar meio ao pez o Ultimo Turno.

No breu, por triz não congela o sangue em meio à treva;
granjeando caiar pejado rubor, ali frouxos os braços eleva,
ora inclina vexada face, acamando o mento contra frio peito.

Espinhosos os passos, soam-lhe como pernas engastadas,
em tonéis de chumbo permitissem movimentos pausados;
estorvos os encontra para mover os pés, aprontar o Preito.
 
 Derradeiro estirão da atalaia

Náufragos de expiações amaras

 
Das armas através somente virá quiçá a Vitória,
pelo derramado sangue ensopando além da chã.
Contemporizar urge, preservar-se para História
lutar sob o Sol do novo dia, outra vez amanhã.

Em curso, tantos foram quebrantando juramento,
esgarçados laços, trazem pesares da Morte fatal;
soberbos oferecendo a carne rumo ao firmamento,
limites inexistentes ultrapassados, ateio integral.

Dos que se oferecem em Aras, vã tentativa aspartar,
agora, creio eu, não possa mais sequer tais dissociar,
dos reles sandeus médios, sem vergonhas nas caras.

Separados, cabem aos primeiros do céu regozijos,
volvendo turba medíocre deixando seguros montijos,
às profundezas vis naufragar em expiações amaras.
 
Náufragos de expiações amaras

Não almeje aquilo que ignora

 
Cite o luto, ó Anjo da Morte, ao Ignóbil que já estremece,
de execrada masmorra vê liberto; o corpo do pó afastado.
Pouco menos que a superfície do ignoscente se conhece:
“ignoti nulla cupido”, nada variega a lida do Desventurado.

Lobriga o Poder outorgado, cinca de amaldiçoados revéis,
frígido o desprezo da Terra que deixou de auferir haverá;
ao arranjo da Morte vaga permanecerá, expondo arrieis,
bastada Vingança aos redores do mundo; aos outros quiçá.

Se lhe parecia ser igual a todos, parelho ao Ômega e Infinito,
mas o Anjo da Morte teve um esgar de transversa Bondade,
no derradeiro instante de operar, se deteve ante esse grito.

Supérstite insidioso, qua virtude é acoimar Vícios indizíveis,
para eles hão de anuir todos, qu'a Vida é fardo, veleidade,
cada qual deve partir agora, no brandir de espadas tangíveis.
 
Não almeje aquilo que ignora

Talvez mais uma vez se possam saudar os mortos ao sol

 
C’o horror podes transmitir tuas palavras, bestas feras sois,
em marouços d’ebulição eflúvios asquerosos vertes, atroz.
Sequer os néscios deixas fascinados, nem os d’espíritos vis,
enxotas a luz como vítima d’ Olho Bendito dos Sacerdotes.

Rugindo, aos Lobos alicias tão-só sentindo o hemático fluxo,
por tenebrosa negr’ Estrela de cauda fulgurado em chamas;
de relâmpagos e trovões ornada, despencando do dia claro,
restado da lida das soberanas águias o consagrado vaticínio.

No campo juncado, bandeiras desfraldam da morte fatal,
da batalha insana cadáveres havidos do Bem contra o Mal,
alimentada do sangue dos fundos de vale sinistro vertente.

Talvez, uma vez mais, das pugnas no vasto palco se veja,
onde amolgados os Elmos aos golpes infames d’Espada vil,
o Nobre erigir do Escudo saudando alvos os ossos ao sol.
 
Talvez mais uma vez se possam saudar os mortos ao sol

Honra às virtudes terrenas nada há que ultrapasse

 
Pelo que tenho de mais Venerado, digo que não queria.
Mesmo que alternativa restasse nenhuma, não faria!
Agora que a Noite vejo, a cair pelas lucernas morosas,
hiante ‘stá‘lma; como fosse ela soberbo tomo de glosas.

Tome o volume. Desde o Alfa, leia primordial iluminura,
neste intimista alfarrábio, não haverá jamais a Rasura,
aos laivos dedicadas páginas, benquistos e santificados;
vis Manuscritos nela não vicejam, perecem execrados.

Tanto pelejo no tom de ser a joeirar-me de rude gentio,
minha ‘lma será jamais vulgar, bosquejo, tomo sombrio;
não faria Veleidades assacar a esmo, por crua Iniquidade.

Agora que do dia a roupa adorna a Abóboda, da claridade,
sem esboços podem ao Sol ver que se não me cora a Face.
A mim, Honra às Virtudes! Trato não há que ultrapasse!!
 
Honra às virtudes terrenas nada há que ultrapasse

O túmulo é alcova dos bravos

 
No entanto, calam as baionetas, avançam em mais uma carga,
aos brados, nas savanas áridas sobre tórrida ganga brilhante,
areias no deserto do Kalahari, pedregosos campos de sarga,
dominaram as dunas de gesso de Namibe, perigo constante.

São Jovens. Ainda têm entusiasmo como do Fogo de Batismo,
para que ela se torne cinzas, oferecem a carne com prazer,
volvendo á Terra querida, berço dos ancestrais, Patriotismo,
eretos caracteres, não se esperava outro diferente proceder.

Firmes como os monólitos em círculos espalhados em Brodgar,
sabem que este Mundo é perverso,que a Iniquidade paira no ar;
mundo cruel permeado de grandes sofrimentos, duras provas.

Então,sabem realmente que devem morrer,quão árdua é a lida,
o destino dos bravos que enfrentam com ardor, alma atrevida,
até descansarem nos Túmulos, dos intrépidos, afáveis alcovas.
 
O túmulo é alcova dos bravos

Águias em voo em meio a pesado granizo

 
Transpassar pelas alabardas quem empunhar Inimigas espadas,
a Morte sempre honra com glorias, da Pátria um filho lutador.
Foram tantas Almas respondendo, de Estranho Poder tomadas,
tintos azuis os dólmãs cobrindo as espáduas, nos elmos o honor.

Como águias em voo mesmo em meio ao granizo, Nikés Aladas,
brandindo os sabres, exibindo-lhes o aço no âmago da batalha,
tombando Inimigos da Pátria, do sangue vil, bocas manchadas,
por ali rolam cabeças enrubescendo a neve, alva e fria mortalha.

Abraçando glórias cruentas, embalados ao som de marcial Hino,
incitados que são ao galope tomando as rédeas os Andaluzes;
certo que muitos caíram juncando o Solo Sagrado com cruzes.

Mas eles elegem lutar e continuar Inimigos vencendo, o Destino;
acossadas legiões espancadas, recuam, vão fugir para o Leste,
diante do Estranho Poder, tanto ânimo que o peito audaz veste.
 
Águias em voo em meio a pesado granizo

Inimigos da Pátria

 
São eles que vem, aos milhares e são inimigos da nação, vorazes.
Eu não os menosprezaria nem por um segundo, são sorrateiros,
tem tomaria por tão altos seus poderes e forças tão capazes,
nesse momento que Ela precisa de todos nós como seus Cavaleiros.

Os exércitos sucumbiram às hecatombes, sob horda cambaleante,
tombaram ali tantos Heróis, a Décima Legião esfacelou-se na neve.
Inimigos por suas ações ousam e tecem agora projetos mirabolantes.
Vocês devem levar a sério as ameaças, mas a Vitória vira em breve.

Não deixem de desenhar a alterosa Bandeira nos seus cadernos
mas não sucumbam às sanhosas ameaças daquele inimigos eternos.
Algumas pessoas estão deixando de amar à Pátria, são reles gentalha,

é preciso manter vivos os sonhos, é preciso superar o medo.
Pátria não é apenas uma terra para se lembrar no degredo,
nem ser somente tema de discurso ao se ganhar uma medalha.
 
Inimigos da Pátria

Contemplem enlutada aguerrida Grei

 
De macios tecidos cobertos, se afogando quereleiros,
um deles mantém sempre acesas as Chamas, acalantos
com gravetos e resinas aromáticas, alimenta braseiros,
mesmo que não iluminem labaredas remotos recantos.

Lá fora, é breu, negrume, como se pela Noite escondido,
impedindo a luz, negro véu cobrindo olhos firmemente.
Ascendem bulcões do fumo, resfolega, em vórtice vertido
flui ele através do Vale, manchas de alvas tendas latente .

Aves noturnas fazem revoadas no bailado das centelhas;
no pascigo, aquietam-se Zainos cavalos, repousam ovelhas
sob som dos banjos, aos pandeiros sossegam já o acalanto.

Apostados na relva, leves passos ressoam no fundo do Vale,
aos guizos fumiga balsâmico vapor para que qualquer inale;
mas não festeja a Brava Grei, ora sagram o Sepultamento.
 
Contemplem enlutada aguerrida Grei

O dia em que o País chorou desenganos

 
Numa manhã de sol o País começou a chorar desenganos.
Inimigos entraram na cidade quase deserta,
a multidão silenciosa deixava seus lares,
lotaram as praças elegeram seus líderes.
Como folhas do outono caíram sobre os exércitos,
arautos alardearam aos ventos, um bastião tomado.

À morte seguiu-se o saque e a matança,
os Generais recolhiam-se aos seus quartéis,
com os olhos fixos nas praças de armas,
chamaram às pressas todos os homens válidos.

Em nenhum lugar vai encontrar um homem no campo,
somente mulheres ficaram nas casas,
lamentando aos gemidos as mortes dos entes queridos,
que largaram a charrua e as segas dos trigais,
tomando fuzis calando baionetas,
nas duras pedras as pás de sapa cavando trincheiras.

Apressem-se Heróis da Pátria, mostrem os peitos de aço,
busquem-se viveres para alimento das tropas,
nossos cães já nos serviram de alimento,
abriremos aos céus os esgotos,
guardaremos como troféus pestilentas ratazanas.
Que venham as mais doces vivandeiras
com roupas roxas como as flores da paixão.

Esperaremos por eles poderosos e tão rudes pessoas,
ao longe exibindo as fogueiras dos acampamentos,
tentando dormir em meio ao burburinho geral.

Vamos lutar com brilho nos olhos, pela Pátria,
florescendo a verdadeira coragem nos peitos,
não pouparemos o sacrifico de nossas vidas,
para a defesa do Solo Sagrado da nossa Mãe.

E se perecermos no fragor grande disputa,
não granjearemos um tumulo ornado de bronze.
Somos homens livres, seremos enterrados,
nas valas comuns, ultimo abrigo dos soldados mortos.

Durante a batalha, lembrem-se no nosso Céu,
da vegetação das dumas onde as troikas deslizam,
das nossas casas, o carinho das nossas mães e mulheres,
da ternura nos olhos infantis dos nossos filhos...
Não os deixaremos ficar, empurraremos através do Volga
pagarão com milhares de vidas a tentativa vã.

Mas não esqueçamos que os exércitos inimigos,
querem nos fazer escravos do poder estrangeiro,
vamos à luta marcharemos unidos nas áreas amplas,
abriremos o céu com um leque de fogo dos fuzis,
atacaremos homem a homem calando as baionetas,
até que o general inimigo tome seu cavalo,
desabe do sorriso arrogante que trazia no rosto,
e vire seus exércitos em debandada em direção ao oeste.
 
O dia em que o País chorou desenganos

Fata Morgana arrogada assomando incautos

 
Grassando maldição aos que vagam por indóceis Oceanos,
do Holandês intrépido, engastado e gélido, jaz o galeão.
Zarpou singrando mares, apondo castigos sevos inumanos,
quedou-se ao berço do afoito nauta, longínquo Amsterdão.

Da Boa Esperança o cabo, a teimosia superava toda razão,
dobrá-lo ao olhar de Adamastor maior intento se tornou.
Ao êxito, de sórdidos subterfúgios, não relutou lançar mão,
na partida de dados viciados até a pose Satanás titubeou.

Insistência tanta foi, pagando desatino com vidas da marujada,
atrair Incautos à funesto fadário, cumprir aleivosia malsinada,
restou condenado pelos sete mares vagar dilapidado e delirante.

Fata Morgana arrogada, reflexos da ilusão, quiçá até padecente,
arrepia os ânimos o Holandês Voador das procelas exsurgente;
até o final dos tempos, contra os ventos ali velejando errante!
 
Fata Morgana arrogada assomando incautos

A Morte do Hussardo meio a cruel batalha

 
No clímax, ao Árabe de carne sólida no soar do clarins incitado,
perdidas as Virtudes do topete, nos dorsos a Morte carregaram.
Intermináveis os segundos antecederam aquele Ultimo Chamado:
... a galope! ... a galope!... Rudes golpes dos cascos ecoaram.

Adiando a perfeição da última rajada ali explodiram em mil luzes,
expurgada a Tristeza foi, exsurgiu de vivas cinzas nova criatura;
exultante o Vento Sul honrou Aleluias aos nomes dos Andaluzes,
no breu, destacando-se entre bestas de carga a Altiva Figura.

Dizem terem Poder de voar sem asas, fazer do ginete, o Amigo,
fiéis, seja na sofrida retirada, ou embates dos mais violentos,
o sinal da cimitarra minorado na evocação de Santiago, o Perigo.

Se hereges venciam, muitos morderam pó no campo de batalha,
sob pendões dourados, último tremeluzir marcando momentos,
morto o Hussardo o tordilho deixou, Sangue correndo na tralha.
 
A Morte do Hussardo meio a cruel batalha