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Trovas

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria trovas

rimas para quem gosta...

 
tanta quadra tenho feito
todas rimando a primor
se as escrevo a preceito
é porque lhes tenho amor

não crio com desleixo
eu nas rimas sou briosa
rimo como Poeta Aleixo
a meu modo... saudosa.

sustento assim o querer
inda que as achem sem côr
cá por mim... as podem ler
mas só eu lhes sei o sabor

alguns lhe têm rancor,
mostram-se bem alterados,
acham comuns... um horror
os defeitos encontrados

são esta saudade velha
que não consigo calar
sempre que me dá na telha
faço quadras mas a rimar.

junto as palavras e teço
saudade, também o pranto
páro agora e recomeço...
vagabundo é meu canto

canto como o passarinho
que de cantar não se cansa
faço quadras p'lo caminho
enquanto a vida avança

de modo simples misturo
inda que apontem o dedo
má criação não aturo...
rimo sempre e sem medo.

natalia nuno
rosafogo
 
rimas para quem gosta...

Trovas...impiedades do tempo

 
Flores o tempo maltrata

fiz-lhe frente como pude

de inquietação me mata

duro fado, não me ilude


morreu já a madressilva

atrás vai o rosmaninho

o tempo é ele uma silva

cruel trazendo espinho


até a giesta entristece

entregue à sua sorte

o sol não lhe trouxesse

o calor, seria a morte.


e o cipreste serenado

nossos males ele sente

parece até afortunado

se ouve pranto da gente


duro tempo, inclemente

trata tudo com impiedade

a tudo leva pela frente...

e nem lhe a importa idade.


as tulipas já se foram

ceifadas ainda em vida

logo meus olhos choram

o tempo causou-lhe ferida


memória trago da aurora

passou o tempo apressado

o presente não melhora

eu agarrada ao passado.



natália nuno

rosafogo
 
Trovas...impiedades do tempo

Flores do campo

 
Trono de cristal à rosa,
Água fresca à sede pura
E à flor silvestre e mimosa
O chão simples da candura
 
Flores do campo

trovas ao fórum

 
colorido e muito fofo
vai de mar a maravilha
o poema cheira a mofo
se o poeta pensa ervilha

vamo s'imbora trovar
 
trovas ao fórum

TEU SORRISO INUNDA O MUNDO.

 
Sinto no teu coração,
Um pulsar arrasador,
Te peço por devoção,
Conceda-me teu calor.

O amor é traiçoeiro,
O sorriso tem delírios,
A paixão é um bueiro,
Abriga todo cinismo.

Cada verso que produzo,
Tem a marca do meu ser,
Mas eu quero lhe dizer,
O mundo é meio recluso.

O paraíso é falácia
Fonte de pecado vil,
O nosso Deus exigiu,
Que logo fosse fechado.

O silencio alardeia,
O que tiver a ser dito,
Esta vida é uma teia,
E o amor é maldito.

A verdade vem a tona,
A poesia é reversa,
O amor não quer carona,
A mentira o dilacera.

Tua beleza enigmática,
Unida a um canto belo,
É como fosse o nosso elo,
Peça chave da mandala.

Conceda-me um beijo teu,
Quero tirar o teu batom,
Para mostrar como é bom,
Os lábios que Deus te deu.

Teu sorriso inunda o mundo,
Tua boca me assedia,
Minhas noites são vazias,
Pois não sinto teu perfume.

Teus cabelos cacheados,
Mechem com o meu fetiche,
Sonho contigo acordado,
É farta a tua meiguice.

Enviado por Miguel Jacó em 07/01/2015
Código do texto: T5093590
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TEU SORRISO INUNDA O MUNDO.

TROVAS DE ROBERTO JUN (18)

 
Hoje aqui vai ter festa
Vocês são meus convidados.
Passam de 50 mil leituras:
A todos meu obrigados!
 
TROVAS DE ROBERTO JUN (18)

ONDE ESTA O BEIJA-FLOR.

 
Onde está o beija-flor
Que não veio pra sugar
O néctar desta rosa
Que não cansa de viçar.

Eu só consumo salivas,
Nestes tempos de apertos,
Onde o dinheiro é curto,
Os juros matam o sujeito.

Teu colo tem o poder
Nos encanta em formato
Eu deixo de ser sensato
Quando olho pra você,

Uma abelha na flor
E a paz no universo
É o pacto do amor
Evitemos retrocessos.

O rei tem a regalia,
Desde os tempos de Nero,
Do vassalo ele judia,
Nunca o levou a sério.

Vou fazer experimento,
Neste final de semana,
Se não houver fingimento,
Lua de mel será bacana.

Terás o que intuiu
Nesta luta acatada
Um sorriso se abriu
Na minha cara amarrada

Gratidão e delicadeza
Quando expressadas juntas
Dobram a sua grandeza
Levantam até defuntos

Conforme vou te ouvindo,
Meu mundo toma sentido,
Não mas me sinto perdido,
Creia estou evoluindo.

Já te amei com devoção,
Mas os ventos hora muda,
Não queres meu coração,
Que o criador me acuda.

Enviado por Miguel Jacó em 03/02/2015
Código do texto: T5124386
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ONDE ESTA O BEIJA-FLOR.

PÁSSARO QUERO QUERO

 
PÁSSARO  QUERO QUERO
 
PÁSSARO QUERO QUERO

Quero quero quando grita
algo está anunciando
um predador ou visita
está se aproximando.

De cor cinza é faceiro
com penacho na cabeça,
altivo e mui ligeiro
essa é a diferença.

Tendo na asa esporão
servindo para proteger
alerta e em prontidão
os filhotes a defender.

No campo faz o seu ninho
a céu aberto e no chão
com um lago por vizinho
precisa muita atenção.

Pássaro bem conhecido
por seu canto diferente,
aqui no sul é querido
garboso e atraente.

Carol Carolina
 
PÁSSARO  QUERO QUERO

amor acabado (trovas de fantasia)

 
vermelho é o azevinho

ao pé da fonte água pura

não retrocedo caminho

levo a vida com bravura



não calo o pensamento

falo de quem muito amei

é grande este sentimento

o amor que te entreguei.



não me trates com desdém

que meu amor já perdeste

era teu... de mais ninguém

e foi pouco o que me deste!



agora que me não queres

não voltes à minha estrada

amor de esmola se queres?

não te posso dar mais nada!



enquanto a ti estive presa

era amor... era paixão...

agora trago a certeza

quero de volta o coração.



esquece lá a tua jura...

quem mais jura mais mente

basta a saudade que tortura

meu coração doidamente...



natalia nuno

rosafogo
 
amor acabado (trovas de fantasia)

SENTIMENTO BONITO.

 
O amor é nobre e bonito,
Cercado de ternura e desejo,
Quando é correspondido,
Na simples troca de um beijo.
 
SENTIMENTO BONITO.

ALGUÉM QUER...

 
ALGUÉM QUER...
 
ALGUÉM QUER...

Alguém quer a todo custo
Só difamar este poeta.
Porém eu não me assusto;
Por que tenho minha meta.
 
ALGUÉM QUER...

O VAZIO ME PERSEGUE.

 
Movido pela apatia,
Minha vida é inerte,
Busco na filosofia,
O ar que me diverte

De amor nada entendo,
Do ódio eu abdico,
É a vida me corroendo,
Mas continuo pacífico.

Escrevo minha fadiga,
Busco não lembrar dela,
Já me deu as alegrias,
Mas agora me flagela.

Vai morder bunda de outro,
Ou chupim sem qualidade,
Hoje se quer tomei banho,
Mas te presto caridade.

Cada dia uma tormenta,
Instaura-se a calamidade,
Mas a vida que afugenta,
É movida por saudades.

Ser poeta é vir aqui,
Poder te cumprimentar,
Por ter escrito tão bem,
Algo a me representar.

Cada dia mais distante,
Sem a mínima condição,
Minha alma pede tanto,
Pelo teu nobre coração.

Tua voz já me ecoa,
Falar-me nem necessita,
Como patos na lagoa,
Nossas almas se visitam.

Em primavera florida,
A vida tem seu encanto,
Cada palmo da avenida,
Ah de receber meu pranto.

O vazio me persegue,
Preciso ser afagado,
Quando a ti me entrego,
Desejo ser abraçado.

Enviado por Miguel Jacó em 07/11/2014
Código do texto: T5026469
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O VAZIO ME PERSEGUE.

TROVAS...DILEMA

 
de que me lembro nem sei!

é grande meu esquecimento

no coração o amor guardei...

e sonhos levou-os o vento.

o dia é longo e permanece

a toda a hora a esperança

minha memória não esquece

puxa p'lo fio à lembrança.

amor quer-se bem cuidado

alumiado p'la vida adiante

o coração quer-se amado

a toda a hora e instante.

saudade trago de quem?

da vida que deixei para trás?

na lembrança trago alguém...

que esquecer não sou capaz.

sonho é abrigo iluminado

onde a memória descansa

vida é presente e passado

dia a dia faz mudança.

dias cheirando a alfazema

já distantes... na infância

cresce em mim o dilema

esquecer ou não a distância.

vivendo vou, de lembranças

apaziguo-me na escrita

brincadeiras de crianças...

ecos que a memória grita.

nada pretendo esquecer

nem mágoas, nem alegrias

e se algum dia acontecer

acabarão os meus dias.

natalia nuno

rosafogo
 
TROVAS...DILEMA

Trova de Amor

 
Trova de Amor
Ah! Minha senhor distante,
Bela donzela do aquém,
me calunia de tratante,
de triste, um "zé-ninguém"!

Ah! Minha bela senhor,
dama de todos meus sonhos,
Quando ditará amor,
de seus lábios risonhos?

Ah! Minha doce senhor,
Amada de coração,
Porque me dizeis traidor.
E me negais tanta paixão?

Nota: No tempo do trovadorismo, não existia o feminino de "senhor"; era formado pelos pronomes adjuntos possessivos.
 
Trova de Amor

Viva Funcheira, Viva Portugal!

 
No dia de PORTUGAL
Haveramos de ser unidos
E fazer um bom arraial
Com sardinhas e enchidos

Para o nosso presidente
Á medronho com fartura
Porque se preocupa com agente
E pode ter alguma tontura

Vamos levantar as mãos
Com toda a nossa alegria
Somos todos bons irmãos
Aqui não falta sangria

A Funcheira é terra boa
E também é PORTUGAL
Nã julguem que é só Lisboa
La por ser a capital

Disserem me que este dia
Tem outra grande importancia
É do Camões e da poesia
Desculpem a minha ingnorancia

Inda se fosse do Bocage
Aqui no Luso meu amigo
Talvez á Funcheira viaje
Pra tomar um copo comigo

Compadres, hoje nã pensem na crise
Que isto nem tudo está mal
Gritem, que há muito quem precise
Viva Funcheira, Viva Portugal!
 
Viva Funcheira, Viva Portugal!

NOVENTA E NOVE TROVAS

 
PRIMEIRA

Chamam às quadras de trovas,
Quando co'o metro dileto
Têm, ao trazer boas-novas,
Em si um poema completo.

* * *

SEGUNDA

Silva o rebenque no arranque:
-- "Zurra burro! Relincha égua!"
Que importa que a mula manque?
Vou rosetar mais meia légua!...

* * *

TERCEIRA

Olhos nos olhos da fera
E pernas p'ra que te quero!
Tomo onde menos s'espera
Carreiras de desespero...

* * *

QUARTA

Hoje te vejo de perto;
Amanhã eu vou-me embora...
À noite passo desperto
Para ver-te desde a aurora!

* * *

QUINTA

Uns olhos de verde gaio
Passo os dias a admirar.
Olhos que olho de soslaio
Para ela não me maldar.

* * *

SEXTA

Pôr gravata vez em quando
Qual arreio em potro xucro:
Nasci desnudo e berrando...
Venha o que vier será lucro!

* * *

SÉTIMA

Muitos dizem ser mentira
Isto de amar de verdade.
Mas quanto o peito delira
Não sabem nem a metade...

* * *

OITAVA

Se nada vem por acaso,
Por que só me vens co'a lua?
A saudade, em todo caso,
Ao meu lado continua.

* * *

NONA

-- "Meninas de bendizer!
Mulheres de bem amar!
Onde anda meu bem-querer?
Onde haveria-de andar?"

* * *

DÉCIMA

Vez em quando me lamento
Das voltas que o mundo dá.
Volta e meia é sentimento
Algo bom em hora má.

* * *

DÉCIMA PRIMEIRA

A morte vem a galope
Montada n'um corcel negro...
Doente, já tomo xarope;
Triste, ligeiro me alegro.

* * *

DÉCIMA SEGUNDA

-- "Eu vou mais logo à cidade
Mas volto ainda cedinho."...
O tempo d'uma saudade
Não passa quando sozinho!

* * *

DÉCIMA TERCEIRA

Abro olhos a ver e olhar,
Ora raso; ora profundo.
Fecho olhos a imaginar
A imensa imagem do mundo.

* * *

DÉCIMA QUARTA

Cumbuca de sapucaia
A prender mão de macaco,
Que nem onça na azagaia
Presa dentro do buraco.

* * *

DÉCIMA QUINTA

Alguém que cedo madruga
Com mais ajuda de Deus
Apenas suores enxuga,
Não as lágrimas dos seus...

* * *

DÉCIMA SEXTA

A espera de quem alcança
Sempre é difícil momento.
Há quem chame de esperança
E outros de padecimento...

* * *

DÉCIMA SÉTIMA

Jamais toma as minhas dores,
E ainda me põe no fogo...
Com quem não morro d'amores,
Só falo "olá" e "até logo".

* * *

DÉCIMA OITAVA

Quem faz hora, nada faz:
Perde tempo seu e alheio...
Homem vão em horas más,
Sempre bota Deus no meio!

* * *

DÉCIMA NONA

Muitos vão do luto à luta
Com sangue nos olhos fitos.
Misturam fel com cicuta,
No cálice dos aflitos...

* * *

VIGÉSIMA

Mineiro não faz presença,
Nem diz falso frase leda.
Tampouco pede licença,
Ele diz mesmo é "arreda!".

* * *

VIGÉSIMA PRIMEIRA

Sou, como diz o outro, prático:
Não caço chifre em cavalo!
Quem me sabe sistemático
Cala a boca quando eu falo.

* * *

VIGÉSIMA SEGUNDA

O dia tem tantas horas,
Que às vezes nem me dou conta.
Ai senhores, ai senhoras,
Logo o sol no céu desponta!

* * *

VIGÉSIMA TERCEIRA

Tem a ver com ir em frente
Essa coisa de viver.
A gente olha e, de repente,
Tudo está a acontecer.

* * *

VIGÉSIMA QUARTA

Tem dias que nem discuto:
"Tudo é como tem de ser"...
N'outros, digo resoluto:
"Nada tem quem tudo quer!"

* * *

VIGÉSIMA QUINTA

Tudo é confuso -- não nego --
Quem tenho sido eu não sei,
Se rei em terra de cego
Ou cego em terra sem rei.

* * *

VIGÉSIMA SEXTA

Cheio de boas intenções
Faz-se da vida um inferno...
O que são desilusões
Quando o suplício é eterno?

* * *

VIGÉSIMA SÉTIMA

Vive com medo de aranhas
Quem d'elas teme o veneno.
Eu a conversas estranhas
Evito desde pequeno.

* * *

VIGÉSIMA OITAVA

Dizem que em noite de lua
Aparece assombração.
Mulher de branco na rua
Já me dá palpitação.

* * *

VIGÉSIMA NONA

Devagar se vai ao longe
E com Deus no coração.
Se o hábito não faz o monge,
Tampouco a cruz o cristão.

* * *

TRIGÉSIMA

-- "Ó menina dos meus olhos!
Ó menina d'olhos meus!
Por que prendes a ferrolhos
Este amor que te deu Deus?"

* * *

TRIGÉSIMA PRIMEIRA

Se Deus fez o mundo todo
Em sete dias precisos,
Espalhou homens a rodo,
Mas lhes negou paraísos.

* * *

TRIGÉSIMA SEGUNDA

Nunca dou ponto sem nó
Em catiras com vizinho:
Levo tombo uma vez só;
Na segunda, vou sozinho.

* * *

TRIGÉSIMA TERCEIRA

Escorre à ponta dos cílios
Lágrimas desde o infinito...
Amor de mãe pelos filhos
É o maior e o mais bonito.

* * *

TRIGÉSIMA QUARTA

Um pai zela de dez filhos,
Mas dez não zelam d'um pai...
Feito trem fora dos trilhos,
Ninguém sabe aonde vai.

* * *

TRIGÉSIMA QUINTA

De dois dedos de prosa
A garrafas de poesia!...
A conversa é mais gostosa
Quando a cachaça a inicia.

* * *

TRIGÉSIMA SEXTA

Atrás da porta outro escuta
O segredo que se esconde...
Quando envolve uma disputa,
Punhal vem sem saber d'onde.

* * *

TRIGÉSIMA SÉTIMA

Cai a máscara do falso;
Embarga a voz do falaz.
A verdade é cadafalso
Do ardiloso contumaz.

* * *

TRIGÉSIMA OITAVA

Não sei se me calo ou falo,
Mas quem só serve, servo é...
Enquanto existir cavalo
São Jorge não anda a pé!

* * *

TRIGÉSIMA NONA

Quem tem dois pássaros voando,
Mas nenhum na sua mão,
Sonha ter de quando em quando
Posse da própria ilusão.

* * *

QUADRAGÉSIMA

Não há erro mais humano,
Que fazer a coisa certa.
Se é no mundo tudo engano,
Dá-se mal quem o conserta.

* * *

QUADRAGÉSIMA PRIMEIRA

No sertão da minha terra,
Passa boi, passa boiada...
O olhar nos longes da serra;
Além da curva da estrada.

* * *

QUADRAGÉSIMA SEGUNDA

O ninho do joão-de-barro
No alto do jacarandá.
Parece um tanto bizarro
Quando morador não há.

* * *

QUADRAGÉSIMA TERCEIRA

Pega o boi com chifre e tudo
Quem cuida da própria vida.
Demanda trabalho e estudo
O fazê-la bem vivida!...

* * *

QUADRAGÉSIMA QUARTA

Conta o milagre do santo,
Mas não conta o milagreiro.
Gratidão não chega a tanto
Quando a graça é mais dinheiro...

* * *

QUADRAGÉSIMA QUINTA

-- “Aqui, um conto de réis!
Ali, um milhar de reais!
Se se vão dedos e anéis
Nem já os reis são reais...

* * *

QUADRAGÉSIMA SEXTA

A ocasião faz o ladrão;
A aventura faz o herói...
É, n'uma história, o vilão
O que nunca se condói.

* * *

QUADRAGÉSIMA SÉTIMA

Juventina tem cem anos;
Dona Mocinha, noventa...
Quem faz alegres seus planos
É mais jovem que aparenta.

* * *

QUADRAGÉSIMA OITAVA

Se é trovador quem faz trovas
Penso eu ser um, afinal.
Tu que lês ora o comprovas
Para o bem ou para o mal...

* * *

QUADRAGÉSIMA NONA

Venda "secos e molhados"
Com cadeiras na calçada...
Onde chegamos cansados
A cerveja é mais gelada.

* * *

QUINQUAGÉSIMA

Fico até mais crente ao vê-la
Vir em roupas de ver Deus,
Quando reza na capela
Para si e para os seus.

* * *

QUINQUAGÉSIMA PRIMEIRA

Se muito grande é o mundo,
Ainda maior o Universo...
O olhar mais largo e profundo
Cabe todo n'um só verso.

* * *

QUINQUAGÉSIMA SEGUNDA

Bem diziam os antigos:
-- "Tudo o que viste, Deus viu!
Ele quem com mil perigos
Distingue o bravo do vil."

* * *

QUINQUAGÉSIMA TERCEIRA

Vire e mexe um vem e diz
Para tudo ter respostas.
Triste quem quer ser feliz,
Com receitas, não apostas...

* * *

QUINQUAGÉSIMA QUARTA

Um pé de laranja lima
Carregado de florzinhas,
Eu olho de baixo a cima
À procura de joaninhas.

* * *

QUINQUAGÉSIMA QUINTA

Andorinha faz verão,
Quando em bando, não sozinha!
Uma só é solidão;
Uma é só andorinha.

* * *

QUINQUAGÉSIMA SEXTA

Quem pode ter qualquer um
Não raro não quer ninguém.
Antes quer, sem pejo algum,
Todo mundo em vez d'alguém.

* * *

QUINQUAGÉSIMA SÉTIMA

Trago um arranjo de flores
Para roubar-te um sorriso.
Se em teus olhos vejo amores,
Tenho tudo qu'eu preciso!

* * *

QUINQUAGÉSIMA OITAVA

Papo de cerca-lourenço...
Conversa p'ra boi dormir...
Quando o discurso é extenso
Se concorda sem ouvir.

* * *

QUINQUAGÉSIMA NONA

Se alguém anda tão-somente
Sem dar conta do que faz,
Dá um passo para frente
E dois passos para trás.

* * *

SEXAGÉSIMA

O fogo que em vão atiço
Saltou longe do braseiro...
É assim quando o feitiço
Vira contra o feiticeiro!

* * *

SEXAGÉSIMA PRIMEIRA

Dias há em qu'eu me sinto
De costas p'ra própria vida.
Tudo parece indistinto,
Já frustrado de saída...

* * *

SEXAGÉSIMA SEGUNDA

Nas voltas que dá o rio;
Nas voltas que o rio dá:
Canoa em remanso frio
É toda a beleza que há!

* * *

SEXAGÉSIMA TERCEIRA

Põem a verdade de lado
Quando razão querem ter!
Jamais será encontrado
O que já não se quer ver...

* * *

SEXAGÉSIMA QUARTA

Corria à boca miúda
A última d’algum incauto:
Quem nunca a ninguém ajuda
Cai no chão olhando pr’o alto!

* * *

SEXAGÉSIMA QUINTA

À meia noite era meia lua
Brilhando sobre a cidade.
Andarilhos pela rua,
Corações pela metade.

* * *

SEXAGÉSIMA SEXTA

Mas quem me ilumina o rosto
E parte o seu pão comigo,
A este acompanho com gosto;
A este que chamo de amigo.

* * *

SEXAGÉSIMA SÉTIMA

As paredes têm ouvidos;
As janelas, muitos olhos.
A portas fechadas, ruídos
Escapam pelos ferrolhos...

* * *

SEXAGÉSIMA OITAVA

O coração é tambor
Que bate desatinado...
Mil vezes morre d'amor
O que vive enamorado.

* * *

SEXAGÉSIMA NONA

Têm tido mais alegrias
Os últimos que os primeiros;
Aqueles têm fantasias;
Estes, apenas dinheiros...

* * *

SEPTUAGÉSIMA

Ter erudição a uns soa
Como coisa rara e nobre,
Mas a maus olhos destoa,
Qual seda vestindo pobre.

* * *

SEPTUAGÉSIMA PRIMEIRA

Conto quarenta anos feitos:
Já vi e vivi um tanto.
Passos tortos fiz direitos...
Sou bento mas não sou santo!

* * *

SEPTUAGÉSIMA SEGUNDA

Vou para a festa correndo;
Volto para casa andando...
Vejo o dia amanhecendo
Em folias vez em quando.

* * *

SEPTUAGÉSIMA TERCEIRA

Tem dia que não é dia:
Não houve aqui vencedor...
Ninguém é na hora tardia
Nem caça nem caçador.

* * *

SEPTUAGÉSIMA QUARTA

Depois de posto em garrafa
E de cruzar todo o oceano,
Um vinho me afogue a estafa
E alumbre o meu desengano!

* * *

SEPTUAGÉSIMA QUINTA

Antes cedo do que tarde...
Antes tarde do que nunca!
Ainda que o amor se atarde,
Logo de flores se junca.

* * *

SEPTUAGÉSIMA SEXTA

Não me engano nem me iludo
Em descrer dos olhos meus:
O crédulo crê em tudo;
O crente só crê em Deus.

* * *

SEPTUAGÉSIMA SÉTIMA

Um que nem bem vai embora
E já fala em vir de volta...
Triste de quem sem demora
Anda com a língua solta.

* * *

SEPTUAGÉSIMA OITAVA

Isso d'escrever poesia
Para uns é café pequeno.
Esses não têm alegria
Nem o semblante sereno.

* * *

SEPTUAGÉSIMA NONA

Sem-vergonha aqui é mato:
Dá em tudo que é lugar!
O que de manhã eu cato,
À tarde torna a brotar...

* * *

OCTOGÉSIMA

Salamaleques à parte,
O respeito e a cortesia,
Antes são refinada arte
Que custosa fantasia..

* * *

OCTOGÉSIMA PRIMEIRA

Quem dá o que não possui
Perde até o que não tem.
Não se sabe mas se intui
O lugar que lhe convém.

* * *

OCTOGÉSIMA SEGUNDA

O amor é pássaro arisco,
Que se afasta quando acuado.
Sabe em cada olhar um risco
E em cada sorriso um fado...

* * *

OCTOGÉSIMA TERCEIRA

Fidalgo de meia pataca!
Puto sem eira nem beira!!
Falando igual maritaca
Um caminhão de besteira...

* * *

OCTOGÉSIMA QUARTA

Se segunda à sexta eu busco,
Sábado e domingo eu acho:
Nas sombras d'um lusco-fusco,
Do arrebol o último facho.

* * *

OCTOGÉSIMA QUINTA

Vez em quando vou à forra
Contra as mazelas da vida:
Mesmo que de viver morra,
Vou fazê-la bem vivida!

* * *

OCTOGÉSIMA SEXTA

Eu -- mais dia, menos dia --
Parto d'esta p'ra melhor...
Mas fiz tudo o que podia
Com fé, esperança e amor.

* * *

OCTOGÉSIMA SÉTIMA

Perdem as folhas o viço
Quando vem no outono o frio.
Antes fosse apenas isso,
Mas junto com ele o estio...

* * *

OCTOGÉSIMA OITAVA

Amanheço na esperança
E anoiteço em desespero...
Minh'alma jamais descansa,
Querendo tudo que quero.

* * *

OCTOGÉSIMA NONA

Molha tolos fina chuva,
Que nos pega de surpresa:
Cai como à mão uma luva,
Tua orvalhada beleza.

* * *

NONAGÉSIMA

Ignora a dor d'este mundo
Quem vive só de aparências.
Qualquer olhar mais profundo
Evitam as vãs consciências.

* * *

NONAGÉSIMA PRIMEIRA

À custa d'algum versinho,
Perdia a hora vez em quando...
A manhã em que escrevinho,
Cheira a café fumegando.

* * *

NONAGÉSIMA SEGUNDA

Em teus olhos vejo estrelas;
Em teu sorriso, promessas...
Muito dizes sem dizê-las
Com esperanças como essas.

* * *

NONAGÉSIMA TERCEIRA

Além do bem e do mal,
As razões do coração
Pesam mais do que, em geral,
Qualquer razoável razão.

* * *

NONAGÉSIMA QUARTA

Nada como um outro dia
Para se entender o havido.
Quem ontem riu d'alegria,
Hoje está entristecido...

* * *

NONAGÉSIMA QUINTA

Temo que a estrada da vida
Após muito caminhar
Dê n'um beco sem saída
Ou mesmo em nenhum lugar...

* * *

NONAGÉSIMA SEXTA

Ser feliz -- quer sim; quer não --
É mais empenho que sorte:
Uns buscam ser na ilusão;
Outros, só depois da morte.

* * *

NONAGÉSIMA SÉTIMA

Busca com tua conduta
Ter Liberdade primeiro!
Melhor um dia de luta
Do que mil de cativeiro...

* * *

NONAGÉSIMA OITAVA

Às letras eu me dedico
Por mais e melhor saber.
Não que me façam mais rico,
Sim me ensinem a viver.

* * *

NONAGÉSIMA NONA

-- "A quantas andam as trovas
Com que costumas poetar?"
-- "São noventa e nove novas
N'esse livro de folhear."

Betim - 12 05 2017
 
NOVENTA E NOVE TROVAS

SONHO E FANTASIA

 
SONHO E FANTASIA
 
Trovas

Sonhei que era rainha
E reinava num castelo
Uma fada por madrinha
Tudo fino muito belo

Sapato com flor de ouro
Pura riqueza de se ver
Não tinha nada de couro
Bonito de fazer doer

Vestido de seda pura
Coisa fina com certeza
Mais parecendo pintura
A roupa de realeza

Minha vida de rainha
Teve fim e se acabou
Ao sol minha cadelinha
Latiu alto me acordou

Quero dormir novamente
E quem sabe recomeçar
O meu sonho envolvente
Para ao castelo voltar

Carol Carolina
 
SONHO E FANTASIA

TROVAS DE ROBERTO JUN (1)

 
O amor e o sorriso,
Devem ser compartilhados.
Pra ser feliz é preciso
Não deixar isto guardado.
 
TROVAS DE ROBERTO JUN (1)

morta de amor...fantasia

 
morro à míngua de amor

morreu à míngua de água

murcho tal qual a flor

e é grande a minha mágoa



o sol queimou-me o rosto

com a sua luz potente...

namorei-te era Agosto

e amei-te intensamente...



tanto amor, tanta esperança

olha no que deu amor!

hoje trago-te na lembrança

e na boca o teu sabor...



fechei ao coração a porta

e os olhos enxuguei...

não há dor se estou morta!

eu morta de amor fiquei.



natalia nuno
rosafogo
 
morta de amor...fantasia

GOSTO DA CARA SAFADA.

 
Esta mulher nos encanta,
Se veste com fino gosto,
Canta com entusiasmo,
Enfeita o mês de agosto.

Gosto da cara safada,
Da tua boca sem batom,
Da expressão despojada,
Da mulher do edredom.

Teresina foi em peso,
Para reverenciar-te,
Daqui fico com inveja,
Não poder apreciar-te.

São Caetano contratou,
Uma cantora de peso,
Para lhe fazer um show,
No atacado e varejo.

A beleza da mulher,
Foi em ti explicitada,
Se a vejo me derreto,
Fico sempre encantado.

Te desejo todo acerto,
Nos afazeres que tens,
Tu sabes como ninguém,
Ir atrás dos teus desejos.

Serena tu és gostosa,
Jogas com desenvoltura,
Eu vejo em ti a criatura,
Que simboliza uma rosa

Sei que vais ficar bonita
Com teus dotes femininos
As silhuetas invejáveis
Alem dum sorriso lindo

Em cada gata um frescor
Fica transparente o viço
Neste antro do amor
Eu ainda morro disso

A fé é força oculta
Com resultados vigentes,
Pois o mero bicho gente,
É tão frágil como frutas.

Enviado por Miguel Jacó em 31/08/2015
Código do texto: T5365925
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GOSTO DA CARA SAFADA.