Poemas, frases e mensagens de Upanhaca

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Upanhaca

Por quê o divórcio?

 
 
Por quê se divorciam os casais?
Ao altar subiram de braços dados,
Aos olhos de Deus juraram amarem-se,
Será que o amor é mortal?

Se mortal for, o que será da paixão
Compartilhada nos momentos felizes?
Choram corações no raiar do silêncio,
E no mutismo da verdade sangram almas

Na hora de anunciar a morte discutida,
Olhos fingem não ver o passado
Nem o presente assombrado
No olhar desalentado das crianças

Família desfeita, almas perdidas
Filhos dispersos, futuro incerto,
Nos corações desfeitos sepulta-se o amor
Longe do altar que os unira na paz e alegria

Adelino Gomes-nhaca
 
Por quê o divórcio?

Templo das letras

 
 
Não passeie em vão no templo das letras,
Pise manso no chão letrado,
E no espírito, expede o mal configurado
Pelo olhar que semeia pedras.

Dispense calhaus lacrados de ódio
Na tua caminhada de leitor explorador,
E colhe sementes repletas de vigor
Que levarão teu diário ao pódio.

Vá confiante pelas bordas,
Mas ausente-se das manhas de superioridade
Que tragam a tona, a tua vulgaridade.

No templo das letras bordadas,
Reina espírito de fidelidade
Ao manuscrito que dispensa parcialidades.

Adelino Gomes-nhaca
 
Templo das letras

Sou apenas dono das minhas emoções

 
Sou apenas dono das minhas emoções
 
Por aqui vim expor minha dor d’alma,
Não sou poeta nem romancista,
Sou apenas dono das minhas emoções,
Que partilho de coração pra corações

Não sou mentor das sofridas dores,
Nem professor das discórdias
Que nasce e morre precoce,
Sou apenas um amante da poesia

Não sou fazedor das dissonâncias,
Nem árbitro das desavenças,
Sou apenas um apaixonado das concórdias
Mil vezes precisas no meu cantinho de lágrimas

Não sou juiz nem advogado do teu ideal,
Sou apenas admirador do teu mundo emotivo,
Habitado pelas emoções que brotam da tu’alma,
Dispensadas do banco de réu da comarca

Não sou guardião nem bibliotecário da tua poesia,
Sou apenas teu amigo no luzir da verdade,
Que ao ver-te partir, “faço da tripa o coração”
E nada mais acalma minha dor

Adelino Gomes
 
Sou apenas dono das minhas emoções

Vá em paz poeta Aquazulis

 
Vá em paz poeta Aquazulis
 
Domador de almas,
Tão cedo partiste,
Partiste sem despedir-se
Do Alentejo adormecido
Que te encantava e inspirava,
Na hora de fazer das palavras
O alimento da alma,
Que só tu sabias confecionar
No silêncio das madrugadas
Do Alentejo que te chora.
Partiste pra o azul dos céus
com o qual nos prendavas
Nos teus encantos poéticos.
Partiste, poeta aquazulis
Mas o teu legado não terá fim
No azul dos nossos corações.
Vá em paz, domador de corações
Que Deus o tenha entre os arcanjos.

Adelino Gomes-nhaca
 
Vá em paz poeta Aquazulis

O tempo pode fintar a velhice

 
O tempo pode fintar a velhice
 
Queria falar de ti, de nós
Dos tempos idos da infância
Dos toques tidos sem importância
Dos beijos adiados por inocência.

Tempo voa sem estacão,
Quando lembro nosso esconde-esconde
No pomar de N´ha Matilde
Concluo quão forte era nossa paixão.

Passa o tempo
Passam amores e dissabores
E do passado renasce nosso eterno amor.

O tempo pode fintar a velhice-não topo,
Minha paixão por ti
Rejuvenesce quanto mais velho for o tempo.

Adelino Gomes-nhaca
 
O tempo pode fintar a velhice

Junta-te ao reino da luz

 
Junta-te ao reino da luz
 
Plebeu chora de coração vasto,
Poeta de alma sensível chora,
E na balança, partilham honra
Que separas com teu instinto insólito.

São indivisíveis águas do rio,
No mesmo leito depositam lágrimas
Jorradas pelos corações em lástima
À indiferença do teu mundo sombrio.

Saia das trevas
E junta-te ao reino da luz
Que detesta tua separação de favas.

A jurisdição não se constitui com inverdades
Nem de radares da tua magistratura
Que corrompe o barómetro da verdade.

Adelino Gomes-nhaca
 
Junta-te ao reino da luz

Como distinguir lágrimas achadas?

 
Como distinguir lágrimas achadas?
 
No canto d’olho
Nascem lágrimas,
E numa emotiva confusão,
Pingam molhadas da razão
Que não sei dizer qual.
Pingam na dor, na alegria…
E mais, não sei dizer
Porque pingam e respingam
Sem pedir permissão aos olhos
Que olham e expelem-nas
Nos cenários da dor ou de alegria,
Por quê nascem lágrimas?
Na dor ou na alegria, pingam
Molhadas da razão, mas qual?
Achei lágrimas num pomar,
Serão elas da dor ou d’alegria?
Mais, não sei dizer,
Porque pingam e respingam
Envoltas em emoções,
Que os olhos não podem ver.

Adelino Gomes-nhaca
 
Como distinguir lágrimas achadas?

Detesto o silêncio dos homens

 
Detesto o silêncio dos homens
 
Detesto o silêncio dos homens,
Faz do mundo, o túmulo
E do meu pesar, o cúmulo
Das dores abafadas sem améns

Abjuro o alarido dos homens,
Quando vem a tona, desaponta
A tarefada alma dos jovens
E semeia fome, guerra e afronta

Adoro a justeza dos homens,
Traz inteireza à razão
E devolve sorriso às crianças

Venero a compreensão dos homens,
Faz do mundo, viveiro da esperança
Onde o ódio cede lugar à paixão

Adelino Gomes-nhaca
 
Detesto o silêncio dos homens

Ela caminhava tacteando no silêncio da noite

 
Ela caminhava tacteando no silêncio da noite
 
Foi numa tarde de sábado que te vi partir, o céu chorava bastante, os pássaros não tinham sossego, aventava muito, as árvores dançavam tango com o vento, as aves não tinham onde pousar, ondulavam nas nuvens carregadas de lágrimas, que embaciavam olhos da lua. E tu decidida a partir, encobriste com a escuridão da noite que parecia provir das copas frondosas das árvores. Caminhavas tacteando no silêncio que metia medo aos deuses das trevas.
Ao longe, o uivar dum coiote quebrou a monotonia do tempo, ecoando entre gargantas das montanhas que pareciam arranha-céus duma cidade adormecida. Apesar desta panorâmica assustadora, tu não assustaste, tinhas sempre o olhar em frente e era para frente que te conduziam teus pés de menina determinada à desafiar o impossível, de longe te seguia, apreciando tua ousadia, que a nenhuma alma vivente recomendaria.
O dia se anunciava no horizonte colorido, quando te vi agachar e apanhar uma rosa arrancada pelo vento da noite anterior, soltei um assobio, ergueste a cabeça e me chamuscaste com teu lindo olhar, o céu sucumbiu, meu coração parou, te dirigi um olá tímido, e tu retribuíste com o mais belo sorriso do mundo das beldades. Quis correr e aninhar-me nos teus braços, mas meus pés não obedeciam, pareciam plantados ao chão molhado e escorregadio, e tu, bamboleando tuas perfeitas ancas, vieste depositar beijo nos meus lábios trémulos, fechei os olhos e quando os abri, desfaleci nos teus braços, e tu, minha doutora, minha curadora do amor, olhaste para o céu, humedeceste lábios e me beijaste a alma, do mundo dos mortos por amor ressuscitei e abraçados, regressamos ao nosso kimbo, às nossas machambas e aos jardins do nosso namoro.

Adelino Gomes-nhaca
 
Ela caminhava tacteando no silêncio da noite

Saber partilhar os benefícios da alma

 
Saber partilhar os benefícios da alma
 
A felicidade vem da alma,
Do querer ser feliz
Na sociedade que condiz
Com alegria de quem ama

Ser feliz, é ser forte no querer,
Coreto no dizer
Implacável na tomada de decisões
Que não se vergam à passagem de tufões

Ser feliz, não é ter o mundo a seus pés,
É saber viver o mundo,
É saber partilhar os benefícios da alma

Nas favelas ou nas sanzalas
Onde a dor se afama
Nas sôfregas faces de quem nada tem

Adelino Gomes-nhaca
 
Saber partilhar os benefícios da alma

No raiar da primavera encantada

 
No raiar da primavera encantada
 
Minha flor querida,
Te procurei no brilho dos sóis,
Nas pétalas de girassóis
E no raiar da primavera encantada

Porém, lá no alto da serra
Repartias teus carinhos aos beija-flores,
Ao ver-te sorrir abraçada aos teus amores,
Meu coração se perdeu na tua beleza rara

No fundo da minh’alma, te elegi deusa da beldade
Rainha de toda a beneficência
Razão da minha existência

No culminar da minha felicidade
Lembrar-me-ei com toda humildade
Teu encantado sorriso de sereia

Adelino Gomes-nhaca
 
No raiar da primavera encantada

Mãos cálidas e cheias do nada

 
Mãos cálidas e cheias do nada
 
Ando fungando sem tempo,
Tempo que não soube ganhar
Quando tive todo o tempo
Nas mãos cheias do nada fazer.

Enquanto tempo se desfazia
Como bolinhas de sabão,
Nas minhas mãos cheias do nada fazer,
Sorriam forças que o tempo levou.

Hoje, curvado na bengala do tempo,
Deambulo atrás do tempo
Pelas ruas destemperadas do tempo,
Que não quis aproveitar no tempo.

De mãos estendidas nas curvas do tempo,
Tento remediar o passado escorregadio
Com o vazio das minhas mãos
Cálidas e cheias do nada,
Por nada fazer enquanto havia tempo.

Adelino Gomes-nhaca
 
Mãos cálidas e cheias do nada

Os males do divórcio

 
Os males do divórcio
 
Falar da vida construída no altar
Parece fácil, palavras soam bem
Alianças ganham brilho, na alegria
Traçam-se futuro rico em sonhos

Quimera ganha asas na paz d’alma
Família cresce na alegria do Senhor,
Trocam-se mimos, vontades e desejos,
Amor flui ao olhar querido das crianças

Chegado a hora de desfazer o nó feito no altar,
Tudo é esquecido, começa a luta de papéis,
Crianças assistem aturdidas a contenda dos pais

Vertem-se lágrimas, arfam corações inocentes,
Que futuro pra esta pequenada desamparada!
Esquecer o divórcio é amar o fruto do amor

Adelino Gomes-nhaca
 
Os males do divórcio

O nosso amor quinhoado

 
O nosso amor quinhoado
 
Minha inseparável companheira,
És dona dos meu sonhos,
Olhos dos meus olhos,
És minha escolhida hospedeira

Eu sou… jardineiro do teu coração,
Cultivador indomável da paixão
Que na tua alma, cintila de amor,
Vindo do céu nas asas do condor

Eu sou tua sede
E tu és minha fonte de águas cristalinas,
Beberei de ti, o suco que me concedes

Nas manhãs e noites de namoro
Nos prados ou no morro
Da felicidade do nosso amor quinhoado

Adelino Gomes-nhaca
 
O nosso amor quinhoado

...Ser poeta

 
...Ser poeta
 
Poeta não escreve,
Pinta a verdade.

Poeta não declama poesia,
Chora na poesia.

Poeta não ama,
É fonte do amor.

Poeta não é fingidor,
É tenor da razão
No desatinar da verdade.

Poeta não é dono da escrita,
Da escrita extrai a paz
Versada de felicidade.

Adelino Gomes-nhaca
 
...Ser poeta

Se a primavera fosse feita pra amar

 
Se a primavera fosse feita pra amar
 
Se as estrelas fossem rosas do jardim,
Acolheria uma pra encantar tardes de paixão
Na primavera ausente de capim,
Que dos rebentos não teria compaixão

Se à lua pudesse falar
Pedi-la-ia que perpetuasse amor
Na primavera lunar
Livre das sequelas do terror

Se a lua falasse ao sol
Dos segredos primaveris,
Nenhuma paixão ficaria por desvendar

Se a primavera fosse feita pra amar,
Morreria desencantada
Pelos encantos dos beijos à beira-mar

Adelino Gomes-nhaca
 
Se a primavera fosse feita pra amar

Minha missão termina aqui, no mar das lágrimas

 
Minha missão é encontrar sorrisos,
Por este mundo caminho vacilante
E só vejo sorrisos escondidos
Atrás das lágrimas nas faces inocentes

No olhar que a dor testemunha,
Sorriso perde nos rostos esquecidos
Atrás dos muros da vergonha
Erguidos pelos homens ditos civilizados

Homens insistem em dividir o indivisível,
Fazendo da Europa um forte intransponível
Que atravanca quem vem do lado de lá da miséria

Botado a bravura do frio e do sol insuportáveis,
Adentra-se no mundo dos sorrisos impossíveis
E minha missão termina aqui, no mar das lágrimas

Adelino Gomes-nhaca
 
Minha missão termina aqui, no mar das lágrimas

Homenagem aos Administradores do Luso-Poemas

 
Homenagem aos Administradores do Luso-Poemas
 
Obrigado por tudo!

Obrigado a vós,
Que nas manhãs molhadas de Inverno,
Abdicais o aconchego do vosso doce lar
Pra corações destroçados aliviarem.

Neste universo ausente de encantos,
Afrouxais o apego da solidão
E com vossa perícia tecnológica,
Me inseris no mundo das letras.

Por cinco cantos do globo,
Viaja meu mundo letrado
Nas asas do vosso saber tecnológico
Que acrescenta mais primaveras
À grande alma do luso-poemas.

A vossa lúcida mestria
Adoça desencanto que me atormenta
Nesta sociedade ferida de morte.
E desperta minha firmeza
Pra promissor reino das letras.

A vós, Administradores, digo simplesmente, OBRIGADO!
Um obrigado vindo das profundezas do meu coração.
Obrigado por tudo, Mestres!

Adelino Gomes-nhaca
 
Homenagem aos Administradores do Luso-Poemas

Parto de coração partido

 
Parto de coração partido
 
Parto,
Parto sem ti, banhado de lágrimas
Adentro-me nas brumas do sofrimento,
Que assola meu mundo longe de ti.

Parto de coração partido,
E na pobre alma levo as minhas dores
Salgadas por mar de saudades tuas.

Parto,
No coração levo as lembranças
Dos nossos beijos ao calor da lareira,
E das pequenas brigas
Que faziam crescer nosso amor.

Parto na expectativa que vivas bem
Na ausência de quem sempre te ama
Com todas as vertentes do amor.

Parto e deixo ficar um bocado de mim
Nos aromas das pétalas do jardim,
Onde desfrutava teus calorosos mimos
Sob tímido olhar de beija-flores.

Parto, minha querida
E te peço que guardes minhas saudades
Num canto do teu nobre coração,
Pra conciliação das nossas mágoas
No dia em que regressar aos teus abraços.

Adelino Gomes-nhaca
 
Parto de coração partido

O brilho dos lírios realçam tua beleza impar

 
O brilho dos lírios realçam tua beleza impar
 
O dia se rompe no horizonte colorido
Pássaros madrugadores piam no jardim
E lá estás tu trajada de cotim florido
Que confunde beija-flores no festim

Apesar de vinte primaveras contigo casar
Quando te vejo metida entre lírios do campo
Me apetece voltar atrás no tempo
E te pedir que trepasses de novo comigo ao altar

O brilho dos lírios realçam tua beleza impar
E tu entre eles, és uma deusa de amor
Que viverá pra sempre no meu coração apaixonado

Sem ti, não teria significado o amar
Seria como viver num jardim imaginário sem flor
Onde os beijos são confinados ao purgatório refinado

Adelino Gomes-nhaca
 
O brilho dos lírios realçam tua beleza impar

Adelino Gomes