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Poemas, frases e mensagens de Upanhaca

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Upanhaca

No raiar da primavera encantada

 
No raiar da primavera encantada
 
Minha flor querida,
Te procurei no brilho dos sóis,
Nas pétalas de girassóis
E no raiar da primavera encantada

Porém, lá no alto da serra
Repartias teus carinhos aos beija-flores,
Ao ver-te sorrir abraçada aos teus amores,
Meu coração se perdeu na tua beleza rara

No fundo da minh’alma, te elegi deusa da beldade
Rainha de toda a beneficência
Razão da minha existência

No culminar da minha felicidade
Lembrar-me-ei com toda humildade
Teu encantado sorriso de sereia

Adelino Gomes-nhaca
 
No raiar da primavera encantada

Sou apenas dono das minhas emoções

 
Sou apenas dono das minhas emoções
 
Por aqui vim expor minha dor d’alma,
Não sou poeta nem romancista,
Sou apenas dono das minhas emoções,
Que partilho de coração pra corações

Não sou mentor das sofridas dores,
Nem professor das discórdias
Que nasce e morre precoce,
Sou apenas um amante da poesia

Não sou fazedor das dissonâncias,
Nem árbitro das desavenças,
Sou apenas um apaixonado das concórdias
Mil vezes precisas no meu cantinho de lágrimas

Não sou juiz nem advogado do teu ideal,
Sou apenas admirador do teu mundo emotivo,
Habitado pelas emoções que brotam da tu’alma,
Dispensadas do banco de réu da comarca

Não sou guardião nem bibliotecário da tua poesia,
Sou apenas teu amigo no luzir da verdade,
Que ao ver-te partir, “faço da tripa o coração”
E nada mais acalma minha dor

Adelino Gomes
 
Sou apenas dono das minhas emoções

Amor é rosa, dizem outros

 
 
Verde é o amor
À primeira vista,
Rosa, dizem outros

“É fogo que arde
E não se vê”, dizem
Conceituados poetas

Pra um apaixonado,
Verde, rosa ou fogo
Não interessam,
Desde que cabe
No coração vermelho

Adelino Gomes-nhaca
 
Amor é rosa, dizem outros

Abriu o céu em minh’alma

 
Abriu o céu em minh’alma
 
Tantos sucos suguei:
Do caju ao Maracaju
Do morango à manga
E foram tão doces
Como o doce néctar
Cobiçado por beija-flores.
Mas quando suguei teus lábios…
Hmmmm… Que doçura!
Abriu o céu em minh’alma,
Estremeci de frio no calor
Do teu afetuoso abraço,
E mui apaixonado
Perdi minha língua
No céu da tua boca,
Será pela doçura
Ou pela loucura? Rimado
pelo bater do meu coração
Em teu peito arfante,
Deduzi que fora fruto
De longas primaveras
Que acabara de lançar
Suas raízes em um amor
Guardado por anjos e arcanjos
No sétimo céu das nossas paixões.

Adelino Gomes-nhaca
 
Abriu o céu em minh’alma

Templo das letras

 
 
Não passeie em vão no templo das letras,
Pise manso no chão letrado,
E no espírito, expede o mal configurado
Pelo olhar que semeia pedras.

Dispense calhaus lacrados de ódio
Na tua caminhada de leitor explorador,
E colhe sementes repletas de vigor
Que levarão teu diário ao pódio.

Vá confiante pelas bordas,
Mas ausente-se das manhas de superioridade
Que tragam a tona, a tua vulgaridade.

No templo das letras bordadas,
Reina espírito de fidelidade
Ao manuscrito que dispensa parcialidades.

Adelino Gomes-nhaca
 
Templo das letras

Mãos cálidas e cheias do nada

 
Mãos cálidas e cheias do nada
 
Ando fungando sem tempo,
Tempo que não soube ganhar
Quando tive todo o tempo
Nas mãos cheias do nada fazer.

Enquanto tempo se desfazia
Como bolinhas de sabão,
Nas minhas mãos cheias do nada fazer,
Sorriam forças que o tempo levou.

Hoje, curvado na bengala do tempo,
Deambulo atrás do tempo
Pelas ruas destemperadas do tempo,
Que não quis aproveitar no tempo.

De mãos estendidas nas curvas do tempo,
Tento remediar o passado escorregadio
Com o vazio das minhas mãos
Cálidas e cheias do nada,
Por nada fazer enquanto havia tempo.

Adelino Gomes-nhaca
 
Mãos cálidas e cheias do nada

Vá em paz poeta Aquazulis

 
Vá em paz poeta Aquazulis
 
Domador de almas,
Tão cedo partiste,
Partiste sem despedir-se
Do Alentejo adormecido
Que te encantava e inspirava,
Na hora de fazer das palavras
O alimento da alma,
Que só tu sabias confecionar
No silêncio das madrugadas
Do Alentejo que te chora.
Partiste pra o azul dos céus
com o qual nos prendavas
Nos teus encantos poéticos.
Partiste, poeta aquazulis
Mas o teu legado não terá fim
No azul dos nossos corações.
Vá em paz, domador de corações
Que Deus o tenha entre os arcanjos.

Adelino Gomes-nhaca
 
Vá em paz poeta Aquazulis

De poeta, nada tenho

 
De poeta, nada tenho
 
De poeta não tenho nada,
Simplesmente amarro palavras
Com réstias da minh’alma
Em busca doutras almas

Em cada nó dos versos que amarro,
Acrescento um sorriso
Um abraço
E um beijo fraterno

De poeta nada tenho
Simplesmente amarro palavras
E conquisto corações
Com a candura da minh’alma

Ser nobre não é ser poeta que não sou,
A nobreza está nas lágrimas
Que brotam da minh’alma,
Quando vejo tuas lágrimas de dor

De poeta nada sou
Mas sou teu fraterno irmão,
Na dor ou n’alegria
Te canto um poema de amor

De poesia não tenho nada
Senão a delicadeza da minh’alma
E candura do meu pobre coração,
Amante de tudo o que é vida

Adelino Gomes-nhaca
 
De poeta, nada tenho

...Ser poeta

 
...Ser poeta
 
Poeta não escreve,
Pinta a verdade.

Poeta não declama poesia,
Chora na poesia.

Poeta não ama,
É fonte do amor.

Poeta não é fingidor,
É tenor da razão
No desatinar da verdade.

Poeta não é dono da escrita,
Da escrita extrai a paz
Versada de felicidade.

Adelino Gomes-nhaca
 
...Ser poeta

Donde vem a velhice?

 
Donde vem a velhice?
 
Donde vem a velhice,
Ninguém sabe,
Reza-se pra que não seja precoce
E a vida poupe

Ora queixa-se do tempo vencido,
Ora pede-se tempo ao tempo
Pra que tudo na vida seja vencido,
Sem sombras do contratempo

O tempo passa sem retrocesso,
Enquanto a vida amadurece
Na longa caminhada, sem regresso
Aos tempos de meninice

O tempo é forte,
Nos faz curvar nas arrestas da bengala
À procura do suporte
No resto da caminhada que temos pela frente

O tempo é imparável,
É indomável,
Preciso é saber viver o tempo
Enquanto na vida houver tempo

Adelino Gomes-nhaca
 
Donde vem a velhice?

Por quê o divórcio?

 
 
Por quê se divorciam os casais?
Ao altar subiram de braços dados,
Aos olhos de Deus juraram amarem-se,
Será que o amor é mortal?

Se mortal for, o que será da paixão
Compartilhada nos momentos felizes?
Choram corações no raiar do silêncio,
E no mutismo da verdade sangram almas

Na hora de anunciar a morte discutida,
Olhos fingem não ver o passado
Nem o presente assombrado
No olhar desalentado das crianças

Família desfeita, almas perdidas
Filhos dispersos, futuro incerto,
Nos corações desfeitos sepulta-se o amor
Longe do altar que os unira na paz e alegria

Adelino Gomes-nhaca
 
Por quê o divórcio?

Um querer que se perde na ausência

 
Um querer que se perde na ausência
 
A solidão invade, cresce e aperta,
Os desejos se multiplicam
O coração sofre em silêncio,
A dor dilacera a alma

Noites se tornam longas
Sonos a meio gás,
Vagueiam pensamentos
Nas penumbras da incerteza

Sonhos retardados
Em reencontras agendados,
Adiados se a presença for
Deglutida pela eterna ausência

Com o patinar do amor
No lamaçal da incerteza,
Coração chora lágrimas d’ouro
Por um querer que se perde na ausência…

Adelino Gomes-nhaca
 
Um querer que se perde na ausência

Quem atrás do lobo vai, lobo é

 
Quem atrás do lobo vai, lobo é
 
Quem atrás do lobo vai,
Atrás do lobo se vira lobo.
O essencial é deixá-lo uivar
Deixá-lo ser único ouvinte
Do seu roto uivo,
Deixá-lo ser dono da noite.
Em sua húmida toca
Acabará por se engasgar
Com teu e meu silêncio

Adelino Gomes-nhaca
 
Quem atrás do lobo vai, lobo é

O nosso amor quinhoado

 
O nosso amor quinhoado
 
Minha inseparável companheira,
És dona dos meu sonhos,
Olhos dos meus olhos,
És minha escolhida hospedeira

Eu sou… jardineiro do teu coração,
Cultivador indomável da paixão
Que na tua alma, cintila de amor,
Vindo do céu nas asas do condor

Eu sou tua sede
E tu és minha fonte de águas cristalinas,
Beberei de ti, o suco que me concedes

Nas manhãs e noites de namoro
Nos prados ou no morro
Da felicidade do nosso amor quinhoado

Adelino Gomes-nhaca
 
O nosso amor quinhoado

Requintado modernismo…

 
Requintado modernismo…
 
Modernismo…
Calças rotas
Camisas puídas,
Serão pobres
Jovens d’hoje
Ou será puro prazer
De imitar os pobres?
De roupa esfarpada
Andava o pobre Lázaro,
E hoje…
Quantos Lázaros
Andam por aí?
São tantos.
Em nome da modernidade,
Até o bicho-homem
Se virou mulher
Com argolas pendentes
Nas orelhas desfeitas.

Modernidade…
Hoje, os diabos
Não existem só no céu,
Na terra os homens os imitam
Semeando cornos
Em suas cabeças loucas,
Que modernice!!!
Modernos só na ilusão,
Pré-câmbricos n’alma.
Podem vestir calças rotas,
Mas nunca terão felicidade
Dum pobre que vive feliz
Com o pouco que tem,
Podem semear cornos
Mas nunca terão dotes dum diabo,
Podem pender argolas nas orelhas
Mas nunca ocuparão lugar da mulher,
Podem pôr argolas no nariz
Mas nunca as atarão a uma corda
Pra serem levados ao pasto.
Que requintada modernice
É a dos jovens d’hoje!!!

Adelino Gomes-nhaca
 
Requintado modernismo…

Os males do divórcio

 
Os males do divórcio
 
Falar da vida construída no altar
Parece fácil, palavras soam bem
Alianças ganham brilho, na alegria
Traçam-se futuro rico em sonhos

Quimera ganha asas na paz d’alma
Família cresce na alegria do Senhor,
Trocam-se mimos, vontades e desejos,
Amor flui ao olhar querido das crianças

Chegado a hora de desfazer o nó feito no altar,
Tudo é esquecido, começa a luta de papéis,
Crianças assistem aturdidas a contenda dos pais

Vertem-se lágrimas, arfam corações inocentes,
Que futuro pra esta pequenada desamparada!
Esquecer o divórcio é amar o fruto do amor

Adelino Gomes-nhaca
 
Os males do divórcio

Nunca foi fácil ser poeta

 
Nunca foi fácil ser poeta
 
Nunca foi fácil ser poeta,
Digo eu
Pelas palavras escritas,
Apagadas e reescritas.
Pelas palavras que morrem
Precoces na mente do poeta.
Pelos papéis machucados,
Pelos rascunhos rasgados,
Pelas unhas roídas,
Pela teimosia das palavras
Em virem e não virem
A mente vagante do poeta.
Nunca foi fácil ser poeta,
Digo eu
Pelas emoções tidas e perdidas,
Pelas madrugadas de insónia
Na busca das inspirações,
Pelo rimar das palavras,
Pela musicalidade dos versos,
Pela métrica das sílabas.
Tudo isso, resume-se
No pensar do poeta,
Que um salteador de versos
Se apodera num ápice,
Sem suor
Sem insónias
E sem conhecer o teor das palavras
Que apresenta ao mundo
Em segunda mão,
O plagiador força sua entrada
No mundo que não é seu.
Ò plagiador, não faça do meu eu, o teu,
Valide o teu eu com fruto do teu pensar,
E terás entrada livre pela porta da frente,
No mundo da interação, que cobiçais pertencer,
Vestido da fidedigna pele do poeta lesado.

Adelino Gomes-nhaca
 
Nunca foi fácil ser poeta

O tempo pode fintar a velhice

 
O tempo pode fintar a velhice
 
Queria falar de ti, de nós
Dos tempos idos da infância
Dos toques tidos sem importância
Dos beijos adiados por inocência.

Tempo voa sem estacão,
Quando lembro nosso esconde-esconde
No pomar de N´ha Matilde
Concluo quão forte era nossa paixão.

Passa o tempo
Passam amores e dissabores
E do passado renasce nosso eterno amor.

O tempo pode fintar a velhice-não topo,
Minha paixão por ti
Rejuvenesce quanto mais velho for o tempo.

Adelino Gomes-nhaca
 
O tempo pode fintar a velhice

O mal e os sóis da verdade

 
O mal e os sóis da verdade
 
Se o mal ocupa a alma
Não há nada que o tire,
E quando vem à tona,
Pelas bocas sem freios
Ou pelas mãos guiadas
Por mentes torpes,
Definham-se corações,
Tornam-se malditas as palavras ditas
E nenhuma norma as torna dóceis
Por mais que forem fustigadas
Pelos sóis da verdade,
A verdade nunca se esconde
Mas é escondida por ti e por mim,
Na nossa ignóbil hipocrisia

Adelino Gomes-nhaca
 
O mal e os sóis da verdade

Junta-te ao reino da luz

 
Junta-te ao reino da luz
 
Plebeu chora de coração vasto,
Poeta de alma sensível chora,
E na balança, partilham honra
Que separas com teu instinto insólito.

São indivisíveis águas do rio,
No mesmo leito depositam lágrimas
Jorradas pelos corações em lástima
À indiferença do teu mundo sombrio.

Saia das trevas
E junta-te ao reino da luz
Que detesta tua separação de favas.

A jurisdição não se constitui com inverdades
Nem de radares da tua magistratura
Que corrompe o barómetro da verdade.

Adelino Gomes-nhaca
 
Junta-te ao reino da luz

Adelino Gomes