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O PALHAÇO GARGALHADA

 
O PALHAÇO GARGALHADA
 
O Palhaço Gargalhada, trabalha no circo Aladino já faz alguns anos. È ele que faz a animação dos espectáculos, tendo a seu cargo a tarefa de pôr as pessoas a rir e bem-dispostas.
Recentemente, o dono do Circo, anda preocupado com o palhaço. Este não tem andado muito bem-disposto.Tem reparado que a sua presença em palco, tem vindo a perder qualidades e as suas graças por vezes, acabam por não ter piada nenhuma.

Ao que parece, existe um certo mal-estar entre as duas figuras relacionado com o facto do Palhaço Gargalhada já não ter aumento salarial a alguns anos.
A preocupação do empresário, claro está, vai para as reacções que as pessoas possam ter, no decorrer de algum espectáculo e seria muito desagradável para ele principalmente, ter de devolver o dinheiro das entradas às pessoas, por falta da graça do seu palhaço.

O dono do Circo Aladino é conhecido por ser uma pessoa muito forreta e mau pagador.
A última desculpa que deu para justificar ao Palhaço Gargalhada a não actualização do seu vencimento por mais um ano, foi que tinha comprado uma girafa bebé e por se tratar de um investimento de peso relevante para o Circo, não tinha de momento condições para o aumentar.
Numa bela tarde, quando o Circo preparava mais uma sessão para brindar o seu estimado público, toda a gente olhava para os cantos e nem sombra do palhaço entre as luzes.
Bem que o apresentador solicitou a sua comparência em palco por duas vezes mas do palhaço, nem um sinal.

O director do circo, tinha as orelhas a arder e tudo por causa de um homem, que teimava em não aparecer.
Mas o Palhaço Gargalhada, sempre apareceu. De cabeça baixa, com ar triste e cara de sofrimento, cumprimentou a assistência sem voz de palhaço e saiu de cena. Passado alguns instantes, o Palhaço Gargalhada voltou a entrar e pegou na sua mala de cartão e desapareceu por entre as cortinas do palco.

Todos repararam que com aquela cara, o palhaço dificilmente iria fazer rir qualquer pessoa.
Da plateia surgiram as primeiras vozes de descontentamento e desagrado por tão medíocre apresentação. As frases pouco simpáticas, as assobiadelas e tudo o mais, fizeram-se ouvir no Circo Aladino.

- Vai-te embora estúpido!
- Não prestas para nada! - Palhaço da treta!
Até os mais pequenos estavam desolados. Começaram então a chover objectos para dentro do recinto como sinal de que alguém tinha sido enganado.

Rapidamente o director do Circo, fez entrar o malabarista Narciso para segurar aquele vendaval de objectos, que começavam agora a cair com mais intensidade. Aos poucos, as pessoas iam se acalmando com a actuação daquele brilhante artista. Os gritos e os apupos, foram agora substituídos por aplausos e tudo voltou á normalidade dentro daquela enorme tenda.

O dono do Circo, dirigiu-se então ao Palhaço Gargalhada que se encontrava naquele momento sentado em cima de uma cesta de jibóias com ar desolado.
Perguntou então ao palhaço, o que se estava realmente a passar com ele, para ter tido um comportamento tão estranho e apagado diante do público.
O Palhaço Gargalhada explicou então ao seu patrão, que tinha uma insuportável e horrível dor de dentes e que por esse motivo, não tinha tido disposição nem condições para desempenhar o seu papel com brilho.

O patrão, aceitou assim as suas justificações e aconselhou o palhaço a tratar rapidamente dos seus dentes, pois não pretendia que o seu circo tivesse a falta da actuação de um palhaço, por muito mais tempo.
Foi então que o Palhaço Gargalhada fez questão de recordar ao seu patrão uma vez mais, que já a alguns anos, que não tinha aumento nem condições financeiras sequer, para tratar dos seus dentes.
O forreta reflectindo sobre o assunto, não teve então outra alternativa, senão satisfazer o pedido do palhaço. Aumentou o salário do Palhaço Gargalhada e simpáticamente, ainda o ajudou com o pagamento das despesas com o dentista.

Gabriel Reis


 
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