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Janelas sem vida

 
Vou partilhar esta história convosco, uma história verídica que se passou comigo a cerca de um ano.
Algumas vezes nos questionamos com os amigos do Facebook, os amigos do facebook são iguais aos que encontramos no nosso dia-a-dia uns mais próximos que outros, assim como na vida, simplesmente acionamos o botão do pensamento que nos dá o direito a escolher e a conviver com quem queremos aceitar com mais proximidade ou menos. Por vezes nos identificamos mais ou menos.
Mas é muito mais o que eu quero partilhar com vocês a cerca desta palavra amizade…
O ano passado encontrei uma amiga minha e em conversa perguntei por várias pessoas amigas que já não via algum tempo, quando ela me diz…- o Sr. Francisco está muito mal, problemas graves, não sei se ele vai recuperar desta vez. Fiquei calada por alguns segundos a interrogar-me, depressa me veio a ideia…não o tenho no meu facebook? -Sabes se ele tem Facebook, Cristina? – Tem, eu tenho-o como amigo, vai à procura por mim. Assim logo o fiz quando cheguei a casa, fiquei à espera durante algumas semanas? Telefonei às minhas amigas a perguntar se ele se encontrava melhor, pois ele ainda não me tinha aceitado. -Não, não está nada melhor, ele foi internado e parece que não está nada bem. Assim conversamos durante um bom bocado ao telemóvel a recordar outros tempos, falamos dos momentos que passávamos quando eu me deslocava para tratar de papéis àquele gabinete de contabilidade onde iam crescendo vários relacionamentos de amizade em cada dia que passava, aquele gabinete de contabilidade com várias janelas viradas para uma igreja onde se celebravam vários funerais e que tantas vezes por brincadeira nós dizíamos, calha a todos, qualquer dia é um de nós. Não. Não estava a ver o Sr. Francisco numa situação daquelas. Mas a vida assim o quis, o telemóvel tocou a trazer uma triste noticia, logo tivemos que nos conformar com ela, fui ter com as minhas amigas e fomos até aquela mesma igreja, tentamos não fazer daquele momento um momento mau era um amigo bem-disposto que partia, um homem cheio de força, otimista e lutador. Recordamos momentos passados, momentos de alegria, os sentimentos não se resumem ao choro, são feitos de recordações que mesmo sendo pequenas se tornam enormes nestes momentos.
Logo que cheguei a casa fui ao Facebook, guardei a fotografia que o Sr. Francisco tinha no seu perfil. Questionei-me sobre uma simples amizade e a sua dimensão? A dimensão pode ser virtual ou não, “mas a certeza de se saber que um simples amigo está vivo é muito grande”. Por isso vivam meus amigos, movimentem os pensamentos e sejam felizes. É só isto que um verdadeiro amigo quer de vocês mesmo em silêncio.


Cristina Pinheiro Moita /Mim/

 
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