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Ouço os uivos do mar enquanto expulsa prantos
desassossegados,
arroja-os pelas margens exaustas de aljôfares
permanentes, vagueio-me sem noite, sem dia,
querendo perder-me nesta terra de outrém.
Acrescentam-me as lembranças que vogam por mares desconhecidos,
quão brilhantes como o arco-iris que avisto,
e das vezes que a minha visão te anseia
pudesse eu abreviar-me dos sibilinos sonhares.
Mores as ventanias que assolam o verso,
despindo as palavras já nuas como as figueiras pelo encrespado
final de outono,
e das minhas mãos brotam imagens
que as nuvens dispersam nenhures.
Apenas saberei das ondas que abraçaste,
apenas saberei do barco que aportou algures,
numa outra viagem.
[Ouço os uivos do mar,
senti-los-ei pelos areais desertos,
um dia só nossos, em desassossegos].
[Ouço então os uivos do mar,
desassossegadamente,
senti-los-ás quando as portas se entreabrirem].
“Ds manhãs
Apenas levarei a tua voz
Despovoada
Sem promessas
sem barcos
E sem casas
Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas
Da tua voz
Levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas
As pedras
As nuvens
O teu canto
Levarei manhãs E madrugadas”
(“As manhãs” Daniel Faria)
“- Na verdade vos digo, os pássaros que morrem caem no céu e as cinzas de Maria Callas vogam pelo mar Egeu.” do ciclo uma sílfide adormeceu no leito de uma orquídea branca.