https://www.poetris.com/
Poemas : 

agora?

 
---------------------
~~~~~~~~~~~~
''''

«««««««

regressam sempre os degraus
por onde desces

a caminho do mar

até não restarem gaivotas ao derredor
se o dilúvio tão perto

como coisa que é [simplesmente]

irrompe
finaliza esta primavera.

amar.

do silêncio envolto a cada respirar teu

inalterável

sem nome que me chama
[repetidas vezes]

afloram imanentes ausências
despojadas das rugas do tempo.

talvez sejam plenitudes
ou hábitos exaustos sobrevivos à sede.

antes
o mundo mudo. agora?

já nada sei.


Transversal – Ricardo Pocinho
2022

(“agora?”)





"Floriram por engano as rosas bravas
No inverno:veio o vento desfolha las..."
(Camilo Pessanha)

http://ricardopocinho.blogspot.com/
ricardopocinho@hotmail.com

 
Autor
Transversal
 
Texto
Data
Leituras
162
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
6 pontos
4
1
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 18/06/2022 10:12  Atualizado: 18/06/2022 10:12
Colaborador
Usuário desde: 13/07/2010
Localidade:
Mensagens: 29767
 Re: agora?
Escreveste aqui um belíssimo poema de encher os olhos do leitos, verdadeira maravilha


Enviado por Tópico
Almamater
Publicado: 18/06/2022 15:20  Atualizado: 18/06/2022 15:20
Super Participativo
Usuário desde: 16/02/2021
Localidade:
Mensagens: 155
 Re: agora? P/ Transversal resposta poética

lembro-me da vontade de uma desgarrada poética... sempre não pela exposição, pelo recato. Ficam cicatrizes que sangram e Nãos! inúteis que sufocam.


apraz-me recortar:

regressam sempre os degraus
por onde desces

a caminho do mar

e eu, sem ousar molhar os dedos
estendo o olhar
infinito

apunhalada pela recusa
procuro o rio
o silêncio
a ilusão da solução


(...)

afloram imanentes ausências
despojadas das rugas do tempo.

e assim as sinto
numa Alma que se grita jovem
disfarçada pela mudez do que me rodeia
sinto a rebeldia no dourado da gaiola


talvez sejam plenitudes
ou hábitos exaustos sobrevivos à sede.


mas não há sede
não, não há sede quando há plenitude
quando há Poetas que escrevem assim



Obrigada e desculpa se foi um abuso. Se o foi, apaga. Eu compreendo. Ou se não tiveres gostado... bem visto, não ficou grande coisa. Talvez com mais um golpe de asa...