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Poemas : 

[deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ilhas]

 
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deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ilhas
clarões enfileirados saltitando no mar longínquo

espontâneos

possivelmente órficos como alguns anjos sem asas
sem nexo
[para que servem perguntar-te-ei?]

tudo se passa
como me pediste

e não tenho como salvar-me de ti

à deriva

enquanto um silêncio ocasional trespassa em
desassossego a brancura dos lençóis que antes
queimavam
abrasavam envolvidos por um trópico desconhecido.

Poderia reconhecer os continentes
[ou os mares e marés]

esses nossos caminhos
pelos ventos a cada hora
pelas enseadas noturnas a teu lado

no entanto

tenho dentro de mim as pressas em partir
as palavras infernais invernais
nestes mistos desabridos ilusórios
diáspora velocidade
chuva sol

a vida continua oca

.e sempre ao longe a tocar horizonte um barco a arder que se esconde teatral
talvez se deixe afagar
animal dócil.

Fica-me a miragem algures

revelada pela nudez da maresia intensa
exterior
lustral

ainda tantos anos depois
solta
livre.

O outro que sobrevive sai porta fora.

(Ricardo Pocinho)



Apenas um texto que tinha mesmo de partilhar

Ser um grande Poeta

“Ser um grande poeta
morto e nacional
é atrair as moscas
como idiotas e
os idiotas como
moscas.

Ser um poeta medíocre
vivo e universal
é atrair os catedráticos
da literatura como
idiotas e moscas.

Ser um poeta apenas
nem vivo nem morto
ou nacional ou universal
é atrair apenas os poetas
como moscas idiotas.

Moralidade: não há saída.”

(“Visão Perpétua”, 1982, Jorge de Sena)



"Floriram por engano as rosas bravas
No inverno:veio o vento desfolha las..."
(Camilo Pessanha)

http://ricardopocinho.blogspot.com/

 
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Transversal
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 19/11/2014 00:26  Atualizado: 19/11/2014 00:26
 Re: [deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ...
acorrentados até ao provir
salva-se a alma por viver assim
errante
deambulando
na mira do teu horizonte
enquanto se estendem os dias
e nos arrepiam as ausências

mas pior seria nada disto

e mesmo
nunca o querendo
basto-me neste meio
pela tua âncora que se anuncia


e da salvação
quem a quer?

se há Beleza em cada vírgula que voa
- que faz voar -


Obrigada
GrandeT

por mais um elo na corrente
que segura


Sorriso distando q.b.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 19/11/2014 05:18  Atualizado: 19/11/2014 05:18
 Re: [deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ...
Apreciei!

Enviado por Tópico
RaipoetaLonato2010
Publicado: 28/11/2014 01:29  Atualizado: 28/11/2014 01:29
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 Re: [deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ...
Às vezes,sonha o poeta, confessar ao vento, suas fraquezas, seus medos e desventuras. O poema é a única ferramenta para abrir as portas da luz.