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Poemas : 

Perder-se, sem deixar de saber onde está

 
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Quase nunca escrevo sobre mim, muito embora haja quase sempre muito de mim no que escrevo. Para escrever, eu medito alucinadamente: é um transe poético. O poeta vive o sonho, ele não é quem é, nem é o que escreve. É um mensageiro. A maioria dos pensamentos é que me encontram, quando não me dito. Muitas vezes acabo sendo outra mente, em algum outro lugar ou tempo neste ou noutro planeta... Eu vivo outra vida, para não virar um museu... Essa é a poesia, a palavra pupação em movimento perene. O poema é um mapa para chegar ali. Mas não existem direções definidas, então... Cada cabeça lê o mapoema de uma forma diferente... A labuta é escrever um mapa que todos possam ler de qualquer forma e sempre dê em poesia. Por isso, ser um só não basta. Por vezes pode soar controverso, confuso, estranho, mas isso só ocorre se se ignorar a licença poética e a existência do eu lírico... A labuta de quem lê é perder-se no poema, sem deixar de saber onde está.

(Ronan Cardoso)
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RonanCardoso
 
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