Sinto-me como se sentem teus poetas
Qualquer coisa como o homem normal
Nada mais ou menos que tal futilidade
Escrevi e rasguei obras quase profetas
Enquanto li nas tuas mãos o fado fatal
Quase a estrangular tanta necessidade
Vejo-me ali ao lado desse que espelho
De nariz empinado com'um Dom nada
Desfeito no fogo fátuo da tua memória
Que a escorrer na minha tal fé espalha
E se droga como vida de cor deslavada
A correr num rio de estranha vanglória
Sou-me tanto e muito pouco do que fui
O simples miserável esculpido a verbos
Perleúdo imaginário dos tempos já idos
Deste mundo que fluiu no outro que rui
Tão nobre soberba de olhares soberbos
Doem-me sagrados os pecados vividos