Sonetos : 

MAL-DE-AMOR

 
Tags:  SONETOS 1996  
 
MAL-DE-AMOR

Alta noite, em erráticos desterros,
Anda de ouvidos e olhos bem abertos:
Um só a atravessar bairros desertos,
Enquanto confrontava a lua aos berros.

Alucinando já — nem posto a ferros
Diz contar seus segredos encobertos.
Porém, ao questionar quaisquer acertos,
Saúda a vida em todos os seus erros.

De coração é quanto tem em mente,
Já não s'enxerga mais que um amador,
A revirar a dor que finge e sente.

Talvez confunda fúria com ardor…
Escolhe-se, mortal e simplesmente,
Dos males, o maior: o mal-de-amor.

Belo Horizonte – 13 02 1996


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
Autor
RicardoC
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