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Poemas : 

Um Conto Budista

 
De repente Zartana se deu conta que estava no recinto infernal. Sentiu uma pontada no peito. Olhou e viu que havia um buraco e estraçalhado estava o seu coração. Sentiu um cheiro horrível de enxofre. Um barulho ensurdecedor de gritos, gemidos e de arrasto de correntes invadia todo o ambiente. Entre tantos rostos, Zartana reconheceu alguns, como o do seu pai, que ele, Zartana, matou com as próprias mãos após este matar a sua mãe numa crise de ciúmes. Reconheceu muitos soldados inimigos que matara em sangrentas guerras entre os diferentes clãs japoneses.
Do nada o teto do Inferno se abriu e um anjo celestial iluminou todo o recinto com uma luz branca e divina. A angélica voz retumbou:

- " Quem aqui se lembrar de algo bom que fez enquanto vivo terá a salvação".

Várias almas foram salvas ao mesmo tempo. Porém a grande maioria permaneceu no Inferno. Entre eles, Zartana. Ele não conseguia se lembrar de nada bom que tinha feito durante toda a sua existência. Quando o anjo estava ascendendo e o teto infernal estava quase fechando, Zartana deu um grito e disse que se lembrava de certa vez que poupou a vida de uma pequena aranha quando lutava em um bosque repleto de bambus. Ele retirou o pé para não esmagar o aracnídeo. O anjo celestial disse:

- "Isso me basta!"

Neste momento a pequena aranha apareceu do lado de fora do Inferno e lançou sua pequenina teia até Zartana. Este, que era acostumado a escalar muros e castelos para roubos e assassinatos, não teve dificuldade para subir no tênue fio. Quando já tinha subido muito e já se encontrava quase fora do recinto infernal, Zartana resolveu descansar. Nesse instante ele olhou para baixo e quase não se via mais o Inferno. De repente Zartana percebeu o aumento na tensão do frágil fio. Quando olhou para baixo novamente, viu que milhares de almas estavam subindo pela delicada teia também. Temendo não ser salvo, Zartana começou a esbravejar contra as almas dizendo que era para deixarem a teia só para ele, já que a aranha tinha sido poupada por ele. Pobre alma! Sentindo o egoísmo no dilacerado coração de Zartana, a aranha arrebentou o fio fazendo com que todos retornassem ao Recinto infernal. O anjo celestial e a aranha lamentaram o acontecido pois a teia tinha resistência para a salvação de todos que queriam e precisavam ser salvos.


Gyl Ferrys

 
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Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 20/05/2019 14:27  Atualizado: 20/05/2019 14:27
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 Re: Um Conto Budista
Gyl
Belo conto! O mal da humanidade é o egoísmo, se não fosse ele, todos estariam bem.
Beijos!
Janna


Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 25/05/2019 12:27  Atualizado: 25/05/2019 12:27
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 Re: Um Conto Budista P/Gyl
A nossa teia é feita de ganância e egoísmo era melhor que quebrasse e um anjo olhasse por nós, mas para isso era preciso que houvessem braços fortes, que o ajudassem... O conto não é só maravilhoso, mas bem elucidativo, parabéns e saudades Vó