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Prosas Poéticas : 

Sei lá

 
E se ...

E se hoje fosse o tal dia em que as canetas escrevessem sozinhas linhas e linhas sem sorrir a cada palavra que espero como o nascer do dia.
Talvez esse dia chegue numa manhã de nevoeiro tal como D. Sebastião prometeu. No entanto a esperança permanece sentada à sombra de uma malagueta.
É verdade que sussurras a cada instante, primeiro dizes que sim depois encavalitado permaneces perto do arco-íris num pote a espreitar cabisbaixo.
Nunca sei o que esperar nos dias de chuva, não sei se me devolves os sorrisos ou tens queda para a brincadeira. Os dias parecem crescer carregados de ternura que ponho à janela por causa do bolor que envolve o tempo.
Amanhã é um novo dia, mas as coisas não deixam de ficar intactas ao nascer do sol.
Se uma andorinha carregasse o mel na primavera, nós caminhávamos de mãos dadas, ao entardecer.





Carolina

 
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Carolina
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 21/05/2020 12:02  Atualizado: 21/05/2020 15:24
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 Re: Sei lá
Demorei um pouco a comentar este texto.
Uma prosa não tem estruturas, nem imagética muito trabalháveis, digamos assim.
Se começar pelo título,e sendo rebuscado como me é costume, o facto de não haver uma pontuação leva a mais do que uma leitura. Por exemplo, com um ponto de exclamação o tom seria de desabafo, possivelmente de algum aborrecimento. Se fosse uma interrogação seria ignorância pura. Se o ponto fosse final?
Admitia no sujeito poético (?!) um conhecimento específico, ainda que indefinido. Sei, do verbo e lá, o lugar.
A "...sombra duma malagueta..." põe um picante na frase e algumas questões. Ainda podemos criar e ser originais com as sombras.
Ao não saber "...o que esperar..." o dito sujeito (vá, como é claramente uma prosa poética posso usar o termo sujeito poético em paz...) repete as esperanças das quais parece querer fugir, mas que quase sempre são a última a morrer.
"...as coisas não deixam de ficar intactas ao nascer do sol..." aqui vejo muito brilhantismo, porque a expressão, amanhã é um novo dia, não deixa de ser ilusória, isto é, nem o passado se apagou, e não é a aurora que pode cristalizar as mágoas e armezená-las fazendo com que deixem de existir.

Tão bom e tão belo o teu texto Carolina, muito bom te reler, lembrares a todos que vives e que ainda se escreve bem por aqui.

Abraço