
Todos Meus Eus
Há de tudo nestes dias de dor intensa,
solidão das flores e suas descrenças,
sonhos sobre ventos de amarga preguiça
que me encharcam destes dias sem ciência.
Dias em que a penumbra prevalece
num coração doído e prematuro,
em olhares que olham de cima de um muro,
entristecidos de musgo que anoitece.
Desfolham-se todas as árvores da vida,
e de um jardim florido e denso
tombam rarefeitos fragmentos,
deixando a existência quase perdida.
Sinto-me queimado por fogueiras,
vivo cercado deste horrível suspense,
mas sei que nada neste mundo me pertence:
o mundo é feito de coisas passageiras.
Alexandre Montalvan
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