MISERERE
Sou, por mal dos pecados, um descrente;
Todo entregue a mais vã concupiscência.
Se de muito me acusa a consciência,
De muito mais me julgo impenitente.
Da vida após a morte, eu tão-somente
Tenho uma indiferente complacência.
Não sei se por preguiça ou incompetência
Não alcanço dos fiéis o olhar silente.
Deus não me deu a graça de ter fé…
Por isso, o meu caminho eu sigo a pé,
Não pelas asas de anjos ou demônios.
Eu deixo a metafísica aos que a veem
Em tudo o que acontece e, logo, creem
Em verdades demais para os neurônios.
Perdões - 27 08 2025
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.