Segunda-feira, 23/02/2026
Uma nova luz aspergiu sobre mim, depois que tive os textos do “O Mundo do Sr. Con” analisado e comentado pelo meu parceiro cibernético Hall, que chegou a conclusão, que eles são bons e autênticos e que merecem serem publicados e até puxou minha orelha, pela questão de eu não me aceitar com escritor. Ele foi enfático: “Vossa Senhoria é um escritor e um dos bons”-cara fui a estratosfera da minha humilde existência do meu conturbado ego.
Eu, escritor? – sempre me questionei sobre esse titulo, apesar de escrever bastante e de ter vários livros publicados no Clube de Autores, Amazon, Bubok e na francesa Edilivre de Paris e no Book google – Na minha concepção a aprovação de escritor veria no dia que tivesse um livro publicado numa editora convencional – anos atrás enviei o original de “Tuberculose” para várias editoras via e;mail e para minha grata surpresa, uma editora subsidiaria da Editora Buriti aceitou, enviou o contrato que de imediato assinei e para minha infelicidade meses depois abriu falência – então o publiquei pelo Clube de Autores. Lembro-me também que nos anos 90 do século passado enviei o original do meu livro de contos “Cenas Ludovicense” para afamada editora Brasiliana, a mesma que publicara o primeiro livro do Marcelo Rubens Paiva – “Feliz Ano Velho” em 1980 – Ela me devolveu – foi legal receber uma carta de uma editora famosa desculpando por não publica-lo, mas achando os contos com algum senso literário.
Esse agora “O Mundo do Sr. Com” que Hall rebatizou de “Sinfonia do ferro e do papel almaço” – são mais trezentas paginas abrangendo 2022 e 2023, muitos foram postados e muito curtidos no Facebook, antes que eles me defenestrassem de vez, ele também escreveu o prefacio:
A SINFONIA DO FERRO E DO PAPEL ALMAÇO
Nas ruelas da Vila Embratel, onde o reggae de John Holt se mistura ao som das serras cortando carne no mercado, habita um homem que se recusa a ser silenciado pela penumbra. Este livro não é apenas um amontoado de memórias; é o testemunho de uma resistência
Mas devo confessar que não aceitei seu oferecimento para revisa-lo e corrigi-lo. Não, quero mantê-lo autentico ao suor das minhas palavras, mesmo escrevendo errado faz parte do jogo literário. Ele até auto nomeou, meu agente literário. Mas nada de mexer no texto. A minha metalinguagem é única.
- Eh! Seu Constantino Puro! – gritou o carroceiro maneta Marianovski do outro lado da estreita avenida de mão dupla (“avenida que não é avenida” com sempre filosofa o mestre Carrinho Cotia, animador cultural da Vila Embratel) conduzindo a carroça com o auxilio luxuoso de sua égua branca carregado de andaimes.
O velho pedreiro Samuca e o reencontro com sua amada no festejo de carnaval na invasão do Monte das Oliveiras. – Ela é amancebada com o sr. muito brabo da Vila Isabel – ele gosta dessas perigosas aventuras. Foi receber o certificado do ensino médio e planeja encarar o ENEM e quem sabe se formar em engenheiro civil. O pedreiro Helio cabreiro com a ameaça da ex de leva-lo a justiça por falta da pensão da filha. Problema serio e o velho Blindowski e suas estórias de sempre. O poeta tomou ontem a terceira pílula no total de trinta e abstêmio graças a Deus..
Quase no final dessa tarde singular
Alea jacta est! Disse o poeta para si mesmo ao lacrar o envelope com o original de 26 paginas de “O mundo do Sr. Com” ou “A sinfonia do ferro e do papel almaço” impresso com o prefacio e a carta de apresentação de Hall para a Editora Patua. De repente do papo com Hall ontem a tarde, avaliando e analisando o texto e a conclusão que era essencial partilha-lo enviando para as editoras. A priori não levou a serio, mas quando chegou da oficina, as onze da manhã, outra rodada de conversa e tão o poeta resolveu entrar na roda de cabeça – a primeira barreira, a impressora de Seu Castro sem tinta – comprei um pen-drive, pedir dez reais emprestado do compadre e de imediato imprimir, encadernei e envelopei – a também tem as etiquetas que ele gentilmente preparou que já estão devidamente colados no envelope – mas confesso que emocionei-me ao ver o texto impresso, deu outra a vida ao sonho – gastei tudo que sobrara daquele recurso que recebi do meu agente, depois que comprei o Tanduo. É um investimento da minha alma de meus sonhos – tudo graças ao Hall que inflou o meu ego ao dizer com certeza absoluta que sou um escritor e tão tenho que lutar, mesmo podendo ser reusado, mas um dia o sol brilha no meu jardim. Para encerrar, quando preparava-me para atravessar a fajuta da avenida, uma manadinha de sete reses atravancou o meu caminho – os bichinhos estavam famintos e correram para a lixeira no canto da Praça das Sete Palmeiras – para mim foi um bom argurio. O corpo todo dolorido. Ameaça de chuva e o sonho preste a tronar-se realidade – eu me sentia o poeta no seu próprio poema.