Crónicas : 

Taça de Lágrimas

 
Foi um dia cheio. No fim, vim para casa. Abri a porta e chorei ao entrar. Aquele lugar não era um lar; era só uma casa. Um lugar onde pessoas 'estranhas' habitavam o mesmo espaço.
Ao menos uma vez por mês, mandava aquele homem embora. Mas ele não ia. Era como um câncer na casa e em mim. Eu não lhe queria mal, só queria dar continuidade à minha vida, já que as nossas já não se conectavam mais. Eu não aguentava mais. Que sociedade é essa, onde pessoas que não estão mais juntas têm que viver na mesma casa por causa do absurdo das rendas?
Cansada e irritada, joguei as chaves da moto, tirei o capacete, tirei toda a roupa, peguei o meu vinho e a minha solidão e me sentei no sofá; abracei o meu gato e os meus fantasmas.
Na minha mente, mais um nome.
Eu não queria sexo. Não tinha fome. Eu só queria um colo. E, ridiculamente, sentia a necessidade de um único alguém. O meu gato me olhava como se soubesse o nome dele.
Bebia em meio às lágrimas. Dizia a mim mesma que era TPM. Sabia, no fundo, que não era. Por que eu tinha apego àquela outra pessoa que já não me dizia nada? Que karma eu tinha com aquele ser?
Foda-se.
Bebi mais vinho e chorei mais um pouco. Tudo bem. Amanhã passa

Amanhã esqueço teu nome mais uma vez.


Amanhã lembro que já não sou mais uma adolescente.




 
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rebecarocha
 
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